A POLITIZAÇÃO DA PANDEMIA

e o mau-caratismo disfarçado

Por Cesar D. Mariano 08/10/2021 - 21:21 hs

Não há como negar que a pandemia foi politizada de modo que muitos políticos, quiçá a maioria, esqueceram-se do mais importante: o ser humano.

A humanidade perdeu espaço para a bestialidade e ignorância.

Não vou perder o meu e o seu tempo falando do passado e de tudo que foi feito durante esse ano e meio de situação caótica, até então impensada para todos.

Agora, quando a situação parece estar a melhorar, ao invés de se pensar em como mudar o panorama do Brasil, que nada difere da imensa maioria dos países desenvolvidos, tenta-se, novamente, angariar ganhos políticos com a catástrofe de dimensões bíblicas a que todos nós fomos submetidos.

Veja-se o exemplo da CPI da Covid-19. Um espetáculo dantesco de ignorância, ilicitudes, injuridicidades e acima de tudo mau-caratismo. Quem possui o mínimo de decência passa mal ao assistir o que lá ocorre. A parcialidade e cara de pau, para dizer o mínimo, é tamanha que seus atores principais nem mais as tentam esconder.

A moda agora é culpar médicos que apenas tentaram salvar vidas do implacável ataque de um vírus desconhecido, que mais parece arma biológica, que vive em mutação e não quer ser erradicado ou enfraquecido.

Não conheço absolutamente nada de medicina e seria leviano pretender comentar esse aspecto. No entanto, é despropositado, ilógico, injusto e acima de tudo desumano querer culpar quem apenas tentou combater algo desconhecido com algum tipo de fármaco na esperança de salvar a vida do paciente.

Dizer que fulano morreu porque recebeu medicamento até então empregado normalmente sem nenhum problema é o cúmulo da má-fé. Do mesmo modo que culpar o médico que nada receitou porque defende que não existe tratamento para vírus, a não ser as próprias defesas naturais do corpo humano.

O médico, como defende o Conselho Federal de Medicina, tem total autonomia para tratar o paciente em comum acordo com ele. Como culpar o profissional por tentar salvar a vida do paciente contra uma doença desconhecida com as armas disponíveis?

Não há crime e nem ilícito a ser imputado a um médico que usa os fármacos que têm a seu dispor na esperança de tratar o doente contra algo que não conhece. Seria muito cômodo simplesmente lavar as mãos e fazer o mais fácil: fique na sua casa e deixe seu sistema imunológico agir, o que, como já disse, é uma das vertentes médicas para o tratamento.

Juridicamente, só é possível punir o médico que agir se essa conduta for a causa ou concausa da morte, isto é, não realizada a conduta, o resultado morte não teria ocorrido. Se, com o tratamento ou sem ele, o resultado seria o mesmo, não é possível imputar ao médico nenhuma responsabilidade pelo evento. O mesmo raciocínio vale para as sequelas produzidas pela doença.

Não caiam no embuste daqueles que somente pretendem obter algum ganho com falsas acusações sem nenhum respaldo no direito.


CESAR D. MARIANO