ESTATÍSTICA + IDELOGIA = DESINFORMAÇÃO

A saga continua!.. Capítulo 1.

Por SILVIO MUNHOZ 02/12/2021 - 17:14 hs

“São externos os padrões pelos quais engenheiros e financistas são julgados, pois a verificação se encontra para fora do reino das ideias e para além do controle de seus pares. Um engenheiro cujas pontes ou cujos prédios desabam estará certamente arruinado, assim como um financista que pede falência. [...] Os intelectuais são, no senso estrito que estamos vendo, fundamentalmente inconsequentes às exigências do mundo externo.” Tomas Sowell, na seminal obra Os Intelectuais e a sociedade.

 

Publicado o Atlas da Violência de 2021, lembrando aos leitores, referente aos dados de 2019 com base nos informes do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) do Ministério da Saúde (SIM/MS) e quando se referem a homicídios estão agrupadas na análise as mortes por agressões e intervenções legais (CID-BR-10).  

Para surpresa do pessoal do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) e do FBSP (Fórum Brasileiro de Segurança Pública), responsáveis pela realização do presente trabalho, no ano de 2019 houve uma queda acentuada dos homicídios (agrupados mortes por agressões e intervenções legais), pois registradas 45.503 mortes equivalentes ao índice de 21,7m/hab (mortes por 100mil habitantes), menor número desde 1995.

Soltemos rojões, comemoremos, há algo de diferente no front, pois os níveis de violência estão diminuindo de forma contundente. Viva... aleluia... é a realização do desejo do povo brasileiro que não aguenta mais viver submerso no mar de sangue que mancha nossas ruas há décadas.

Foi essa a reação do pessoal da publicação? Claro que não, como deixo há bastante tempo registrado, a avaliação feita não é isenta, não é imparcial (embora os números possam ser reais) é ideologizada.

Não há toa, já mostrei em outras oportunidades o FBSP possui parceria desde a fundação com a open society, Ong internacional, cujos objetivos declarados são a descriminalização das drogas, a legalização do aborto e o desencarceramento massivo de criminosos perigosos (dentre desta última pauta pregam o desarmamento e até mesmo a extinção da polícia). São financiados pela Ong, obviamente para defender suas causas[1].

 

Organização

Total (2016-2019)

Associação Direitos Humanos em Rede (Conectas)

US$ 2.339.000

Instituto Sou da Paz

US$ 1.856.000

Instituto Igarapé

US$ 1.535.847

Nossas Cidades

US$ 1.197.482

INESC-Instituto de Estudos Socioeconômicos

US$ 1.132.864

Instituto de Defesa do Direito de Defesa (IDDD)

US$ 1.103.595

Fórum Brasileiro de Segurança Pública

US$ 1.047.915

Baobá – Fundo para Equidade Racial

US$ 999.995

Anistia Internacional Brasil

US$ 975.000

Associação Artigo 19 Brasil

US$ 840.000

Total Geral

US$ 32.690.212

 

Por essa razão, não poderiam reconhecer o óbvio que a partir de 2019, com a assunção do novo governo, houve uma mudança na política de combate à criminalidade e, mesmo com a mudança de Ministros da Justiça, o objetivo prometido na campanha - de uma atuação conjunta das polícias, com base na inteligência, e o combate incessante ao crime, principalmente, o violento e organizado  - está sendo observada até os dias atuas, como bem demonstram o episódio de Varginha/MG[2] e a recente atuação da Polícia Federal no RJ, visando prender chefes de uma franquia de conhecida Organização Criminosa carioca, por ser a cidade hoje porto seguro[3] para a criminalidade em virtude das decisões do STF restringindo a ação da polícia nas favelas lá existentes.

Claro jamais poderiam assumir isso, porque, considerada sua parceria, são regiamente pagos para defender ideias diferentes do povo que elegeu o atual governo, na realidade defendem, subliminarmente ou nem tanto, pautas comuno/socialistas bem ao gosto de conhecido mecapitalista, proprietário da Ong.  Logo tem de procurar explicações diversas, ou seja, isso não causou nenhum impacto, as causas são outras.

Intelectuais ungidos como descreve a epígrafe, criam suas teses sem qualquer preocupação com o mundo externo, com a realidade que as ruas mostram e a população está vendo, necessitam garimpar outros motivos para o fenômeno, embora os que encontrem sejam mais falsos que pirita, o famoso ouro dos tolos.

Tal ideologização de um trabalho estatístico, que deveria ser sério, pois apontaria os rumos do combate à violência no Brasil, é preocupante. Ideologizado como é somente serve para causar distorções, como as que estamos vendo nas decisões oriundas do STF na ADPF 635 (grande parte da prova que embasa as decisões são esses trabalhos e artigos escritos por seus autores[4]) e, serve igualmente, para os contumazes ‘especialistas’ viverem a dar pitacos na ex-imprensa na tentativa de convencer a população de mitos sobre segurança, que são verdadeiras aberrações e não se sustentam ante qualquer confrontação com a realidade.

Afrontar a realidade costuma cobrar seu preço, normalmente recheado de sangue, de vidas perdidas, de famílias desfeitas, ou seja, daquilo que nas últimas décadas levou o Brasil a ser um dos países mais violentos do mundo.

Segundo os nossos ideológicos pesquisadores: as causas dessa diminuição seriam: 1) a deterioração da qualidade dos registros; 2) o aspecto demográfico com a diminuição da população jovem; 3) a introdução de políticas e ações inovadoras por vários Estados; 4) o estatuto do desarmamento que freiou a escalada dos homicídios a partir de 2013; 3) a pax mafiosa.

Como viram no subtítulo a presente análise precisa ser feita em capítulos, sob pena de ficar interminável a crônica, portanto, paciência caros leitores, analisarei as causas apontadas em semanas vindouras.

Até lá fica a constatação, seguindo a cartilha da esquerda engajada na guerra cultural, baseada em Gramsci, Escola de Frankfurt etc., adoram ressignificar o sentido das palavras, coisas e ideias como se o sentido fosse o que eles querem e não o verdadeiro. Essa prática lembra um personagem do mundo fantástico:

“’Quando uso uma palavra’, disse Humpty Dumpry, num tom desdenhoso, ‘ela significa exatamente o que decido que significa, nem mais nem menos’. ‘A questão é’ disse Alice, ‘se é possível fazer as palavras significarem tantas coisas diferentes’. ‘A questão é’, disse Humpty Dumpry, ‘quem é que manda: isso é tudo’.” Humpty Dumpry[5] em Alice através do espelho.  


 

Que Deus tenha piedade de nós!..



[2] https://www.tribunadiaria.com.br/ler-coluna/1205/bandidolatria-e-a-guerra-cultural.html

[3] https://www.tribunadiaria.com.br/ler-coluna/1232/qgc.html

[4] Guerra à Policia: reflexões sobre a ADPF635. Editora E.D.A.: Londrina, 2021, 1ª Ed.: págs. 28/30.

[5]https://pt.wikipedia.org/wiki/Humpty_Dumpty 

 

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