OS CINCO GRANDES DE BORDEAUX

EVOÉ!

Por RÔMULO PAIVA FILHO 19/09/2021 - 00:11 hs

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Bom dia, amigos do vinho. A região de Bordeaux, no sudoeste da França, talvez seja a mais célebre produtora de vinhos de todo o mundo. Formada pelo encontro de dois rios (Dordogne e Garonne) que dão em um estuário, o da Gironda, e dividida em diversas sub-regiões, essa região produz vinhos para absolutamente todos os gostos e orçamentos. De um simples “Vin de Bordeaux” de Entre-Deux-Mers até uma preciosidade como o Petrus, de Pomerol, na margem direita do estuário. Na metade do Século XIX ocorreu uma grande expansão no número de produtores da região, fato que causou inexoravelmente um comprometimento na qualidade dos vinhos lá produzidos, pela falta de parâmetros de controle. Com isso, muitos produtores se aproveitavam da fama do nome da região para produzir vinhos sem grandes cuidados, fato que preocupou não só os proprietários de chateaux tradicionais mas também o imperador Napoleão III, que solicitou a especialistas do mercado de vinhos para, em 1855, criarem uma classificação dos vinhos bordaleses para apresentar na Exposição Universal de Paris a ser realizada naquele ano. Nascia ali a famosa classificação dos crus classés de 1855. A escala mais alta dessa classificação é a dos Premier Grand Crus Classés, formada por cinco chateaux, a saber: Haut-Brion, Latour, Lafite-Rothschild, Margaux e Mouton-Rothschild. Naturalmente a escolha desses cinco nomes como a “crème de la crème” dos vinhos de Bordeaux gerou protestos indignados de muitos produtores que ficaram de fora, mas apenas um foi “promovido” de deuxième grand cru classé para premier grand cru classé, o Chateau Mouton-Rothschild, em 1973 por decreto do presidente Charles de Gaulle. Essa sólida lista, conhecida e consagrada no mundo inteiro, contém pelo menos um vinho na lista de desejos de dez entre dez enófilos, estando entre os mais negociados do planeta. As safras consideradas grandiosas desaparecem rapidamente das mãos dos negociantes, mesmo com preços bastante elevados. As demais safras também são muito procuradas, pois cada ano tem um significado especial na vida de uma pessoa, o nascimento de um filho ou neto, um casamento, e isso vai influenciar definitivamente na decisão de uma compra. Por exemplo, meu filho mais novo nasceu em 2001 e eu comprei um Chateau Mouton-Rothschild 2001 para abrir no dia em que ele se casar. Ainda que essa safra não tenha sido das melhores para esse Premier Grand Cru, ela gerou em mim mais interesse que as melhores safras, mas é inegável que há safras que são mais destacadas que as outras. A seguir, vamos conhecer um pouco sobre cada um desses cinco ícones bordaleses, e suas melhores safras:


-Chateau Haut-Brion - Dentre os cinco ele é o único que não é do Médoc, mas de Péssac-Léognan. Sua origem remonta ao Século XIX, quando já havia apontamentos sobre um vinho de nome Aubrion ou Haulbrion. Teria sido ele um dos primeiros a ter fama na Inglaterra, vendido em uma taberna pelo elevado preço (para a época) de 7 shillings a garrafa. A família Dillon adquiriu a propriedade em 1935 e continua até hoje a produzir o vinho, em sua quarta geração. Safras consagradas: 1979,1982,1985,1986,1989, 1990, 1995 e 1998.

Chateau Lafite-Rothschild - Parte da propriedade do poderoso marquês Nicolas-Alexandre de Ségur, também conhecido como “Príncipe das Vinhas”, o começo de sua história se confunde com o de outro dos cinco grandes, o Latour, que estava nas mãos da família de Ségur até meados do Século XVIII. Tanto o Marechal Richelieu quanto o ex-presidente norte-americano Thomas Jefferson tinham-no como seu favorito. Em 1868 o chateau passa para a propriedade do barão James de Rothschild, dando origem à dinastia dos Rothschild em Lafite. Seus parentes do lado inglês dos Rothschild haviam adquirido o Chateau Mouton pouco antes. Safras consagradas: 1976, 1982, 1983, 1985, 1986, 1988, 1989, 1995,1996,1998 e 1999.

Chateau Latour - É um nome muito antigo na região, mencionado pela primeira vez em um documento datado de 1331, mais precisamente uma autorização concedida a Gaucelme de Castillon pelo lorde Pons para construir uma torre fortificada na freguesia de Saint Maubert. Assim como Lafite, a propriedade esteve nas mãos da família de Ségur por muitos e muitos anos. Desde 1993 o proprietário do Chateau é François Pinault, magnata das finanças dono de um grupo que possui algumas das mais célebres propriedades vinícolas do mundo. Desde 2012 o Chateau Latour deixou o sistema “en primeur” de Bordeaux, colocando seus vinhos a venda apenas quando acredita estarem no auge. A última safra lançada foi a de 2013. Safras consagradas: 1970, 1978,1982,1990,1995,1996 e 1999.

Chateau Margaux - desde o Século XII o local é conhecido como “La Mothe de Margaux”(monte de Margaux) e, na época, não tinha vinhas. Acredita-se que a família Lestonnac foi a primeira a investir em vinhedos e vinhos na propriedade a partir do Século XVI. No Século XVIII, Margaux já era vendido em casas de leilão inglesas e foi considerado o “Versalhes de Médoc”, graças ao trabalho do arquiteto Louis Combes. Após sucessivas trocas de comando, a família grega de André Mentzepoulos adquiriu a propriedade em 1977 e até hoje gere esse mítico chateau. Safras consagradas: 1979, 1982,1983,1985,1986,1990, 1995,1996 e 1999.

Chateau Mouton Rothschild- Mouton e Lafite são irmãos e eram misturados até o Século XVIII, quando as propriedades eram do “Principe das Vinhas”, o marquês Nicolas Alexandre de Ségur. Em 1853 o chateau foi adquirido pelo barão Nathaniel de Rothschild, do ramo inglês da família mas os anos de glória ocorreram sob a gestão de seu neto Philippe, que revolucionou a produção criando rótulos comissionados exclusivos para cada safra e fazendo com que em 1973 a classificação de 1855 fosse revisada para incluir o Chateau Mouton Rothschild entre os cinco Premier Grand Cru Classés. Safras consagradas: 1982, 1986, 1995, 1996 e 1998.


Hoje a lista conta com um total de 81 vinhos, diferindo um pouco da original, que continha 58. Na hierarquia dos Crus Classés do Médoc temos: 5 Premiers, 14 Deuxièmes, (ou Seconds), 14 Troisièmes, 10 Quatrièmes e 18 Cinquièmes. Os Chateaux Lafite-Rothschild, Mouton Rothschild e Latour são da sub-região de Pauillac, Margaux de Graves e Haut-Brion de Péssac-Leognan.




Bem, amigos, vou ficando por aqui. Semana que vem tem mais, se Deus e Baco assim o permitirem. Um bom domingo a todos.


EVOÉ!