CRÔNICAS

Sileno vale uma crônica: e só sou cronista graças a ele...

Por ADRIANO MARREIROS 02/12/2021 - 16:31 hs

Estou do lado de Aslam.

Mesmo que não haja Aslam,.

Quero viver como um Narniano,

C.S. Lewis: As crônicas de Nárnia

 

Um cronista não é alguém que sabe escrever crônicas.  Não. Jamais!  Isso eu sei desde os 12 se não contar um mero acaso aos 11.

 

Você acha que  Sabino, Drummond, Rubem Braga, Otto Lara, Nélson Rodrigues, Stanislaw, João do Rio e outros mestres eram cronistas apenas porque sabiam escrever crônicas?  Se acha, você não entendeu nada.

Talento é o mínimo.  O que torna esses caras cronistas é a constância.  Eles escreviam sempre, não era um mero mal passageiro, era uma doença crônica a crônica...

E não é só isso: eles tinham que captar pequenos e grandes momentos que valessem o registro.  Precisavam falar de algo que marcasse um tempo que merecia ser lembrado por meio de um texto bem escrito.  Lembra do Sabino que lembrou do Bandeira no aniversário da menininha no bar.  Lembra daquele sorriso puro do pai dela?  Eu nunca esqueci como pode ser simples comemorar  e ser feliz desde aquele sorriso

Mas, mesmo esse lirismo todo ainda não é o bastante.  Um cronista não pode guardar suas crônicas para si e para uns poucos amigos. Uma crônica precisa cumprir seu destino sobre o papel ou, hoje, em html ou algo assim.  Não é justo que o registro tão lírico de um momento e feito com tanta constância não alcance as pessoas que precisam se emocionar com ela e lembrar para sempre de certos trechos. Para isso, ela tem que ser publicada, e com a mesma constância que é escrita.

E foi aí que surgiu o Sileno, primeiro com o Diário do Observador, e agora com o Tribuna Diária.  E eu, que escrevia umas crônicas, decidi fazer isso com constância, por ter onde publicar.  Em 2020 d. C , “O Mal se tornou crônico”, como disse o Sílvio, foi difícil prosseguir “Em busca da verdade” como disse a Érika, mas eu só pude falar dos “Esquerdistas culposos e outras assombrações” em um livro de crônicas, porque o mineiro bem humorado do Tribuna Diária foi meu editor: toda semana e, às vezes, mais de uma vez por semana... Agora sou cronista. Finalmente!


A PERSPICÁCIA DO PIU-PIU, A VISÃO CLARA DO MAGOO E:


Obrigado, Sileno, feliz aniversário. Que suas dores não sejam crônicas e que sua perspicácia prossiga sempre aguda.

Queria ver seu sorriso ao ler esta crônica...  O Sabino diria:

Assim eu quereria a minha última crônica:

que fosse pura como esse sorriso.

Fernando Sabino

 

Crux Sacra Sit Mihi Lux / Non Draco Sit Mihi Dux 
Vade Retro Satana / Nunquam Suade Mihi Vana 
Sunt Mala Quae Libas / Ipse Venena Bibas

(Oração de São Bento cuja proteção eu suplico)

QUE É CRONISTA

POR CAUSA DO SILENO.