DA TERRA DE CONFUCIO

EVOÉ!

Por RÔMULO PAIVA FILHO 14/11/2021 - 10:35 hs

Bom dia, amigos do vinho. De algumas décadas para cá temos visto o impressionante desenvolvimento da China em todas as áreas: econômica, industrial, tecnológica, militar, enfim, a terra de Confúcio se tornou simplesmente a segunda maior economia do mundo, perdendo apenas para os EUA e produz simplesmente tudo. Tenho certeza absoluta que vocês, sem exceção, possuem em casa produtos Made in China. Como não podia deixar de ser, a pátria de quase 1,5 bilhão de pessoas também tem mandado muitíssimo bem no mundo do vinho. Pra começar, estamos falando do quarto maior consumidor mundial da bebida, atrás de França, EUA e Italia, e também de um produtor que tem se destacado e desenvolvido sua qualidade de maneira impressionante e em breve deverá eclodir uma nova revolução, nos moldes do nosso já conhecido Julgamento de Paris. Entre 2000 e 2011 a importação de vinhos pela China cresceu astronômicos e inacreditáveis 26.000%. No entanto, os felizes exportadores franceses, italianos, norte-americanos e australianos começaram a sentir um gosto amargo quando os chineses decidiram eles próprios produzir seu vinho em grande escala. Ainda que a qualidade média ainda seja baixa, alguns vinhos da China tem surpreendido pela qualidade, com elogios de críticos e menções em revistas especializadas. A exemplo do que ocorreu em outras áreas, como a de informática, por exemplo, os chineses aprenderam a técnica de fazer vinho copiando dos outros países, principalmente a França. Na inexistência de uvas nativas, castas europeias como Cabernet Sauvignon, Merlot e Cabernet Franc começaram a ser plantadas na década de 1990 nas regiões de Ningxia (Centro-Norte), Shandong e Hebei (Leste) e Xinjiang (Noroeste), sendo a primeira a mais valorizada. O Know how foi importado da Europa com a vinda de enólogos consultores especializados para tocar a produção. O primeiro vinho chinês a ganhar projeção internacional foi o Xia Bei Lan 2009, feito com uma típica mescla bordalesa de Cabernet Sauvignon, Merlot e Cabernet Franc. Produzido por Helan Qing Xue, esse vinho ganhou o Troféu Internacional Tinto acima de 10 euros, no Decanter World Wine Awards, da prestigiada revista inglesa Decanter.


No mesmo ritmo frenético do desenvolvimento econômico e industrial do país, em pouco mais de dez anos, paisagens que mais pareciam um terreno lunar se transformaram em regiões vinícolas altamente produtivas, com vocação para o enoturismo. Em Ningxia já existem mais de 200 propriedades produzindo vinhos, dentre elas se destaca o Great Wall Dynasty, além das grifes francesas Moet & Chandon e Pernod Ricard. Como não poderia deixar de ser no maior país comunista do mundo, por trás desse impressionante desenvolvimento está a mão forte do Estado, que apostou alto na produção vinícola e assim busca convencer o cidadão chinês a comprar o vinho nacional, ao invés dos importados franceses, europeus, americanos e australianos. Atualmente, a China está num surpreendente sétimo lugar mundial na produção de vinhos, com 1,4 bilhão de garrafas produzidas.


Um exemplo da nova geração de vitivinicultores chineses é a enóloga Emma Gao, da Silver Heights. Formada em Bordeaux, Emma segue a iniciativa de seu pai Gao Lin, que em 1999 começou o cultivo de Cabernet Sauvignon e mandou sua filha para estudar na França. Após se formar, Emma foi trabalhar no tradicional Chateau Calon-Ségur, Troisième Grand-Cru Classé da região de Saint-Estephe, onde conheceu Thierry Courtarde, enólogo da casa. Casaram-se e foram para a China trabalhar na propriedade e em 2007 iniciaram a produção. O vinho ganhou fama internacional ao cair nas graças do papa Robert Parker, que lhe deu 91 pontos, e da papisa Jancis Robinson. Foram produzidas apenas 1000 garrafas Magnum de 1,5 litro.


Então, meus amigos, que tal provar um vinho xing-ling? Fica a dica. Bem, vou ficando por aqui, até domingo que vem, se Deus e Baco assim o permitirem.


EVOÉ!