ADEUS MELIANTE

Eu sempre olhava onde ele estava e se estava bem, obrigado por aquela amizade toda

Por ADRIANO MARREIROS 27/08/2021 - 18:35 hs

Tudo que morre fica vivo na lembrança

Como é difícil viver carregando um cemitério na cabeça.

                                             Biquini Cavadão

Um pouco antes ele estava ali, lindo, comendo, ativo.  Recebi a última foto dele comendo perto do final da tarde.

Meliante era um raio de alegria. Alguém que me alegrava quando eu trabalhava no computador.  Que assistia minhas audiências virtuais, me olhando do alto. Alguém que deitava ao meu lado na cama toda noite.  Tanto que acordei de um sonho ruim com ele e tive o alívio de vê-lo ao meu lado: foi semana passada...

Alguém que não podia me ouvir subindo a escada que pulava no baú para receber muitos minutos de carinho: ele não se contentava com pouco.  E vez por outra sobrava porrada para algum se chegasse perto.  Aquele momento era só dele.  E espreguiçava no colo...

Claro que, ao limparmos a areia, ainda no meio da “operação”, ele tinha que usá-la com a gente ali.  Ele tinha cálculo na bexiga e só.  Às vezes doía e era difícil fazer xixi.  Às vezes.  Ainda não tinha levado pra operar com medo de ele morrer na cirurgia.  Ele estava tão bem.  Hoje não tinha um remédio dele e fui comprar, mesmo em cima da hora.  Eu ia viajar.  Deixei em casa e saí.  E estava tranquilo, nossa amiga Fernanda ia ficar com eles.

Tinha medo de ele morrer na cirurgia.  Tinha medo de ele escapar de casa  e morrer ou se perder na rua.  Estando em casa, eu sempre olhava onde ele estava e se estava bem.. A casa era toda com telas de segurança.  Toda.  

Em poucas horas que esteve sozinho, ele se prendeu em uma delas  e morreu. Deve ter lutado até a morte pra se soltar.  Deve ter esperado se livrar daquilo que devia protegê-lo mas o matou.   Esperou em vão e sua vida se foi.  Não espero mais em vão, a Esperança morreu com ele.

Adeus, Meliante, obrigado por aquela amizade toda.  Hoje nem me morder de brincadeira você quis, ficou só no carinho puro, falei contigo antes de sair.  Não haverá mais pulos ágeis e abruptos nos brinquedos de gato: Você era o ágil da casa...

Despeço-me por aqui. Adeus Esperança, adeus leitores.  Esta é minha última crônica.  O cronista morreu com meu gato preto que sempre me deu sorte e alegria.

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O PROFETA Adriano Alves-Marreiros

Cristão, Devoto de São Jorge, ex-Cronista, Pessimista, Mestre em Direito, membro do MCI e MP Pró-Sociedade e autor da obra Hierarquia e Disciplina são Garantias Constitucionais, da Editora E.D.A. e organizador do Livro Guerra à Polícia.