CONFORTO

O marco da nova Era.

Por Lorena (Duquesa Bessières D´Ístria) 15/10/2021 - 21:25 hs

Desde o início da pandemia, com a implementação simultânea das inúmeras medidas restritivas em vários países, comecei a me perguntar qual seria o evento marcante dessa nova Era.

Agora, que os governos começaram os procedimentos de reabertura social, podemos observar alguns traços marcantes, independentemente da cultura – todos eles atrelados ao conforto.

Na moda, ressurgiram as papetes, os calçados com aspecto fofinho, os saltos baixos, os vestidos largos, conjuntos com aspecto de pijamas. A preferência por materiais mais naturais ficou evidente: linho, algodão, madeira, sisal, juta.

Na arquitetura, todos parecem querer valorizar a luz externa, as transparências, os janelões. A ausência de acesso aos ambientes externos, provocou um incentivo ao uso de plantas na decoração das residências.

Mesmo em áreas mais sisudas, a exemplo da jurídica, tem ocorrido essa influência dos novos tempos, que pode ser observada em um grande movimento de advocacia humanizada, contratos com recursos visuais, desenhos coloridos e simplicidade linguística.

Com tanta gente trabalhando em casa, as fábricas de móveis se viram obrigadas a investir em anatomia, fazendo surgir maravilhosas soluções criativas para reunir conforto e funcionalidade.

Desde os primeiros meses, a palavra conforto começou a liderar. Mas a pergunta continuava martelando em minha cabeça: qual seria o marco, o acontecimento capaz de ser apontado no futuro, como um resumo dessa época? Parece que finalmente o temos.

Ha quatro dias, uma companhia aérea ucraniana anunciou algo inédito: suas comissárias de bordo agora usam como farda um conjunto confortável de calça e blazer, tênis brancos condizentes com a profissão, lenços largos. Os homens também receberão um conjunto de tênis, além de ternos mais leves.

Essa profissão sempre aparece em demandas internacionais, nas quais frequentemente as companhias são condenadas por obrigarem as moças a usarem maquiagem, roupas e sapatos prejudiciais à saúde, ou por promoverem uma imagem extremamente sexualizada de suas empregadas.

Uma profissão cercada de tanto mito e glamour, ceder ao conforto dessa forma, realmente é um marco da nossa época. Em pouco tempo as outras companhias seguirão o exemplo. Aguardemos.


 LORENA (Duquesa Bessières D´Ístria)