FOI MAGNÍFICO!

Foi Gigante! Foi um pouco mais que isso, mas eu não conseguiria mensurar!

Por PATRÍCIA CORTES 08/09/2021 - 17:42 hs

Depois de fazer parte de um mar de gente em Copacabana, paramos para sentar numa mesa de bar, entre as Avenidas Atlântica e a Xavier da Silveira,   depois de correr a pé alguns quilômetros pela orla, não consegui segurar a felicidade de fazer parte daquilo. 


Não teve jeito, o texto, este,  primeiro surgiu diante de mim, depois dentro de mim, depois aqui, sentada neste bar, nas minhas notas, no meu celular sempre à mão.


Ali,  diante de tantos compatriotas e a história desse Setembro de 2021, 199 anos depois, a grande Família Brasileira que vive um drama político e ideológico,  como eu havia previsto, foi de fato  grande, foi ainda maior que eu pudera imaginar. Foi GIGANTE!


Vi as personagens diante de mim,  o enredo era muito claro, o pedido muito justo,  o narrador, bom, também lá estava. Era eu!


O momento chegou! - pensei! O gigante acordou! Olha isso, falava eu para mim mesma.


Estávamos ali por muitos motivos, o dia da Independência do Brasil, estávamos ali pelos nossos amigos presos indevidamente,  estávamos ali para dizer NÃO ao autoritarismo de um único poder por NÃO respeitar a nossa Constituição, logo eles, pelo contrário: Só fazem massacrar, prender, acuar e intimidar. 


Passaram de todos os limites! Arrebentaram uma corda que não há volta. Ninguém suporta mais! Isto sim, isto era unânime entre nós. 


Sento-me com os meus amigos e marido, um calor, um chopp gelado para molhar o bico,  antes de testemunhar de forma ocular o tanto do calor humano que era ainda maior,  dos olhares de esperança dos meus pares e de tantos anônimos,  sentados ali no mesmo bar lotado,   ou dos transeuntes que balançavam suas bandeirinhas e gritavam que a "Nossa bandeira JAMAIS será vermelha" ao passarem por nós  - ao que replico com um: Uh uh!


Eu sei, eu sei, é  cafona,  mas foi tão natural que meu marido riu. Eu também! Como não?


Um recado claro que não toleraremos o autoritarismo do judiciário brasileiro foi pronunciado pelo nosso Presidente. E é  claro, a mídia vendida, insiste em avaliar nossas tão ordeiras manifestações como "antidemocráticas".


Bem como os Sofistas combatiam Platão e Aristóteles com retóricas sempre tão maledicentes, a mesma verborragia usada por uma casta de jornalistas da maior rede de esgoto, dita, Globo, usavam de contorcionismo para dar um nó em pingo de éter.


Gente mau caráter!


Adultos,  crianças,  adolescentes,  senhores, senhoras, tudo acontecendo, numa movimentação em direção à praia, outra saindo na direção contrária,  mas o fluxo não diminuía nunca, neste mesmo momento,  uma motociata  passa de forma não menos emocionante com aquelas buzinas todas. 


Eu queria mais e olha que detesto buzinas. Não pensei duas vezes,  havia um poste, não era o "Haddad", havia uma cadeira,  amarela, por sinal e um  segurança a tudo observar. Pedi gentilmente que me cedesse por uns minutinhos aquele lugar privilegiado, ao que sorri um sorriso largo,  balançando meus cílios postiços para ver se colava.


O que não é um sorriso no rosto e uns cílios femininos a balançar? 


Colou!


Consegui e ele ainda me ajudou a subir, cavalheiros ainda existem! 



NÃO houve qualquer intercorrência, não houve brigas, nenhum empurra-empurra, ao contrário,  estávamos não apenas felizes por apoiar o primeiro conservador no executivo,  mas por nos entendermos um ao outro só de olhar. Nos entendíamos sem falar nada.  Coisa linda de ver e sentir.


É claro que isso poderia dar uma bela canção, regada àquele chopp gelado e a boêmia própria da cidade.  Quase certeza que Jobim, que amava Ipanema e Copacabana, um ex esquerdista assumido, como ele mesmo se denominava, se vivo fosse,  encontraria uma maneira de estar ali para aplaudir,  cantar ou encantar. 


Hoje foi o dia da Garota de Copacabana do Posto 5. Foi o dia da Esplanada dos Ministérios,  foi o dia do discurso mais esperado de todos os tempos, o da  Avenida Paulista e de tantos outros lugares neste país imenso.


Eu nunca vi nada igual em toda a minha vida, nem quando eu desfilava de tênis bamba ou sapatinho Vulcabras pelo 7 de Setembro nos idos "anos de ferro" da "ditadura militar" do governo do Presidente João Baptista Figueiredo e me sentia muito especial com uma fita verde e amarela na lapela da minha blusa branca de tergal. 


Ohhh saudade! Bons tempos! 


O Rio de Janeiro, no dia de hoje,  me surpreendeu positivamente, logo eu, que troquei a cidade praiana pela região serrana. Tudo estava perfeito! Nem o calor incomodou.


Tive orgulho de ser brasileira, de ser carioca, patriota, cantei o hino, balancei a bandeira amarrada na minha cintura, juntei a minha voz à outras milhares de vozes.  


Este dia inesquecível,  guardado estará para sempre no meu coração e na minha memória que agora divido com vocês, pois tenho certeza que quem foi, capturou a mesma mensagem dos seus compatriotas em cada canto deste país. 


Nem uma palavra precisou ser dita, tudo estava contido no olhar! 


Foi Gigante! Foi um pouco mais que isso, mas eu não conseguiria mensurar!


Inesquecível dia 7. Memorável!