NÃO EXISTE MALDADE "DO BEM"

Sobre a necessidade de diálogo honesto e de debate franco.

Por Eduardo Vieira 19/01/2022 - 13:26 hs

Alerta: texto difícil, para adultos. Leia por sua conta e risco.

Estou há bastante tempo sem escrever e reduzi muito minha participação em lives. Isso ocorreu em parte por conta do Covid, que me pegou levemente às vésperas de uma cirurgia e aproveitei para tirar umas férias desse ambiente que muitas vezes fica difícil de aturar.

Nesse período observei o crescimento de uma briga das mais deprimentes que acompanhei nos últimos anos. E é por isso que me afastei de qualquer pretensão política e pretendo me manter assim. Simplesmente não vale à pena no cenário atual de sistema político-partidário. Não estou disposto a entrar nesse lamaçal mais uma vez. Aos que tem tal disposição e tem a fortaleza moral e intelectual para se manter limpo e honesto desejo força e sorte. Mas adianto que são indesejados pelos sistema e terão duras dificuldades. Mas o texto trata de outra coisa, vamos a isso.

Há dois anos eu observei com tristeza a queda do excelente Roberto Alvim e acompanhei entristecido a reverberação pela direita de toda a narrativa construída pelos inimigos do conservadorismo. Foi uma ocasião desconfortável onde tive que me posicionar contrariando a maioria dos amigos e apoiadores, que engoliram a maldade com anzol, linha e bóia, incapazes de compreender que não existe maldade do bem. Toda maldade é maléfica, é ruim, é falsa e tem um dono sulfuroso por trás.

Nesse mês venho acompanhando desgostoso a evolução do caso dos Weintraub e a falsa oposição ao ministro Tarcísio. As similaridades com o caso Alvim são grandes demais para as ignorar. A situação é parecidíssima e minha posição, evidentemente, é a mesma. Estarei sempre do lado oposto das narrativas construídas em cima de ilações e distorções de contexto e sempre estarei disposto a aguardar até que os elementos fundamentais do caso estejam claros e públicos.

Infelizmente a maioria da direita não tem essa noção de prudência. Correm, muitos, ávidos a entrar de cabeça na "treta da vez". Como se fossem personagens da novela das seis a nossa turma recebe sua dose de dopamina embarcando na fofoca mais mirabolante apenas porque alguns influenciadores (vários deles oportunistas) correm para manipular o caso e extrair dele o máximo de benefícios, qual vampiros frente a uma donzela enfraquecida e assustada. Ou mesmo, talvez a donzela tenha um interesse malicioso associado à fraqueza, e geme tanto de medo quanto de expectativa da mordida que virá. Vai saber? Não tenho dúvida que tal descrição se mostre verdadeira para alguns, infelizmente. Graças a Deus, não para todos.

Esses influenciadores tem me causado uma certa dose de ira, sinceramente. As cambalhotas que tenho visto para justificar narrativas bizarras são risíveis. Mas a maioria do povo não está preparada para trocar a precipitação pela prudência, especialmente depois que já entregaram sua confiança a tais influenciadores. O mais provável é que virem as costas a mim, pois é mais fácil fazer o mar virar sertão que convencer alguém que foi enganado e manipulado. Ainda mais quando a alavanca de manipulação é tão atraente quanto a do "apoio incondicional ao presidente".

Aos que tiverem a capacidade de ao menos ler essas linhas sem se sentirem ofendidos, observem atentamente quais desses influenciadores são pré-candidatos. E observem a seguinte lógica: apoiar o presidente gera imediatamente aplausos e incensamento. Todo mundo quer embarcar na nau da vez, recebendo pontinhos de "conservador". É simplesmente irresistível. Mas permite que até os honestos se precipitem. Já os safafos mergulham de cabeça. Assim é a realidade.

Agora venham comigo numa ilação que julgo bem conveniente, e foi fruto de algumas conversas com o amigo Gustavo Reis. Imaginem que o presidente, para governar, foi obrigado a abrir mão de diversos pontos fundamentais da sua agenda de governo original. Imaginem que o establishment olha com bons olhos a atuação federal no campo da infraestrutura (não perturbando o excelente trabalho do excelente Tarcísio) mas não tolera de forma alguma que mexam no que sabem ser a espinha dorsal da sua permanência no poder: a cultura e suas decorrências. Sabendo acertadamente que se peitasse o monstruoso mecanismo brasileiro de forma ingênua seria rapidamente defenestrado, nosso presidente decida fazer o que é possível ao invés do que é ideal. Conservadorismo na veia, digo desde já. Quem acredita em unicórnios está mais perto do PSOL do que seria saudável. Dentro desse leque de possibilidades estão algumas alianças duras de engolir mas necessárias. Uma delas inclui o malfadado ministério da Saúde. Explico aqui:

Quem tem olhos para ver terá percebido que a Saúde sempre esteve em direção contrária àquela pretendida pelo presidente. De Pernettas até essa porcaria do QueDroga sempre tivemos ministros que mereceram desdém e críticas presidenciais, com exceção do general, que freou algumas barbaridades e acabou sendo defenestrado. Posso garantir que o presidente não se chateia quando eu critico o ministro. Muito menos se chateia quando eu falo dos riscos e benefícios das picadas. Ele não se aborrece com a verdade.

Em outras frentes de combate fizeram-se necessárias retiradas estratégicas, sempre muito desagradáveis e para mim então, nem se fala. Tivemos recuos graves na Cultura, que agora está de novo em boas mãos. Tivemos recuos no Ensino, grandes recuos, desde a saída do Weintraub. Que não foi perfeito mas foi muito melhor do que o que temos agora. Tivemos a triste saída do excelente Ernesto Araújo, o melhor chanceler da nossa história recente sem nenhuma sombra de dúvida.

Em todos esses recuos pudemos observar que os conservadores reclamaram, fiéis aos seus (nossos) princípios. Alguns foram mais  duros, outros mais moderados, como é de se esperar. Ao mesmo tempo surgiam, para TODOS esses casos, narrativas denegrindo esses indivíduos, inclusive sugerindo traições e barbaridades tão incoerentes que fariam corar um bêbado na sarjeta. 

Mas como tais narrativas foram embaladas na cápsula mágica do "apoio incondicional" muita gente comprou e tem gente que acredita hoje que o professor Olavo de Carvalho, por exemplo, é um agente da esquerda, do globalismo, do Putin ou dos reptilianos, dependendo de que fonte estragada estão bebendo.

E aí entra outro aspecto, que tem mais a ver com vaidade que com falha intelectual brutal. As pessoas que não gostavam particularmente, por exemplo, do que conheciam do professor Olavo, aproveitaram esse tipo de narrativa para fazer ataques bizarros, se deliciando com a temporária e algo obscena sinergia entre os interesses dos anti-conservadores que criaram essas historinhas e as suas próprias preferências pessoais. Mas repito, não existe maldade do bem. Esses foram usados e enganados. É triste mas é verdadeiro.

E o pior é que nada disso ajuda o presidente, muito pelo contrário. A existência de uma eventual pré-candidatura do Tarcísio e do Weintraub só pode ser considerada benéfica para a direita. Tal frente política mais conservadora pode influenciar positivamente na hora dos acertos e alianças que estão sendo costuradas nesse momento. Para garantir que o evidente benefício de mais uma voz conservadora num mar repleto de Janaínas, que ainda enganam conservadores, por incrível que possa parecer, não apareça, os aliados do sistema trataram de criar o seguinte espantalho: Weintraub vai se candidatar contra o Tarcísio, dividindo a direita e garantindo a entrada dos candidatos de esquerda. Bom, isso é uma total ilação, tão vazia nesse momento quanto a cabeça da Dilma. Mas tem influenciador empurrando essa estrovenga para diante e tem muita gente boa caindo na esparrela. É triste mas também é verdadeiro.

E não adianta nada o Tarcísio desconversar sobre sua candidatura. Também não adianta o Weintraub dizer com todas as letras que quer colaborar e que o cargo não é importante. O que importa é que o espantalho já foi comprado e agora deve ser defendido com todas as forças. Achou isso similar às narrativas esquerdistas diversas, de pauta identitária até ideologia de gênero? Achou certo porque pertencem à mesma estrutura. Mais tristeza, mais verdade.

Se vocês chegaram até aqui vocês são heróis. E muitos de vocês talvez estejam aborrecidos comigo, sentindo o desconforto de um leve despertar. Se for o caso, fico feliz. Pensem no que disse e lembrem-se de que são próprios do conservador a cautela, a prudência, o ceticismo. Apliquem isso e tenham mais paciência.

Da mesma forma, ajudem o presidente de fato e parem de chamar de traidores nossos grandes aliados. Isso é tolice demais, é inaceitável, é indigno de nosso nível intelectual e moral. Me refiro aqui aos conservadores, ao Alvim, ao Allan dos Santos, aos Weintraub, ao professor Olavo, ao Ernesto, ao príncipe, ao Douglas Garcia, a tantos que estão nas nossas trincheiras, engrandecendo nossa luta.

Não dá para aturar a incoerência dos que berram, babando, para que "parem de dividir a direita" enquanto chamam todos os que pensam de forma diferente de vermes traiçoeiros. 

Termino dizendo que o leitor atento observará que esse texto não defende a candidatura de ninguém. Defendo sim a liberdade, a necessidade de diálogo honesto e de debate franco.

E digo e repito. Não estou aqui para ser amiguinho de patotinha nenhuma. Estou aqui pela Verdade e nada mais. Sempre defenderei a liberdade de expressão e não tolerarei simplistas incoerentes que tentam suprimir o debate e tentam impor uma visão estreita de mundo. Me contem fora desse trem.

Apóio o nosso querido presidente Jair Bolsonaro e farei campanha por ele, angariando apoiadores e trabalhando para remontar pontes destruídas.

Obrigado pela atenção. Deus acima de todos.