CUIDADO

1984 é logo ali.

Por Cesar D. Mariano 06/08/2021 - 21:48 hs

Chegamos a um ponto em que, por ignorância, fanatismo, imbecilidade e outros adjetivos muito mais fortes, mas fruto de uma ideologia que tanto mal fez e ainda faz ao mundo, abertamente defendida por inúmeras pessoas, notadamente conhecidos políticos, artistas, jornalistas, dentre outras figuras notórias, queimam-se estátuas e vandalizam-se bens, muitos deles de valor histórico.

 

O que os ignorantes não entendem é que essas estátuas contam nossa história e nada mais. Ninguém está a dizer que agiram de forma correta os bandeirantes, ao escravizarem e perseguirem índios e negros, pelo contrário, mas nossa história é essa e deve ser lembrada, até para que não ocorram os mesmos fatos no futuro.

 

Danificar bem público ou, ainda, especialmente protegido por seu valor histórico, é crime, do mesmo modo que causar incêndio, que coloque em risco a vida, integridade corporal ou patrimônio de um número indeterminado de pessoas.

 

Daqui a pouco serão queimados museus, obras de arte e livros, que contam nossa história.

 

Lembro que incitar publicamente a prática desses delitos ou mesmo fazer apologia de fato criminoso ou de seu autor, também são condutas punidas pela legislação penal.

 

George Orwell pareceu prever o futuro no seu livro 1984, publicado em 1949. Um mundo dominado por um partido, que para conseguir seu objetivo, a total dominação da população, inclusive de seu espírito, fez o que todo déspota sabe: reescreveu sua história do modo que melhor lhe conviesse.

 

Em duas passagens muito interessantes do livro, que resumem o modo de atuação de um regime totalitário:

 

"Winston indagou vagamente de si mesmo a que século pertenceria a igreja. Era sempre difícil determinar a idade de um prédio londrino. Tudo quanto fosse grande e imponente, e de aparência relativamente nova, era automaticamente declarado post-revolucionário, ao passo que tudo mais, evidentemente antigo, era atribuído a um período obscuro denominado Idade Média. Afirmava-se que séculos e séculos de capitalismo não haviam produzido nada de valor. Da arquitetura não se podia aprender mais história do que dos livros. Ruas, pedras comemorativas, estátuas, nomes de ruas - tudo quanto pudesse lançar luz sobre o passado fora sistematicamente alterado"

 

“- Foi um caso excepcional. Não foi apenas um assassínio. Percebes que o passado, a partir de ontem, foi abolido? Se sobrevive nalguma parte, é em alguns objetos sólidos, sem palavras ligadas a ele, como naquele pedaço de vidro. Já não sabemos quase nada sobre a Revolução e os anos anteriores à Revolução. Todos os registros foram destruídos ou falsificados, todo livro reescrito, todo quadro repintado, toda estátua, rua e edifício rebatizado, toda data alterada. E o processo continua, dia a dia, minuto a minuto. A história parou. Nada existe, exceto um presente sem-fim no qual o Partido tem sempre razão. Eu sei, naturalmente, que o passado é falsificado, mas jamais me seria possível prová-lo, mesmo sendo eu o autor da falsificação. Depois de feito o serviço, não sobram provas. A única prova está dentro da minha cabeça, e não sei com certeza se outros seres humanos partilham minhas recordações. Apenas naquele caso, em minha vida toda, possuí prova real, concreta, depois do acontecimento... anos depois. (1984 - George Orwell).

 

Toda nação é formada por sua história, costumes, feitos, bons e ruins.

 

Quer acabar com uma nação, apague e reescreva sua história. Dê a ela outro significado, outro rumo, novos heróis e vilões, demonize fatos, pessoas e objetos. Venere uma pessoa, um ídolo, herói, mesmo que artificial, criado pelos motivos mais obscuros.

 

A verdade está lá, mas os cegos de espírito, fanáticos, ou mal-intencionados, preferem não a ver em uma cegueira deliberada pelos mais variados motivos, todos ruins para a maioria da população e excelente para os poderosos artificialmente criados por muita propaganda.

 

A nação é sua história e os fatos devem ser analisados sob o contexto da época em que ocorreram, com a visão de que os vivenciou. Os costumes e visão do mundo mudam. O que era comum e aceito pela sociedade de determinada época pode não ser visto como correto com a evolução do mundo. E a recíproca é verdadeira.

 

Destruir a história da nação e reescrevê-la é o primeiro passo para a dominação do seu povo, que sem memória perde seus ideais e a noção do certo e do errado por ausência de paradigma.

 

Pode parecer um ato aleatório para os desavisados e desatentos, mas tenham certeza de que esse atentado contra nossa história foi muito bem planejado e executado dentro de um contexto muito maior, que deve ser cortado e debelado no seu início a fim de que a erva daninha não cresça.


 


E, basta uma mera pesquisa nas redes sociais, que veremos quem são essas pessoas que se vangloriam ou aplaudem esse absurdo que fizeram com uma estátua, que retrata a história de São Paulo e do Brasil, como se com isso fossem apagá-la.

 

Essa é a ideologia que se pretende impor à nossa nação.

 

Abram os olhos porque o futuro pode ser esse ou muito pior.

    CESAR D. MARIANO 


 

Se você gosta do nosso trabalho, por favor, contribua conosco, fazendo um Pix no valor que desejar, pelo QR CODE acima, ou identificando  nosso e-mail : contatotribunadiaria@gmail.com

Ou por nossa plataforma:

https://apoia.se/tribunadia