OS PRINCIPES DE SANGUE.

Barão de Guararema

Por Evandro Monteiro de Barros Jr. 08/08/2021 - 16:01 hs

A palavra “Príncipe” significa primeiro cidadão. Um Príncipe tem o dever ético de se sacrificar pela coletividade e, sobretudo, de ser uma reserva moral. O primeiro significado de Príncipe no Dicionário é: “Filho ou membro de família reinante” [1].

Ocorre que o conceito de Príncipe deve ser compreendido de maneira muito mais ampla, uma vez que há diversas categorias nas quais um Príncipe pode se encaixar.

Esse contexto hierárquico é apresentado de forma muito clara nos ensinamentos de Antonio Luiz M. C. Costa:

 

“Na Idade Moderna, vários reis da Europa que ainda não o tinham feito passaram a intitular seus herdeiros de príncipes e em alguns, o título de príncipe passou a ser concedido também a outros membros da família real. Além disso, o título também continuou a ser usado pelos soberanos de pequenos Estados e concedido honorariamente. Conforme o país e o contexto, pôde significar um título altíssimo – o herdeiro de um grande reino ou império – ou um título medíocre para nobres de menor importância ou parentes distantes do soberano”. 

 

 

A língua alemã que, para muitos parece difícil, é capaz de explicar as coisas melhor do que muitos outros idiomas, tendo a partir do século XVIII passado a distinguir os significados da palavra Príncipe, como demonstra o referido autor:

 

 

“O soberano de um principado independente ou quase independente continuou a ser chamado Fürst (feminino Fürstin) enquanto o filho de um soberano (inclusive um ‘Fürst’) passou a ser chamado de Prinz (feminino Prinzessin) e o herdeiro, de Erbprinz (‘príncipe herdeiro’), de modo a distinguir entre o portador efetivo do título e seus descendentes. Além disso, em alemão, os parentes e descendentes mais distantes que em alguns países são chamados de ‘príncipes de sangue’ são Prinzen von Geblüt”.

 

Para finalizar essa breve exposição, saliento que existem centenas de príncipes de sangue no Brasil, principalmente de dinastias estrangeiras, desconhecidos em sua maioria. A título de exemplo cito os descendentes da Casa Drummond, família que segundo consta no Revue Historique de la Noblesse possui “a mais límpida, alta e pura linhagem; iniciada por um príncipe de sangue real”, descendente dos Reis da Hungria, da raça de Atila (O Huno). Essa ilustre ascendência foi o “tronco de inúmeras casas reinantes da Europa”[2].

Na Família Imperial brasileira há também dezenas de príncipes que o povo brasileiro precisa conhecer melhor para que possa ter proximidade e acompanhar seus projetos, suas atuações na sociedade e também suas pretensões face à urgente necessidade de restauração da monarquia constitucional parlamentarista. Em suma: tanto os Orleans e Bragança precisam conhecer de perto seu povo, como seu povo precisa conhecê-los.

 

Em tempo: Colaciono abaixo informações de interesse público pinçadas da obra de Antonio Luiz M. C. Costa:

Príncipes de sangue (Prinzen von Geblüt)

Na Península Ibérica, os demais filhos dos reis e do príncipe continuaram a ser infantes e infantas, assim como na França eram enfants (fils ou filles) de France os de “pequeno infante” (petit-enfant) para os filhos e filhas de infantes que não o delfim.

Mas no século XVI, todos os descendentes de reis franceses por linha masculina (e que, portanto, podiam teoricamente se tornar herdeiros ou ancestrais de herdeiros) que não fossem filhos do Rei ou do Delfim foram equiparados aos pares do reino e chamados “príncipes de sangue” (princes du sang), embora geralmente também fossem duques ou tivessem outros títulos. Os filhos bastardos do rei que fossem reconhecidos eram “príncipes legitimados”. Nesse contexto, o título de “príncipe” é inferior ao de “infante” e “pequeno infante” (ao contrário do que se dava em Portugal), mas superior aos demais nobres titulados.

Casa de Bourbon – Wikipédia, a enciclopédia livre

Havia dois títulos específicos e hereditários entre eles: o Príncipe de Condé, chefe do ramo da casa Bourbon descendente dos condes e duques de Vendôme, e o Príncipe de Conti, usado pelo chefe de um ramo cadete (mais jovem) dos Bourbon-Condé. Luís de Bourbon (1530-1569), primeiro Príncipe de Condé, era tio por via paterna do rei Henrique IV de França. O filho mais velho do Príncipe de Condé usava o título de Duque de Enghien. Até 1709, o Príncipe de Condé era também Premier Prince du Sang Royal (primeiro príncipe de sangue real), título que nessa data passou a outro ramo dos Bourbon, o do duque de Orléans.


 O DIREITO NOBILIÁRQUICO E DINÁSTICO   Evandro Monteiro de Barros Jr. 

REFERÊNCIAS:

IKEDA, Daisaku. Brasil Seikyo, ed. 1.595, 17 mar.  P. A3. 2001.

COSTA, Antonio Luiz M. C. Títulos de Nobreza e Hierarquias: um guia sobre as graduações sociais na história. P. 70/73. São Paulo: Draco. 2014.

 

 

 



[1][1] "príncipe", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [online], 2008-2021, https://dicionario.priberam.org/pr%C3%ADncipe [consultado em 13-07-2021].

 

[2] Conforme o Etrennes a la Noblesse. Vol. IV. P.114.