E O BODE AINDA ESTÁ NA SALA

por que tanto medo da impressão do voto da urna eletrônica?

Por Cesar D. Mariano 30/07/2021 - 20:51 hs

Um sistema elaborado nos anos 90 e somente adotado pelo Brasil, Bangladesh e Butão, que são os países que empregam as urnas eletrônicas sem a impressão do voto.

Todos os demais países, ou empregam as urnas eletrônicas com a impressão do voto, ou não as adotam.

O motivo é muito simples. A urna eletrônica usada isoladamente não é confiável. Melhor explicando, o homem não é confiável, vez que o computador faz apenas o que o programador manda. Havendo manipulação da programação (código fonte) ou mesmo a invasão remota do sistema (hackeamento), a urna ou a totalização dos votos podem ser manipuladas para alterar o resultado da votação.

Nada disso pode ser apurado sem o acesso ao código fonte (programação), o que não é disponibilizado a nenhum técnico externo ao sistema. Só pouquíssimas pessoas podem ter acesso ao código fonte, que não é aberto a uma auditoria.

Pouco importa, assim, que são feitos testes aleatórios. O sistema pode ser alterado para mudar o resultado do pleito eleitoral durante o período da votação, quando não há nenhum teste de segurança, e retornar ao normal depois, como se nada houvesse ocorrido.

O PSDB encomendou uma análise técnica e o resultado a que chegaram é que as urnas não podem ser auditadas, não se podendo chegar à conclusão de que houve, ou não, fraudes.

Com efeito, dizer que não se provou nenhuma fraude é mero sofisma. Não se provou fraude porque não é possível prová-la sem o acesso ao código fonte (programa), já que protegido por senha de conhecimento restrito a poucos técnicos. Teríamos de confiar cegamente em pessoas, seres humanos, que podem ser corrompidos, ameaçados ou manipulados, o que ocorre constantemente em nosso país.

O Brasil sempre andando na contramão da história.

Ou será que o motivo é outro?

Entendam de uma vez por todas: não há como provar a fraude eleitoral sem o acesso ao sistema, que é protegido por senha. Sem a análise da programação (software) não se faz auditagem de nenhum sistema informatizado. Os programas que fazem funcionar as urnas eletrônicas e a totalização dos votos (código fonte) não são disponibilizados a nenhum técnico externo aos quadros do TSE, o que impede provar eventual manipulação da votação.    

E volto a afirmar. Voto impresso não significa o retorno ao sistema anterior, isto é, voto manual e em papel. Longe disso. O voto continua eletrônico, mas será possível fazer auditoria no caso de suspeita de fraude na urna eletrônica ou por amostragem. Será acoplada uma impressora na urna eletrônica, que imprime o voto. O eleitor confere, sem ter contato com o voto, que fica em local inviolável. Em seguida, conferido o voto, ele é inserido automaticamente em uma urna lacrada. É só mais uma forma de atestar a lisura da eleição. Não há violação ao sigilo do voto e nenhum contato físico do eleitor com o voto impresso. E tampouco maior possibilidade de se coagir o eleitor a votar em um ou outro candidato, visto que não ficará com o voto impresso, que será depositado na urna indevassável.

Não é razoável pairar no ar a desconfiança sobre o sistema informatizado de votação, que em nada contribui para a democracia.

Com efeito, a Justiça Eleitoral teria mais uma ferramenta para prevenir a ocorrência e apurar a existência de fraude no processo eleitoral.

Muito melhor que se crie esse mecanismo de segurança, que é só mais um, do que corrermos o risco, que é quase certo, de termos sérios problemas quando da proclamação dos resultados, em razão de estarem os ânimos acirrados e haver extremistas de ambos os lados, que pode implicar confrontos físicos com resultados imprevisíveis.                       

(Em artigo publicado no Estadão em 13.07.2021, sob o título “O voto impresso é mais um mecanismo para assegurar a lisura do processo eleitoral”, explico em detalhes o assunto).

  CESAR D. MARIANO PARA O TRIBUNA DIÁRIA  


 

Se você gosta do nosso trabalho, por favor, contribua conosco, fazendo um Pix no valor que desejar, pelo QR CODE acima, ou identificando  nosso e-mail : contatotribunadiaria@gmail.com

Ou por nossa plataforma:

https://apoia.se/tribunadi