O VINHO DA EUCARISTIA

EVOÉ!

Por RÔMULO PAIVA FILHO 21/11/2021 - 00:28 hs



Bom dia, amigos do vinho. Existe um fortíssimo e indestrutível vínculo do vinho com o cristianismo. Na última ceia com seus apóstolos, Jesus comeu um pedaço de pão e serviu-se de um cálice de vinho e disse a eles: “Tomai e bebei. Este é meu corpo e meu sangue”. Daí nasceu a eucaristia, o momento mais importante da Santa Missa Católica Apostólica Romana. Na língua grega em que foi escrito o Novo Testamento, a palavra “eucharistia” era usada nas cerimônias de agradecimentos formais aos deuses. Na missa, é nesse momento que o padre personifica o Cristo repetindo as palavras do Salvador na última ceia. E qual o vinho utilizado nesse momento tão solene? Esse é o nosso tema de hoje, o vinho canônico. Segundo o Concílio de Trento, ele deve ser puro e absolutamente isento de substâncias estranhas. Como ele é consumido aos poucos e guardado na garrafa sem refrigeração por longo espaço de tempo, possui alta graduação alcoólica e grau de dulçor, o que o faz ser classificado como um vinho licoroso. As regras para produção são rigorosamente fixadas e fiscalizadas pela Igreja Católica. Pode ser branco ou rosé, para que não haja risco de manchar as toalhas e vestes sacerdotais, consideradas sagradas. No Brasil a produção de vinho canônico está concentrada no Rio Grande do Sul, e chega a modestos 500 mil litros anuais, em comparação aos tintos e espumantes. As uvas utilizadas costumam ser a Moscato e a Isabel. Apesar de ser desenvolvido para a eucaristia, o vinho canônico pode perfeitamente ser consumido como aperitivo e vinho de sobremesa, combinando muito bem com pudins, bolos, compotas e tortas. No processo de fabricação há a adição de aguardente vínica visando interromper a fermentação e assim garantir o alto teor de açúcar, tal qual ocorre com o vinho do Porto.


Considerando o problema do alcoolismo que acometeu parte dos sacerdotes, a Igreja Católica autorizou a produção de vinho canônico sem álcool. Com tecnologia brasileira, o vinho passa pelos processos de fermentação, envelhecimento e desalcoolização. Com isso, são preservadas as propriedades, fazendo com que o sabor seja quase idêntico ao de um vinho alcoólico. Não há que se confundir o vinho não alcoólico com o suco de uva, já que este é produzido a partir do cozimento da fruta com açúcar e aquele passa pelo processo completo de verificação, retirando-se o álcool posteriormente.




Bem, meus amigos, fico por aqui, desejando um ótimo domingo a todos. Semana que vem tem mais, se Deus e Baco assim o permitirem. 


EVOÉ!