A QUEDA DO ÚLTIMO GULAG LATINO-AMERICANO

Por PEDRO LAGOMARCINO 27/07/2021 - 19:30 hs

Por décadas, gerações do mundo inteiro se deixaram levar pelo “canto das sereias” dos ideais que guiaram o pensamento comuno-socialista instalado em Cuba.

Desencadeada pelo Movimento 26 de julho, a Revolução Cubana, capitaneada por Fidel Castro, Raul Castro, Juan Almeida e pelo médico argentino Ernesto Rafael Guevara de la Serna (Che Guevara), em um primeiro momento, objetivou defenestrar o governo democraticamente eleito e presidido por Fulgêncio Batista. Em um segundo momento, exalando a fétida ideologia de esquerda e com o apoio da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), enfatizou seu caráter anticapitalista e antiamericano, alinhando-se aos países do bloco comuno-socialista.


Aventuras na História · Há 61 anos, o ditador Fulgêncio Batista fugia de  Cuba, deixando o país nas mãos de Fidel Castro e Che Guevara


É bem verdade que o governo de Fulgêncio Batista, nem de longe foi um governo democrático. Muito pelo contrário. Foi sim um governo tirânico. Todavia, promover uma pseudo-revolução, travestida de humanitária, por meio de medidas estratosfericamente mais trágicas, não é, nem de longe, medida que se conceba como alternativa de mudança ou referência.

Fidel Castro, Raul Castro e Che Guevara alardearam a população cubana que possuíam o ideal de promover grandes mudanças sociais, por meio do assistencialismo, da alfabetização e do acesso universal ao ensino, da nacionalização de empresas estrangeiras e dos bancos estrangeiros. Tais intenções, tão somente foram observadas na primeira fase da referida Revolução, com um propósito muito claro: obter ampla validação popular.


Com o passar do tempo, Cuba se transformou numa espécie de último gulag latino-americano, porém, com as mais trágicas nuances o arremedo a simulacro de pós-moderno explica por si só.

O que os sedizentes humanitários e arautos da Revolução Cubana implantaram, verdade seja dita, foi uma ditadura sanguinária. Fidel Castro permaneceu no poder por 49 anos e a Revolução do General expôs ao mundo suas contradições, a despeito de seus seguidores criarem um universo mental paralelo, ultrapassando o psicótico, para viver em um mundo além de inexistente, totalmente autofágico.




Ora veja, de todo impossível um ditador se estabelecer no poder, por meio de um golpe de Estado, retirar um presidente democraticamente eleito do poder (mesmo tendo este instituído um governo antidemocrático) e se mostrar ao mundo como país que tenha apreço pela democracia, pelo pueblo, pela igualdade, pelas instituições livres, pela libertad, como se fosse um oásis ou uma Meca de mudanças positivas, na medida em que os correligionários do General, ao ascenderem ao poder, não o fizeram por meio do voto universal e isonômico, e sim por meio da força e com a posse de armas.


Batalla de Santa Clara: evocación 60 años después › Cuba › Granma - Órgano  oficial del PCC


Aliás, imperioso referir que tais arautos criaram uma riqueza familiar exponencial, impossível de ser conquistada pelas vias legais e morais, por qualquer cidadão cubano comum. Enquanto quase a totalidade da população cubana amarga (ainda) uma condição social e econômica paupérrima e extremamente miserável, os pseudos-revolucionários desfrutaram (e suas famílias ainda desfrutam) de mansões, a exemplo da casa de “veraneio” de Fidel Castro, a qual possui mais de 300 metros e se situa em Cayo Piedra, ilha situada a 15 Km da Baía dos Porcos, no mar caribenho do sul de Cuba. E a liberdade que a pseudo-revolução queria?


Cuba: 60 anos de revolução comunista, atraso, miséria e taxa de pobreza de  90% – Portal S1


Ora essa... libertad... risos... esta foi completamente extirpada do viver habitual dos cubanos, uma vez que o governo do General além de ter controlado por décadas, por meio de cadernetas (as chamadas libretas) o que e quanto se come, também controlou o que e quanto se tem para vestir. Com isso, evidentemente, de todo impossível, ao menos em Cuba, se acreditar no funcionamento de instituições livres, as quais revelavam-se completamente aparelhadas, como se fossem simulacros ou arremedos de guardas pretorianas, todas, prontas para “bem servir” seus Generais, quem seja, os irmãos Fidel e Raul, os quais impuseram o chamado castrismo e um aparelhamento estatal imensurável.

O castrismo (regime ditatorial imposto pelos irmãos Fidel & Raul) enxergou no Estado a forma de sedimentar e manter os privilégios para todos afetos e circunscritos ao círculo de poder. Para estes, mais Estado e cada vez mais Estado, capitalizando benesses em primeiríssima pessoa, ao passo que para o pueblo... ah... para o pueblo... para este a socialização do imenso custo estatal, a disseminação da miséria, da fome, da estagnação, por supuesto, contanto que se mantenha o Estado cada vez mais inoperante, paquidérmico, custoso e controlador.


A fuga do paraíso cubano – O Insurgente


Cuba nunca foi, nem de longe, a Meca ou um Oásis de uma sociedade exemplar, livre, igualitária e democrática. Se o fosse, as gerações de atletas cubanos, teriam orgulho de ostentar a bandeira vermelha, azul e branca, com uma estrela solitária. Todavia, a realidade demonstra exatamente o oposto, pois com o passar dos anos, não foi raro o número de atletas cubanos que buscaram exatamente em competições internacionais, a oportunidade para se despedir para sempre de uma Cuba que só existiu em sonhos. Mais, anualmente, é incontável e surreal o número de balsas clandestinas, lotadas de cubanos, que tentam de forma ensandecida, deixar a ilha para nunca mais voltar. Infelizmente, o número de balsas guarda estreita proporção com o número de mortos que não conseguem concluir a travessia, para ingressar no continente americano.




O castrismo revelou ao mundo o pior de todos os exemplos, qual seja, a forma de sedizentes iguais ludibriar seus compatriotas, declarando que a igualdade será promovida de norte a sul, uma vez que aqueles que estiveram e lutaram lado a lado pela Revolução Cubana sabem as necessidades do povo. Não... longe disso. Quando os líderes da referida Revolução chegaram ao poder, por ele pegaram gosto e muito apreço, esquecendo-se do que os alçou a própria condição, mas nunca esquecendo que para se manter onde se está, é necessário repetir que se dizia combater e o que se tinha por destoante e por reprovável. E assim, exatamente assim, os líderes da referida Revolução utilizaram o povo cubano como massa de manobra, dirigindo-se aos pobres e miseráveis, com o único fim de lhes alcançar migalhas, ludibriando-os com sentimentos patrióticos e nacionalistas, para que o ideal da Revolução nunca se perdesse.

Quanto maior a ignorância, quanto maior pobreza, quanto maior a vulnerabilidade social e econômica, evidentemente, também é maior a dependência do Estado e, em especial, de quem o (des)governa. Fato esse que independe do que se queira instituir.


fidel castro executions - Caption | Meme Generator


Só a ignorância, a falta de esclarecimento, a tacanhice, o atavismo ou o mau-caratismo explicam o apreço por regimes de esquerda, genocidas e totalitários, que usurparam do poder, e encontraram na miséria, na vulnerabilidade social e na vulnerabilidade econômica de se próprio povo, o tônus que os seus tentáculos da tirania precisava para se alastrar e se manter no poder, a exemplo do que foi o castrismo.

Recentemente, a realidade incontestável demonstra claramente que o povo cubano despertou, saiu as ruas e decidiu derrubar o último gulag latino-americano que tanto defendeu a existência por aproximadamente cinco décadas.

O que se viu nas ruas de Cuba nos mais diversos meios de comunicação foi uma população literalmente exausta de sentir os jugos ideológicos que suas próprias referências lhes impuseram. Jugos esses que sem sombra de dúvidas deixaram cicatrizes tão profundas, como as dos períodos de escravidão no mundo todo, haja vista que embora não se tenha relatos da instituição do tronco e do açoite em Cuba, bem se sabe, que opositores do castrismo eram torturados, mortos e costumavam desaparecer.


How Washington Helped Fidel Castro Rise to Power


Não existe uma forma de escravidão que se possa considerar “menos pior”. Todas são reprováveis. Tanto a escravidão instituída pelo preconceito racial e pelo racismo, colocando escravos no tronco e no açoite pela cor da pele e pela etnia que têm, quanto a escravidão com aparência de regime democrático que se desvela pela utilização da pobreza, da miséria, da falta de oportunidades, da desigualdade, da fome, da vulnerabilidade social e da vulnerabilidade econômica e, em especial, pela usurpação do poder, como vetores para se manter o poder que se tem, ambas são abjetas.

Sim, felizmente, o governo ditatorial cubano ruiu, para bem do povo cubano, através de massivas manifestações que tomaram as ruas de Cuba.



Resta saber, não mais o que o povo cubano quer, e sim, como a mudança que tanto se deseja haverá de ocorrer. Que a lição dos 49 anos de castrismo tenha servido de exemplo para que nenhum cubano, novamente, se deixe enganar pela nefasta ideologia da foice e do martelo, nem tampouco para criar um universo mental paralelo, ultrapassando o psicótico, para viver em um mundo além de inexistente, totalmente autofágico. Que o povo cubano tenha decidido, verdadeiramente, fazer de Cuba o último gulag latino-americano.


         Pedro Lagomarcino


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