POLICIOFOBIA II:

A guerra à polícia continua.

Por SILVIO MUNHOZ 29/07/2021 - 14:57 hs

“A violência contra a polícia é mais um dos fatos relativizados por progressistas, intelectuais e militantes engajados na defesa dos ‘direitos humanos’. A mesma violência que mata os delinquentes, também vitima centenas de policiais todos os anos, mas só os primeiros são abraçados pela causa humanitária. O gráfico anterior mostra que o mapa da violência tem crescido em progressão geométrica também em relação à polícia. Quanto a esta, ao dar sua vida para nos proteger, é cinicamente intitulado de fascista por estes mesmo defensores dos direitos humanos” Bernardo Guimarães Ribeiro.[1]

            Hoje vamos enfocar o dito pelo anuário de segurança pública de 2021 sobre a violência contra o policial. Como já sabemos[2], o anuário é realizado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública o qual possui ligações históricas[3] com a open society, fundação do magnata George Soros, que prega, dentre outras coisas, liberação de drogas e desencarceramento em massa. A polícia, à evidência, é o inimigo natural de tais pautas (baseadas em números reais, dados das Secretárias de Segurança Públicas estaduais) e as avaliações feitas costumam ser distorcidas por conta desse viés contrário às forças policiais.

            No começo do estudo sobre a vitimização do policial são apontados os dados dos policiais mortos em confronto (tabela 07 na fl. 49), examinando-os fica perceptível o aumento de 12,8% no ano de 2020 comparado com 2019. Nessa conta estão somente os falecidos, no entanto, para uma análise completa, acerca dos efeitos da criminalidade, necessário seria a análise do número de baixas (mortos + feridos) para, então, aferir corretamente a estimava do impacto do crime nas forças policiais.

            Os dados recolhidos por mais de 20 anos pelo Cel. Cajueiro[4] demonstram, p.ex., que as baixas (sem considerar as decorrentes de problemas psiquiátricos) atingem 1/5 da Polícia Militar do Rio de Janeiro, maior que a de muitos forças militares em atividades durante guerras declaradas.

Lamentável a omissão, porém, vamos aos dados colacionados. Constatado um aumento significativo, 12,8%, da vitimização de policiais em situação de confronto, qual seria a atitude de um estudo sério e sem viés persecutório à polícia? Sem sombra de dúvida discutir a causa do crescimento desse número de mortes. Vejam, 2020 foi o ano em que o Brasil foi atacado por todos os lados – ex-imprensa, intelectuais, artistas, pseudocientistas etc. – com a mais temível arma de engenharia social existente, o MEDO, este ataque levou ao “fique em casa”, sob pena de sofrer de severas punições, as quais variavam conforme a sanha punitiva do tiranete local.    

Percebem a pergunta que não quer calar e devia ser enfrentada pelo estudo? Como no ano do “fique em casa” e, sabidamente em virtude do medo invisível ou da punição a grande maioria obedeceu, aumentou o número de policiais mortos em confronto?

Violência urbana cresceu 22% em 10 anos | FATOS EM FOCO

O estudo respondeu o questionamento fundamental? Não, tergiversou, mostrou que no ano morreram mais policiais em virtude do ChinaVírus e de suicídio.

Quanto ao primeiro aspecto, disseram o óbvio, pois não foi só com o policial, mas com a população em geral. Isso é como dizer no ano de 2020 morreram mais pessoas no Brasil do ChinaVírus que de morte violenta. Segundo os dados do próprio anuário no ano em questão foram vítimas de morte violenta 50.033 pessoas e a imprensa[5] aponta o registro de mais de 200mil mortes decorrentes do vírus no ano de 2020 (não vamos questionar, por não ser o objetivo, serem ou não todas causadas pela covid19), ou seja, não seria diferente com os policiais.

 No tocante ao tópico das mortes por suicídio, a abordagem é de uma insensibilidade incomensurável, pois olvidam de dizer que são oriundas, a grande maioria, de problemas psicológicos e psiquiátricos adquiridos em decorrência, exatamente, do diuturno enfrentamento desumano de uma guerra assimétrica. Ganham mal, sem equipamentos de última geração, seja de ataque ou proteção - enfrentam inimigos melhores equipados e que não respeitam a lei e nada tem a perder - para proteger à sociedade que juraram defender. Efetivamente, muitos não aguentam e sucumbem à prática do ato desesperado de ceifar a própria vítima. Deviam era lamentar tais mortes e não usá-las como forma de rodeio para não explicar o que necessitava ser explicado.

SUICIDAS | Farol Notícias | O jornal digital de Itaporanga, Itaí e região

Mudam o rumo da prosa, novamente, ao fazerem distinção apontando que morrem mais policiais fora do serviço que em serviço e a culpa disso seria: a realização de serviços extras de segurança nos horários de folga; a saúde mental dos policiais impactada, p.ex., pelo estresse, poucas horas de sono etc.; possuir a arma como instrumento de trabalho; e o hábito profissional de reagir.

Mais um ponto que deixa claro o viés antipolícia e a insensibilidade do trabalho. Será  que fazem ‘bico’ fora do horário por querer ou por necessidade, em face dos parcos salários que recebem para nos dar segurança. A possibilidade de impacto na saúde mental é sempre viável na profissão, mas leva muito mais ao suicídio – como analisado antes – do que ao confronto fora do serviço. O porquê de andar armado não é por desejo ou por gostar, mas por necessidade de defesa pessoal, pois correm perigo de vida pelo simples fato de serem policiais. Reagir ao risco não é, como sutilmente sugerido, um ethos (hábito), mas obrigação, pois quem assume a função é Policial 24 horas por dia e, ao contrário do civil que pode reagir ou não ante a prática de um crime, o policial tem o dever de agir mesmo fora do serviço.

Viram, fizeram rodeios, usaram de subterfúgios, tergiversaram e viraram as costas para a pergunta que não quer calar? Qual o porquê de no ano do “fica em casa” aumentar em 12,8% a morte de policiais no Brasil. Um dos motivos, nem de longe cogitado no estudo em análise, é, com certeza, a política de execução bandidólatra vigente no Brasil que soltou, durante a pandemia, por puro viés ideológico – sob a desculpa de ‘falso humanitarismo’ – milhares de bandidos perigosos, condenados e presos[6].

Livro: Guerra à Polícia - Reflexões Sobre a Adpf 635 - Adriano  Alves-marreiros | Estante Virtual

Para encerrar convido, meus estimados leitores, a erguermos uma prece aos céus em homenagem a esses verdadeiros “anjos da guarda” que deram a vida para proteger a sociedade brasileira.

“O fenômeno das baixas, soma de mortos e feridos, é muito maior, se avaliados por anos, somando ainda os que estão de folga mas morrem e são feridos devido á sua condição de policial militar, podendo ser identificados por um criminosos que prenderam e voltou às ruas, ou pelo cabelo curto e barba feita que devem usar, carteira que tem de portar, e pelo instinto de reconhecimento mútuo entre policial e criminoso, entre o bem e o mal” Fábio da Rocha Bastos Cajueiro.[7]

Que Deus tenha piedade de nós!..

PS: Analisarei o tópico da violência policial do trabalho apresentado pelo FBSP na próxima crônica.


 Silvio Miranda Munhoz,

cronista da Tribuna Diária, presidente do MP pró-sociedade e membro do MCI (Movimento contra a impunidade). As ideias contidas no artigo revelam, única e exclusivamente, o pensamento do autor.

 

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[1] Nadando contra a corrente. Ed. Armada: 2018, pág. 128.

[2] https://www.tribunadiaria.com.br/ler-coluna/1035/policiofobia.html

[3] FBSP: abreviatura para Fórum Brasileiro de Segurança Pública, que será utilizado a partir de agora.

[4] Cel. Cajueiro no livro Guerra à Polícia: reflexões sobre a ADPF 635. Ed. E.D.A.: 2021, pág. 198.

[5] https://www.em.com.br/app/noticia/nacional/2021/01/15/interna_nacional,1229558/na-esteira-da-covid-19-brasil-bate-recorde-de-mortes-em-2020.shtml

[6] https://www.tribunadiaria.com.br/ler-coluna/751/por-vezes-e-triste-ter-razao.html

[7] Idem, nota 4, fl. 195.