GRITOS DE LIBERDADE

A lição farroupilha aos enfatiotados

Por Lorena (Duquesa Bessières D´Ístria) 05/03/2022 - 18:49 hs


Hoje compartilho o poema "Gritos de Liberdade", que considero uma obra prima do regionalismo gaúcho e do separatismo sulista.

 


 

 

A Guerra dos Farrapos (ou Revolução Farroupilha) durou dez anos – 1835 a 1845 – e foi protagonizada pela pequena população do estado mais austral do país, quando assumiu os riscos de entrar em guerra contra uma das maiores potências do mundo: o Império do Brasil.

 

Os rebeldes chegaram a vencer o Brasil em campo de batalha. As crônicas da época destacam a coragem dos farroupilhas, lutando com inteiro destemor e sentimento de paridade bélica contra o exército imperial.

 


 

As tropas farroupilhas não tinham infantaria, nem artilharia razoável, o que deixava os rebeldes em inteira desvantagem diante de cidades fortificadas como era o caso de Porto Alegre.

 

Entretanto, havia uma grande adesão de coronéis e generais, detentores de reverência moral dos seus comandados. A cultura sul-rio-grandense tinha um traço feudal forte, que garantia a extrema lealdade dos vaqueiros em relação aos seus patrões, permitindo aos estancieiros o domínio de tropas particulares bem dotadas, confiáveis, com pesada carga de cavalaria, sob comando direto deles mesmos.

 

Jayme Caetano Braun, estimado poeta gaúcho, expressou bem essa característica feudal-nobiliárquica, ao escrever sobre Bento Gonçalves:

 

“Veneramos tua espada

como relíquia de glórias

pois foi pincel da história

que tracejou nosso mapa,

e esta indiada, pronta e guapa

que te olha com reverência,

é da mesma descendência,

da velha estirpe farrapa”

 

Cada um desses pequenos exércitos era livre para fazer acordos militares entre si, com estancieiros estrangeiros, ou até mesmo com os comandantes do exército oficial local.

 

A cavalaria gaúcha ficou imortalizada em textos nacionais e estrangeiros, pois era de um estilo único, forte, quase selvagem, herdeira das técnicas de doma e condução charruas, mas com armas castelhanas, perfeita para a guerra de guerrilha. Além disso, os cavaleiros gaúchos tinham amplo conhecimento do território, o que lhes conferia uma mobilidade muito acima da média em relação a qualquer exército.

 


 

Havia a nítida presença da Carbonara, da Maçonaria Florestal, o apoio de várias lojas da Grande Oriente e uma incrível mobilização dos imigrantes italianos. Destacavam-se os liberais, os militares e os donos de terras. Nas regiões de colonização alemã, havia uma adesão quase nula aos ideais farroupilhas.

 

A determinação gaúcha entrou para a história: influenciou a Revolução Liberal (São Paulo, 1842), a Revolta da Sabinada (Bahia, 1837), estimulou conexões diplomáticas e acordos econômicos em todo o Cone Sul, aliando a recente República do Rio da Prata, províncias independentes argentinas e os estados do sul do Brasil. Em terras catarinenses, havia bases do litoral (Laguna) ao planalto (Lages), culminando com a proclamação da república de Santa Catarina Livre (ou República Juliana).

 

Apesar da frequente tentativa de ridicularização dos costumes gaúchos, pelas mídias centrais, aquele povo campeiro do extremo sul do mundo, que sustentou por dez anos uma guerra contra o continental Brasil, virou filme, livro, desenho animado, moda de roupa, ilustração em carta de baralho, quadro pop, capa de disco, estampa de bolsa.

 

O Tratado de Poncho Verde, Convenção de Poncho Verde ou Paz de Poncho Verde ou Ponche Verde (versão que prefiro usar) pôs fim à Guerra dos Farrapos em 1º de março de 1845. Dentre os termos, constavam a anistia total aos farroupilhas, a incorporação dos oficiais farroupilhas ao exército imperial, libertação dos escravos que haviam lutado ao lado dos farroupilhas; devolução das terras confiscadas dos rebeldes; diminuição dos impostos naquela província e mais força política da Assembleia Provincial.

 

Apesar da vitória diplomática, a data mais comemorada no Rio Grande do Sul é o 20 de setembro (de 1835), que marca o início da guerra, pedra angular da cultura gaúcha.

 

Feita a contextualização, segue o poema "Gritos de Liberdade", do Grupo Rodeio. Abaixo do texto, o vídeo, para quem quiser escutar a canção.