O NOVO CANGAÇO - ARAÇATUBA

está mais para um “seção ” permanente que, por muitas outras vezes, será chamada a dar mais lucros para a “firma”.

Por FABIO COSTA PEREIRA 31/08/2021 - 18:35 hs

Na madrugada de domingo para segunda desta semana, no dia 30 de agosto para ser mais preciso, um grupo de cerca de 20 criminosos, fortemente armados, tomaram de assalto, tal como os cangaçeiros do início do século XX, a cidade de Araçatuba, no interior de SP, levando o terror e o pânico à indefesa população.


No curso da ação criminosa, explosivos foram distribuídos pela cidade, reféns feitos, tiros disparados e três agências bancárias, ao mesmo tempo, assaltadas.


Por conta do agir criminoso, nada menos do que três pessoas foram mortas, enlutando a cidade e, como sempre ocorre em casos como esse, a pergunta de um milhão de dólares, no pós-crime, foi e está sendo feita: por que o crime aconteceu aqui?


É importante notar que Araçatuba não é uma cidade pequena, possuindo uma população de  cerca 200 mil habitantes e, por consequência, uma força policial compatível com o porte da cidade.


Mesmo diante das óbvias dificuldades logísticas e operacionais, dos riscos íncitos   à empreitada, o bando criminoso tomou a decisão de agir por entender, como

a realidade demonstrou, que o seu custo era menor do que a utilidade esperada com a ação.


Notem que um crime dessa envergadura não é para amadores, precisando, para ocorrer, criminosos preparados, que saibam o que fazer para subjugar a população e as forças policiais, bem como de complexa logística.


Não foi este crime fruto do acaso, foi meticulosamente ideado, planejado e executado por seus autores, a revelar especialização destes nesse tipo de ação criminosa.


Aliás, já há algum tempo se percebe que o Novo Cangaço está migrando das pequenas para as médias cidades, tal como ocorreu em Tubarão, Santa Catarina, no final do ano passado.



A sofisticação operacional do grupo criminoso, certamente pertencente há alguma organização criminosa bem estruturada, está mais para um “seção ”  permanente que, por muitas outras vezes, será chamada a dar mais lucros para a “firma”.


O caminho para se debelar ações criminosas como esta é bastante simples (não fácil), através da compreensão do “roteiro” do crime, fazendo-lhe a “engenharia reversa”; a identificação de quem tem capacidade, habilidade e motivação para cometer crimes como estes; dotar as forças policiais de recursos materiais e humanos em abundância para se tornar uma ameaça crível à criminalidade; e que ao crime cometido corresponda a justa punição, da mesma envergadura ao mal cometido.


Até que isso seja feito, infelizmente, a tendência é que outras ações do Novo Cangaço sejam repetidas Brasil afora, pois o sucesso de hoje é o estímulo da ação do amanhã.


E que Deus tenha piedade de nós!