MENTIRAS DESLAVADAS

Sempre contando com o apoio da ex-imprensa que idolatra bandidos e demoniza a polícia...

Por SILVIO MUNHOZ 16/09/2021 - 11:27 hs

“Mentira deslavada, significa uma mentira mal preparada e que, por isso, se torna descarada, atrevida. Pode parecer estranha a marca negativa de atrevimento associada a deslavada, sobretudo tratando-se de uma mentira, mas isso deve-se ao facto de que é sinal de falta de respeito pela pessoa a quem se mente se o discurso/texto construído denunciar imediatamente a falta de verdade. Por isso, quando se usa a expressão «isso é uma mentira deslavada», o emissor sente-se atingido, agredido pelo atrevimento de quem mentiu...” Guilherme Augusto Simões.[1]

Após vivermos algumas semanas tensas em virtude de inúmeras absurdidades ocorridas no Brasil, desaguando num ato patriótico de civismo ocorrido no dia da independência do Brasil – o maior 07 de setembro que presenciei – e no verdadeiro derretimento da extrema-esquerda e do centro-esquerda brasileiros no domingo dia 12, com a passagem pela pacificação patrocinada proposta por quem era chamado pelo establishment de “golpista” (tema das últimas cinco crônicas), vamos retomar os papos sobre segurança pública.

Antes, na série intitulada Policiofobia[2] analisei a distorção ideológica das estatísticas acerca da atuação policial, feitas pelo Anuário Brasileiro de Segurança Pública, que é uma publicação do Fórum Brasileiro de Segurança Pública que possui histórica, notória e assumida ligação com a conhecida Open Society, ONG sustentada por George Soros, cujos principais objetivos são a liberação de “todas” as drogas e o desencarceramento em massa de bandidos.

Voltando ao meu tema de preferência, a segurança pública (Promotor de Justiça há 35 anos, completados em 06/21, sempre com atuação na área criminal, o verdadeiro uso do cachimbo que entorta a boca), vamos hoje abordar a análise feita pelo anuário sobre as MVIs (mortes violentas intencionais = homicídios ­+ latrocínios + mortes por intervenção policial + lesão corporal seguida de morte).

Constatada a ocorrência de 50.033 mortes no ano de 2020, o que gerou um índice de 23,6 mortes por 100mil habitantes (a partir de agora usarei as abreviaturas MVI = mortes violentas intencionais e m/hab = por 100mil habitantes).

O índice é superior ao constatado no ano de 2019, que apresentou 47.742 MVI, gerando uma taxa de 22,7m/hab (dados da tabela 03 do Anuário, para conferência basta colocar em qualquer buscador Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2021).

Adivinhem a quem os realizadores do Anuário (nunca esqueçam o FBSP é ligado àquela famosa ONG do pretendente a dono do mundo) atribuem a culpa desse aumento de 2.291 MVI do ano de 2019 para 2020?  Não vou prometer um exemplar do meu livro, “Brasil 2020 = O Mal Se Tornou Crônico, ensaios sobre o cansaço”, que será lançado nos próximos dias para não ir a falência, pois sei que todos adivinharão!..




Bingo, pensou Governo Federal, você acertou!.. Olha o que dizem, entre outras absurdidades: “Todavia, tudo o que foi construído em 2018 foi negligenciado pela gestão Bolsonaro. No plano político, o presidente Bolsonaro não está preocupado com a cooperação ou eficiência técnica do trabalho policial. Ao contrário, tem estimulado a ampliação de padrões operacionais pautados no confronto e na guerra (ampliação da excludente de ilicitude, elogios a operações com resultado morte)”. Atribuem igualmente ao crescimento do número de armas em circulação (tema para a próxima crônica) e mencionam, como fato secundário, que policiais sugerem como causa a soltura indiscriminada de presos durante a pandemia, o que falarei adiante.

Caros leitores, sei, estão se perguntado, qual o porquê de atribuir essa crítica dos ‘especialistas’ à análise ideologizada da estatística? Vou contar para vocês. É por conta de esquecerem alguns números e dados na conclusão deles.

Esquecem que os dados do Anuário 2021 (se referem às MVI de 2020) só são maiores que o número de MVI de 2019, e neste ano o Brasil já era governado pelo atual governo que, segundo os “especialistas”, nenhuma preocupação possui com a segurança pública.

Esquecem que a taxa de 23,6 m/hab de 2020, é inferior a de 27,6 m/hab de 2018 e a de 30,9 m/hab de 2017, ápice da mortandade no Brasil (os dois anos do Governo Temer, o de 2018 apontado como sendo construído o sistema ideal, leiam a transcrição acima).

Esquecem que foram inferiores: a taxa de 29,9 m/hab de 2016; a de 28,6 m/hab de 2015; a de 29,5 m/hab de 2014; a de 27,8 m/hab de 2013; a de 28,2 m/hab de 2012 e a 24,5 m/hab de 2011[3] (período do Governo Dilma).

Esquecem, e aí vamos falar de outra década, que a taxa de 2020 de 23,6 m/hab e só é pior que a de 1994, neste ano a taxa foi de 21,21 m/hab. em 1995 a taxa sobe para 24,76 m/hab e não para de crescer (o período compreende os Governos FHC e Lula)[4].

Percebem o Governo que tem os melhores resultados, pois apresentou o menor número de brasileiros mortos na última década (2011 a 2020) e, inclusive, melhores que os de anos anteriores a 2011, só perdendo para a do ano de 1994, mas só por ter um pequeno aumento no ano de 2020 em relação ao ano anterior, embora continue melhor na comparação com os Governos anteriores, foi o único a neglicenciar a segurança pública. É ou não um viés ideológico, pois o governo que apresenta o resultado melhor no quesito segurança desde o longínquo ano de 1994 faz tudo errado segundo os “especialistas do FBSP. Claro certo eram os anteriores onde a cada ano aumentava o número de brasileiros, mortos pela bandidagem!

Não colocam na conta do aumento das MVI no ano de 2020 em relação a 2019 a greve da polícia militar do Ceará, logo no início do ano, e que segundo o próprio Anuário representou 75,1% (fl. 22 do Anuário) de aumento na taxa de mortalidade em relação ao ano anterior.

Não colocam com o necessário destaque, embora mencionem, que alguns policiais (verdadeiros especialistas da segurança pública) atribuem esse aumento aos quase 30 mil presos soltos no Brasil por conta da pandemia – membros de facções, assassinos, estupradores, latrocidas etc. -, grande parte tendo como único critério, o viés ideológico, que ocasionaram um aumento significativo das mortes em vários Estados (referem o aumento da curva ascendente dos homicídios no Piauí, no período inicial da liberação dos presos).

 Como bem apontou um Desembargador do TJRGS: “repugnam senso de justiça provimentos judiciais liberatórios que desconsideram a gravidade das infrações cometidas e as condições pessoais dos apenados, viabilizando que esses continuem na senda criminosa, desimportando-se com vítimas pretéritas e futuras, restando essas atingidas, modo exclusivo, por obra e graça de tais decisões, desprovidas de sentido e racionalidade”.[5]

O aumento de criminalidade decorrente dessa soltura indiscriminada de presos ficou bem demarcada na crônica “por vezes é triste ter razão[6]”, onde narro o acontecido no estado de Minas Gerais e, igualmente, apontei o fenômeno ocorrido no Rio Grande do Sul, em virtude dessa soltura indiscriminada de criminosos na crônica “liberou geral”[7].  O fenômeno verificado no Piauí Minas Gerais e Rio Grande do Sul pode e deve, com certeza, ter ocorrido em vários outros Estados.

Os “especialistas de carpete em torres de marfim” jogam a culpa no Governo atual, com inequívoco viés, porém aqueles que vivem o dia a dia da segurança pública sabem que a grande culpa é do viciado sistema de justiça criminal brasileiro.

Começando pelo Congresso Nacional que não se cansa de criar leis e mais leis, sempre beneficiando as ‘pobres vítimas da sociedade’ (mesmo quando os Projetos de Lei tentam recrudescer o combate ao crime, sempre conseguem colocar um ‘cavalo de troia’ ao transformá-lo em Lei).

 O CNJ, que adota posturas como de emitir portarias para a soltura de presos, por conta da pandemia, sem previsão legal e sem considerar o risco aos cidadãos de bem. Os órgãos do judiciário (muitos Tribunais e Juízes) que, aplicando a doutrina ideológica do “garantismo penal”, esquecem sociedade, vítimas ou seus familiares, e andando de antolhos só enxergam na frente o príncipe do processo (como chamado há alguns anos em um julgamento do TJRGS), o réu, e, muitas vezes com a complacência do Ministério Público, tudo fazem, com ou sem lei, para colocá-lo na rua!...


Sempre contando com o apoio da ex-imprensa que idolatra bandidos e demoniza a polícia. Triste e dura realidade, cada dia mais presente. Pobre Brasil!..  

“Tem gente que não entende quando digo que o problema mais grave do Brasil não é ‘corrupção’, é IMPUNIDADE. O foco da lei penal no Brasil é o criminoso, mesmo os psicopatas mais monstruosos. Para a vítima sobra uma cova rasa e o esquecimento. A mídia é cúmplice porque dissemina dia e noite a narrativa do bandido ‘vítima da sociedade’, e NUNCA aponta a causa real da criminalidade sem fim: a falência total do sistema de justiça criminal do país.” Roberto Motta[8].

PS: Essa crônica é um preito à guerreira Debóra Balzan que gasta sua saúde, sua força e muitas e muitas horas  nesse combate inglória de manter criminosos presos, matando vários leões a cada dia com debates  e recursos, recursos e recursos contra decisões absurdas de muitos Juízes – claro com algumas exceções – que costumam titular a VEC de Porto Alegre e só têm em mente colocar bandidos na rua, deixando de lado o bom senso, esquecendo a sociedade. Guerreira, a sociedade gaúcha reconhece teu esforço e sabem que és uma HEROÍNA nessa guerra insana...

 

Que Deus tenha piedade de nós!..


 Silvio Miranda Munhoz


 cronista da Tribuna Diária, presidente do MP pró-sociedade e membro do MCI (Movimento contra a impunidade). As ideias contidas no artigo revelam, única e exclusivamente, o pensamento do autor.

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