O ARCO DO TRIUNFO E O SUMIÇO DA ARTE

Talvez, no Brasil, algum revolucionário queira seguir a moda francesa e empacotar o Cristo Redentor. Por favor, não permitam.

Por Lorena (Duquesa Bessières D´Ístria) 01/10/2021 - 17:17 hs

UMA BREVE NOTA DO EDITOR:

Todas as estreias são muito especiais para nós, esta não poderia ser diferente, nesse eterno caso de amor que temos por nossos leitores.

Meu querido amigo, Marquês Evandro Monteiro de Barros Jr., precisou se afastar por um tempinho do jornal, por motivos de força maior e preocupado com os seus leitores, pediu que sua amiga e prima, lhe substituísse por um tempo.

Claro que precisei explicar que nossos colunistas são únicos e por isso, insubstituíveis, mas bastaram alguns minutos de conversa, para que esse editor se rendesse inteiramente aos encantos dessamoça-mulher” de voz doce e cativante, mas cheia de personalidade, dessa charmosa, competente, mestra e jurista, tão prestativa e delicada.

Ah, ela é uma princesa!

Não seria injusto e um elogio nada exagerado, quando se trata de Lorena, até porque, ela é mesmo, não só pela primeira impressão, mas por título, embora fique muito tímida quando perguntada – mais um encanto, dentre tantos - sim, Lorena é uma Princesa de verdade e não poderíamos omitir esse interessante detalhe...

Boa leitura, mesmo porque, acho que você, assim como nós, não conseguirá deixar de amá-la:



No atual contexto, me parece bastante perigosa a aclamação de intervenções artísticas que pretendem esconder obras de arte perenes, especialmente aquelas com grande valor histórico, a exemplo do recente empacotamento do Arco do Triunfo de Paris.

Mais do que uma escultura fantástica – grande o suficiente para ser atravessada por um pequeno avião – o Arco do Triunfo marcou o ponto de saída de grandes desfiles militares vitoriosos, fossem franceses ou alemães. Sua construção foi ordenada em 1806 por Bonaparte, para comemorar a vitória em Austerlitz e homenagear publicamente os generais do Império. Mas o colosso só foi concluído muitos anos depois, por determinação de Luís Filipe I de França.



Ao longo dos últimos anos, vez por outra surge algum projeto fracassado, que propõe a retirada do Arco de seu local originário – deveríamos todos acender uma imensa luz de alerta sobre essas tentativas.

Diante da total impossibilidade de pegar em armas e promover uma luta real, os supostos inconformados sociais preferiram a guerra simbólica: muros residenciais pintados com palavras de ordem, paredes de universidades com pichações irreproduzíveis, fotos de políticos famosos postas em via pública, enquanto moças deixam ali seus os dejetos orgânicos – produzidos ao momento, claro.


Igrejas são queimadas após túmulos indígenas serem achados no Canadá

Em meio a essa parafernália cultural, a velha tática de queimar igrejas e bibliotecas permaneceu, mas se adaptou para um formato que muitas pessoas talvez não tenham percebido: a destruição da Arte Histórica em espaços públicos.

Quando os tais grupos revoltosos invadem um templo religioso, não mais se contentam em quebrar portas e bancos. Ultimamente, o alvo está nas esculturas sagradas, nos quadros, nos panos bordados lindamente. Os mesmos grupos defendem, no mundo todo, a remoção das estátuas de personagens que ajudaram a forjar a civilização ocidental – Colombo, Napoleão, Borba Gato, São Luís IX, Princesa Isabel do Brasil, Rainha Isabel de Castela, Churchill. A lista é extensa, mas podemos resumi-la em poucos itens: Comandantes, Reis e Santos.

Não veremos essas pessoas fazerem uma fogueira com livros de história das monarquias, nem bíblias sagradas, pois elas são as vorazes defensoras dos “livros contra as armas”, ostentam livros que nunca leram e os utilizam como se fossem estandartes da ética.

A nova tática parece menos agressiva aos olhos do cidadão médio: ao invés de atear fogo, simplesmente retira-se o foco. No primeiro semestre desse ano, o esqueleto de um cavalo foi pendurado sobre o túmulo de Napoleão (intervenção artística, dizem) – apesar dos protestos de milhões de pessoas, que entenderam aquele ato como um extremo desrespeito ao Imperador e à História Ocidental.



Tapar o Arco do Trinfo soa mais amigável, afinal ele está coberto com panos brancos e cordões vermelhos, somente por alguns dias. O que ninguém parece perguntar é: o que significa essa intervenção? Será que vamos nos acostumar a ver formas vazias, sem as suas belíssimas inscrições históricas?

Talvez, no Brasil, algum revolucionário queira seguir a moda francesa e empacotar o Cristo Redentor. Por favor, não permitam.

  LORENA (Duquesa Bessières D´Ístria)