O MAL DISTORCE E MANIPULA!..

muita gente torce o nariz achando que isso não ocorre...

Por SILVIO MUNHOZ 07/10/2021 - 19:38 hs


Os meios de vulgarização intelectual de nossa época, periodismo, rádio, televisão, o teatro e o livro estão infestados da mais desenfreada propaganda do inferior e do primitivo. [...] A figura do criminoso é acentuada de tal forma que se torna exemplar, e muitos desejam alcançar a notoriedade que tais criminosos conseguem. [...] Os grandes gestos, os atos nobres recebem espaço mínimo quando não são silenciados.” Mário Ferreira dos Santos[1]

         Hoje, quando se fala em bandidolatria, distorção de palavras, manipulações da mídia ou de institutos de pesquisa etc., ou seja, nas ferramentas utilizadas para convencer e manipular aqueles que se deixam levar pela primeira opinião ou por uma manchete e não buscam investigar a verdade da informação, muita gente torce o nariz achando que isso não ocorre, prontos para nominar o autor do texto como Professor Pardal ou terraplanista.

            Percebam a 1ª edição da obra citada na epígrafe – não é o texto mais antigo a narrar o fenômeno, porém, utilizo-o por ser o autor um dos maiores filósofos, quiçá o maior que o Brasil conheceu – é de 1967 e denunciava a verdadeira guerra cultural que já, há décadas, era travada no Brasil.

            Vamos começar pela bandidolatria – os agentes culturais (mídias, filmes etc.) idolatram bandidos, criando mitos e transformando-os em “injustiçados sociais” e, por vezes verdadeiros “justiceiros sociais”, fazendo-os parecerem ícones, exemplos a serem seguidos.

            Diria um leitor mais desavisado, isso podia ocorrer antigamente, nos dias atuais não ocorre mais...

            Será?? Leiam a crônica da semana passada[2], onde conto como a minissérie e um livro biográfico fizeram Elise Matsunaga que, de garota de programa, passou a esposa de um milionário e mãe de sua filha, mas, por ciúmes (ou outro motivo inconfesso), matou-o, esquartejou seu corpo e o espalhou por estradas vicinais, no interior de São Paulo, o “símbolo de luta contra relacionamento tóxico”. A ‘justiceira’.

            Olhem, igualmente, o caso de Susane Von Richtofen (o livro biográfico do mesmo autor do de Elise, coloca como subtítulo “a manipuladora”), que matou o pai e a mãe junto com o namorado e o irmão deste, e mereceu dois filmes, um deles – que conta sua versão -, transforma-a em uma pobre garota manipulada pelo namorado que a convence a matar os “pais malvados” por amor, pois seus genitores não queriam a relação. A “injustiçada”.

            Percebem, em ambos os casos, é passado pano sobre dois crimes bárbaros merecedores de repúdio e desapreço de qualquer cidadão do bem, pelo barbarismo e desumanidade demonstrados para transformar suas autoras em “heroínas”!.. qual o objetivo, qual o sentido disso???



         

   Enquanto isso verdadeiras heroínas são relegadas ao ostracismo e ao esquecimento. Vejam o fato, mais recente que os anteriores, de Heley de Abreu Silva Baptista, de 43 anos, casada e mãe de três meninas, uma de 15, outra de 12 e a terceira de apenas um ano e três meses, que entrou em luta corporal com o vigilante Damião Soares dos Santos, de 50 anos, o qual após atear fogo na escolinha “Gente Inocente”, em Janaúba, interior de MG, queria impedir as pequenas vítimas de saírem e, após conseguir afastar o assassino, a Professora (nunca foi tão merecido um ‘P’ maiúsculo) voltou, ainda, por três vezes ao prédio em chamas para ajudar as crianças, fato de 06/10/2017 (completou 04 anos há dois dias).

            O ato heroico e desesperado de Heley salvou 28 crianças de morrerem incendiadas no trágico crime, mas, levou-a a morte. Vocês viram no dia 06/10 alguma das grandes mídias lembrar o fato e realçar o ‘grande gesto’, o ‘ato nobre’ de se desapegar da própria vida para salvar vidas alheias?? Não, com certeza não. Já viram algum filme ou minissérie acerca desse fato?? Não, com certeza não... quem sabe um dia!..

Só para não esquecer, no ano de 2017, a versão brasileira da revista GQ elegeu, como mulher do ano, a cantora Anitta e foi alvo de muitas críticas, nas redes sociais, pois ninguém no ano era mais merecedora de tal título que Heley. Desnecessário lamentar, no entanto, pois como acentuado em matéria da gazeta do povo[3] “o feito de Heley de Abreu é grande demais para precisar da chancela oficial de qualquer publicação [...] O que ela fez permanecerá vivo pelo exemplo e nas vidas das crianças salvas. Nada pode ser maior que isso”.

Com certeza, nada é maior que isso!..

Por outro lado, para não ficar só na bandidolatria, mas demonstrar que utilização das ferramentas de manipulação ocorrem em todas as áreas, inclusive, na política, basta analisar a matéria publicada em conhecida revista brasileira mencionando pesquisa, cujo resultado apontaria que o povo brasileiro entende ser o ex-presidente Lula “a pessoa mais indicada para combater a corrupção em nosso país e o mais capacitado para resolver o problema da economia”!..

O leitor deve estar se perguntando, como um corrupto condenado em três instâncias e que com seus crimes de lesa-pátria quase levou o País à bancarrota, pode resolver os problemas da corrupção e economia? Com certeza, estão brincando com o povo brasileiro?? Não, na realidade como apontou matéria publicada em jornal que investigou rede social do instituto, responsável pela pesquisa, ficou claro o seu viés, “pois fica evidente que a empresa não passa de um grupo sem imparcialidade, militante de esquerda, seriamente tendenciosos [...][4]”.

Percebam, no entanto, que a revista ao publicar tal pesquisa, pretende manipular a opinião pública, pois muita gente, como dito ao início, principalmente, quando algo está relatado na grande imprensa não vai conferir a veracidade ou o viés da informação.


Para finalizar, a internet não perdoa e um post de @oiluiz cravou sem dó nem piedade: “e Pablo Escobar é o preferido do eleitor para combater o tráfico de drogas”.[5]

“Ou a luta contra o mal começa pela luta contra a confusão, ou se acaba contribuindo para a confusão entre o bem e o mal.” Olavo de Carvalho[6].

 

Que Deus tenha piedade de nós!..

 

Silvio Miranda Munhoz, cronista da Tribuna Diária, presidente do MP pró-sociedade e membro do MCI (Movimento contra a impunidade). As ideias contidas no artigo revelam, única e exclusivamente, o pensamento do autor.