A VERDADEIRA GUERRA

Ou: como a desinformação molda o mundo

Por LUIZ MARCELO BERGER 01/03/2022 - 11:16 hs

  

Essa semana temos mais uma estreia especial.

Vivemos em uma época estranha, na qual é preciso ter coragem para dizer o óbvio. Poucos serão tão corajosos quanto o nosso mais recente colunista.

A partir de hoje, o Marcelo Berger guiará os nossos leitores quinzenalmente, pelas tortuosas trilhas das análises jurídicas e políticas, sempre com o humor aguçado, apontado cirurgicamente para o alvo - uma de suas marcas registradas.

Certamente será uma boa leitura!

 

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Notícias se sucedem como vagalhões em um mar revolto. De forma implacável, a mídia bombardeia com manchetes garrafais o assunto do momento que, em geral, é o mesmo para quase todos os veículos de comunicação. Basta um olhar um pouco mais detalhado para perceber que até mesmo as chamadas são praticamente iguais, muitas vezes incorrendo até nos mesmos erros de linguagem. O assalto à mente das pessoas é visceral, gráfico e incessante. Neste exato momento, por exemplo, todos os meios midiáticos estão direcionados exclusivamente ao mesmo tema: o ataque militar da Rússia contra a Ucrânia.

 

“Especialistas” desfilam em estúdios e redações da mesma forma que bandas quando se apresentam ao respeitável público. Como em procissão, cada um tentando atrair mais a atenção do que a outro. Diferentemente das bandas, cujo compromisso termina com a execução da música, é frequente encontrar relatos e comentários com pouca, ou muitas vezes, nenhuma preocupação com a veracidade dos fatos, limitando-se a repetir frases pré-fabricadas cujo profundidade analítica é equivalente à de um prato raso. O que importa é conseguir a atenção da audiência de qualquer forma através do expediente universalmente usado que é magnetizar as pessoas pela emoção. O conhecido ditado “uma imagem vale mais do que mil palavras” nunca se revelou tão verdadeiro.