LACRAÇÃO E NARRATIVA.

Por SILVIO MUNHOZ 09/09/2021 - 19:28 hs

“II - a cidadania: Julgado correlato. Ninguém é obrigado a cumprir ordem ilegal, ou a ela se submeter, ainda que emanada de autoridade judicial. Mais: é dever de cidadania opor-se à ordem ilegal; caso contrário, nega-se o Estado de Direito. [HC 73.454, rel. min. Maurício Corrêa, j. 22-4-1996, 2ª T, DJ de 7-6-1996.]” https://portal.stf.jus.br/constituicaosupremo/constituicao.asp

         Lacração e narrativa foram os métodos utilizados para a cobertura das manifestações do sete de setembro feita pela ex-imprensa que o Brasil assistiu estupefato. No dia sete de setembro significativa parcela da população brasileira saiu às ruas para comemorar o aniversário (199anos) da Independência do Brasil e ao mesmo tempo buscar reavivar os princípios que deveriam nortear a verdadeira democracia, como liberdade de expressão, de ir e vir, de imprensa, de crítica etc., tão desrespeitados, ultimamente em nossa pátria, embora previstos na Carta Magna e em Tratados Internacionais de cujos termos o país é signatário.

            Muitos abusos, como denunciei em várias crônicas (especialmente as últimas três[1][2][3]), protagonizados, especialmente, por um dos Ministros da ‘suprema corte’, relator de inquéritos sabidamente ilegais que tem praticado atos que chocam à nação, mas, que recebem o aplauso efusivo da ex-imprensa, aquela que esqueceu o fundamento primeiro do jornalismo, informar, e hoje usa como método a narrativa e a lacração na esperança, talvez, de ver frutificar a velha máxima difundida pelo ‘ministro da propaganda’ de Hitler, Joseph Goebbels “uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade”, esquecendo que hoje existem as redes sociais que tão logo colocada a inverdade transformada em narrativa, corre para repor a verdade dos fatos.

            Criando narrativa, meios de comunicação da chamada ex-imprensa, disseram que uma das pautas antidemocráticas da manifestação seria o fechamento da “suprema corte”, tomando meia dúzia de cartazes que continham esses dizeres como se fosse a verdade da manifestação (pegando o específico e o transformando em gênero), criando um ‘espantalho’ na opinião pública. Tática do espantalho é quando em um debate invento que o oponente disse algo e passo a atacar não o que ele disse de verdade, mas o que eu inventei que ele disse.

Pior o próprio presidente da Corte em manifestação, no dia seguinte, usou o espantalho ao dizer “ninguém fechará essa corte”. Com certeza não é a vontade da maioria dos manifestantes e o Presidente da República ao falar, ao contrário, pediu à Corte para tomar providências acerca de um de seus membros que, sabidamente, tem praticado abusos – e contra ele há pedidos de impeachment que hibernam na gaveta do Presidente do Senado ao invés de serem submetidos à mesa da Casa ou mesmo ao Plenário. A não utilização do controle na atuação dos Ministros, que segundo a CF devia ser feito pelo Senado, serve, com certeza, de incentivo para aumentar a escala de absurdidades, como foi a detenção de um cidadão americano, que veio ao Brasil participar do CPAC (congresso conservador)[4], no aeroporto, para explicações ou mandar prender um professor por estar convocando pessoas para a manifestação[5] ou criminalizar conversas de bêbados em bar, para só falar das últimas.

Outra narrativa criada no evento foi dizer que pedir impeachment de integrante da “suprema corte” é crime. Não, não há como ser crime algo previsto em nossa Constituição Federal, que estabelece ser prerrogativa de “qualquer cidadão” pedir o impedimento de algum deles ao Senado Federal. Igualmente, definiram que descumprir qualquer ordem judicial é crime, releiam a citação inicial da crônica, texto retirado do portal do STF, que contém a Constituição Federal com jurisprudência da Corte sobre os temas e aquela trecho que transcrevi é um dos que define Cidadania.

O grande mote da manifestação, não mostrado pela ex-imprensa, eram os ataques a esses abusos, expresso em inúmeras camisetas e faixas que estampavam o dizer “supremo é o povo” e essa é a definição constitucional contida no parágrafo único do artigo 1º da Carta Magna “todo poder emana do povo” podendo ser exercido por meio de representantes ou diretamente.

No caso, o povo o exercia diretamente, ao utilizar o direito de manifestação pacífica e ordeira (direito constitucional), onde expressa seus desejos e aponta o que segundo seus olhos está acontecendo de errado no país. E aí surge a lacração, e os milhões de brasileiros, trajados com o verde e amarelo e a grande maioria portando a bela e gloriosa bandeira do país, são contados como poucos milhares (embora as câmeras, filmando ao vivo, demonstrem o contrário). Eu acredito no que meus olhos enxergam!..


Cenas fortes mostram brasileiros de todas as idades desde Avôs e Avós – muitos em suas cadeiras de rodas -, Pais, Mães, filhos e até netos – alguns em seus carrinhos de bebês, armados com as cores do Brasil e o nosso ‘auriverde pendão da minha terra’ (no imortal poema de Castro Alves) em uma verdadeira demonstração do civismo patriótico indo às ruas para comemorar o dia da Pátria e apontar qual o futuro que deseja para seu porvir.

Cenas chocantes mostram vandalismo, depredação de patrimônio público e privado, queima de pneus, ataque e briga com os policiais que são obrigados a intervir com sprays de pimenta, balas de borracha e bombas de gás. NÃO, todos desarmados de espírito só desejam ver a promessa se cumprir e seu País se tornar um gigante, não só no tamanho, mas em todos os aspectos, para deixar de presentes às futuras gerações um País, onde o povo usufruindo suas liberdades sinta cada vez mais orgulho de ser brasileiro. A ex-imprensa, porém, as chama de manifestações antidemocráticas, talvez, como comentam muitos, seja a confissão do verdadeiro estado de abstinência ‘do dinheiro público’ (as torneiras foram fechadas no atual governo).