OS PRÍNCIPES TERRITORIAIS E TITULARES

Barão de Monteiro de Barros

Por Evandro Monteiro de Barros Jr. 29/08/2021 - 14:23 hs

Em meu texto anterior dissertei sobre os príncipes de sangue e aproveitei para mencionar os descendentes do Clã Drummond[1] e chamar atenção sobre a necessidade de conhecermos melhor os membros da Família Imperial Brasileira.

Antes de adentrar a esfera dos príncipes territoriais e titulares, aproveito o gancho para citar Cardoso de Miranda: 

 

Se o brasileiro se apaixonasse pela sua Terra e pela sua Gente, pela comuna cuja gleba seus avós lavoraram, essa paixão longe de desenvolver qualquer regionalismo, lhe daria uma alta e humana compreensão da Vida, da verdade da História e do sentido cristão da Pátria – pátria admirável e bela, que é a mesma paisagem conhecida e amiga que nos habituamos a contemplar da janela da casa paterna e que nossos mortos levaram na retina para o seio da terra abençoada, pátria que é ossuário de nossos heróis e relicário de nossos santos, prolongamento glorioso da célula municipal que nossos avós criaram e que nós ajudamos a fazer grande, pátria que, em séculos de lutas e de bravura, os que vieram antes de nós construíram, pátria bendita, pátria santa, que temos que legar engrandecida aos que vierem depois de nós.

 

Pois bem, após essa necessária digressão apresentarei outros graus principescos importantes para a formação do conhecimento histórico e também para a compreensão de hierarquias dinásticas e nobiliárquicas, conteúdo fundamental para a formação humanística que as universidades sonegam. 

BRASÃO DA DINASTIA HABSBURG SACRO IMPÉRIO ROMANO-GERMÂNICO | HISTÓRIA DA  FAMÍLIA SPINOLA

Durante o Sacro Império Romano Germânico o número de guerras aumentou muito e a quantidade de príncipes seculares também cresceu. Noutro giro o número de príncipes eclesiásticos foi reduzido por conta de guerras religiosas, uma vez que terras pertencentes à Igreja passaram a ser secularizadas em territórios que se tornaram protestantes. Além disso, inúmeros bispados e arcebispados acabaram sendo perdidos para países vizinhos. 



Guerras Religiosas na França | HISTORY


Nesse contexto surgiram as figuras dos príncipes honorários, e os que eram donos de territórios soberanos eram diferenciados como Landesfürst (“príncipe territorial”).

Os Príncipes do Império (Landesfürsten) eram categorizados segundo Antonio Luiz M. C. Costa da seguinte forma:

 

Kurfürst – “príncipe eleitor”, que continuaram a usar o título mesmo depois que a coroa imperial se tornou, na prática, hereditária.

Reichsfürst – “príncipe do império”, cada um dos príncipes quase soberanos com voto na Dieta Imperial ou Reichstag. Muitos eram condes, marqueses ou duques e estes últimos sempre continuaram a preferir ser chamados pelo título tradicional, mais prestigioso que o de “príncipe”, dos quais havia 61 seculares no final do século XVIII.

Os conhecidos apenas como “Fürst” eram só aqueles cujos títulos originais eram menos prestigiosos, os Burggraf (burgraves) e os Freiherr (feminino Freifrau), barões livres.

Kirchenfürst – “príncipe da Igreja”, reduzidos a 33 no final do século XVIII, incluindo os arcebispos de Salzburgo e Besançon e 22 bispos.

 

Nesse contexto, não poderia me olvidar de mencionar Os Príncipes titulares ou honorários, que no bom alemão são chamados de (Titular Fürsten). 

Assim explica o referido autor:

 

Além dos príncipes territoriais, o Sacro Império conferiu honorariamente o título de Fürst aos chefes de outras famílias importantes, mas não detentoras de territórios diretamente vassalos do Imperador. Incluíam: Governantes de vassalos de príncipes do Império, sem voto individual na Dieta Imperial, mas que votavam dentro dos quatro conselhos comitais (de condes) por região, que por sua vez tinham voto na Dieta. No século XVIII, o Sacro Império chegou a ser dividido em 300 territórios, 200 dos quais com príncipes efetivos ou titulares.

 

            Havia também a autorização do Imperador para que alguns ostentassem o título de Fürst como cortesia, podendo ser hereditário e revogado a qualquer tempo além de não ter direito a voto. Estes eram concedidos a plebeus ou a esposas morganáticas de príncipes do Império para que pudessem compartilhar os títulos dos seus cônjuges.

            Nessa categoria também se enquadraram os seguintes, como leciona Antonio Luiz M. C. Costa:

 

Soberanos de fora do Império, como a Ordem Soberana e Militar de Malta e o Príncipe de Piombino. Estrangeiros homenageados pelo Imperador, como os Príncipes de Belmonte espanhóis, os chefes das casas principescas italianas Chigi e Orsini, das russas Orloff, Potemkin, Lubomirski, a lituana de Radziwill e os Duques de Marlborough ingleses.

O título também foi conferido pelo Papa a famílias aristocráticas que apoiavam o Vaticano e, na França, a algumas famílias nobres de média importância. Neste sentido, “príncipe” é um título inferior em prestígio ao de “duque”.

Títulos equivalentes foram conferidos pelos reis da França e Espanha a certos nobres de categoria intermediária, como o Barão de Badolato e Belmonte, agraciado pelo rei da Espanha, em 1619, com o título de Príncipe de Belmonte e os príncipes de Château-Porcien, Guéméné, Joinville, Mantigues e Tingry, criados para pequenos feudos por reis da França, nos séculos XVI e XVII.

 

Como o espaço é exíguo e o tema vasto, deixarei para apresentar outros graus principescos em outra oportunidade.

REFERÊNCIAS:

VASCONCELLOS, Barão de; VASCONCELLOS, Barão de Smith. Archivo Nobiliarchico Brasileiro.Lausanne.(Suisse). Imprimerie La Concorde). 1918.

DRUMMOND, William. The genealogy of the most noble and anciente house of Drummond. 1681. Glasgow.

MIRANDA, Cardoso de. O Ciclo das Gerações. P. 7. 1939. Edição eletrônica. Por. S. Miranda Sá Jr. Campo Grande. 2010.

COSTA, Antonio Luiz M. C. Títulos de Nobreza e Hierarquias: um guia sobre as graduações sociais na história. P. 70/73. São Paulo: Draco. 2014.

 

 



[1] Muitos descendentes da Casa Drummond constam no Archivo Nobiliarchico Brasileiro.