O QUE É CRIME III?

Compreendido o que o crime efetivamente precisa para se concretizar, a adoção de estratégias e planos para o seu combate torna-se simplificado.

Por FABIO COSTA PEREIRA 10/08/2021 - 17:29 hs


Imagine uma reação química qualquer. A sua ocorrência pressupõe a verificação de predeterminadas circunstâncias. Dessa forma, para que ela se passe no mundo dos fatos, faz-se necessário que diversos elementos, em mesmas circunstâncias de tempo e espaço, estejam presentes. 


Assim, por exemplo, o início de um incêndio qualquer depende, como condicionante, a presença de oxigênio, de um elemento comburente e de um ignitor. Sem que um destes elementos ali esteja, não há como o fogo iniciar.


O crime, como intuíram os criminologistas norte-americanos Felson e Cohen no final dos anos 70, guarda aquelas mesmas características, precisando da presença de três elementos que irão compor o que iremos chamar de Triângulo do Crime onde, em cada um de seus vértices, há um destes elementos a lhe dar sustentação. 


Através da Routine Activities Theory ou, em livre tradução, a Teoria das Atividades Rotineiras, explicaram os autores que o crime é o resultado da conjunção de três elementos básicos: um agente motivado, um alvo (objeto/vítima) de interesse e de uma oportunidade.


Na Nova York do prefeito Rudolf Giuliane (1994-2001), a compreensão do crime sob o enfoque destas condicionantes, foi um dos ingredientes de sucesso utilizado em sua receita para reduzir os altos índices de criminalidade que aquela cidade, até então, experimentava.


Ao se retirar, do Triângulo do Crime, um de seus vértices, mesmo com a presença dos demais, este não há como ocorrer.


Mais além das teorias rebuscadas, que demandam muito e entregam pouco, o emprego da Routine Activities Theory torna o combate ao crime em simples tarefa, o que não equivale a dizer que ela é fácil.


Compreendido o que o crime efetivamente precisa para se concretizar, a adoção de estratégias e planos para o seu combate torna-se simplificado.


No entanto, tal simplicidade não se traduz em facilidade na consecução, com sucesso, das metas, planejamentos e objetivos estabelecidos.


O certo é que, enquanto o fenômeno crime for tratado como algo abstrato, ideológico e ideologizado, na esteira do que tratamos nos dois últimos artigos, a possibilidade de sucesso em seu enfrentamento é muito pequena.


Fazer o óbvio, que se traduz em simplicidade, infelizmente, não é tão óbvio assim.

E que Deus tenha piedade de nós!