A NEVE E O NARIZ

Não meta a navalha onde não foi chamado.

Por DIOGO SIMAS 12/01/2022 - 13:11 hs

Tudo era noite.
Mas havia luz.
A luz, parca e fraca, em um ato de resistência, entrava pelas frestas da cortina.
Um leve calor.
Abro os olhos.
Levanto.
Olho-me no espelho.
Espalho o creme de barbear pelo rosto.
Tudo fica belo e calmo e a escuridão dá lugar ao branco de neve.
Navalha.
A neve se vai e cada pêlo ceifado pela navalha e levado pela água é ido e não mais virá.
Dor.
Pensei na efemeridade da vida, na futilidade da vaidade, em como tudo se esvai no tempo.
Eu pensei em mim, eu pensei em ti... Eu chorei por nós.
Foi nessa hora que cortei o nariz.





P. S.: Esse texto é baseado em um texto que li há muito, mas não lembro onde e nem o autor.