A INGRATIDÃO DA LUA...

Uma crônica é uma obra que só se completa quando encontra as emoções de outro alguém.

Por ADRIANO MARREIROS 11/10/2021 - 21:35 hs


Fly me to the Moon

Let me play among the stars…

                   Frank Sinatra

 

Os tambores do Barone me fazem tamborilar os dedos, enquanto a voz do Herbert me lembra um dia em que “joguei tanta coisa fora e vi o meu passado passar por mim”.  Há dias em que temos que jogar coisas fora.  Como naquela mudança, agora na voz da Vanusa.  Em outros dias, a própria vida se encarrega disso.  Nos faz perder “cartas e fotografias” e, o pior de tudo, nos faz perder “gente que foi embora”...  Mas o Paralamas está errado: a casa fica bem pior...

 

Ah, mas você sabe que não foi isso que ele quis dizer.  Eu já disse: quem publica não é mais dono do sentido!  Quando você é lido, não importa mais o que você quis dizer e sim o que o leitor quis entender...  Uma crônica é uma obra que só se completa quando encontra as emoções de outro alguém.  Antes disso, está ali como a metade tão clichê da laranja, mas tão bela quanto a música do Peninha na Voz do Fábio Júnior.  Aliás, talvez eu possa “saber bem mais” agora das crônicas que li nos “meus vinte e poucos anos”.

 

Falam tanto de ciência os que nada sabem dela, mas pra mim só importa que “o céu de Ícaro tem mais poesia que o de Galileu”.  E prefiro entender os astros em versos a compreendê-los em cálculos complexos.  Nunca me deram asas como deram ao Herbert: mas sei que se as tivesse recebido, teria me esborrachado como o filho de Dédalo.  Mas também teria buscado fugir e ir o mais alto possível...


Olho então para o plácido lago e vejo nele a lua em seu esplendor.  Olho para a lua e, além de decepcionado por não ver o lago – que ingratidão dela –  lembro que ela tem “aquela gravidade aonde o homem flutua”  e que, mesmo assim,  ela jamais permitiu a visita de “bailarinos e de você e eu”

 

Não é só o mundo que é injusto: a Lua também é...

 

Depois é Lua-Nova

Mente quem diz

Que a Lua é velha

                   MPB-4  

 Brasil Sem Medo - Coronavírus, a alegria dos bandidos

 P.S. Essa eu dedica ao Briguet cuja entrevista para o Rodrigo Gurgel me lembrou que "a crônica é mais próxima da poesia que do conto", como ele disse: o que resgatou algo dentro de mim.


 Adriano Alves-Marreiros


Lunático mesmo sem nunca ter ido à Lua...