O RECADO DE TOMÉ DE SOUZA

Ou: sobre buscar a terra firme

Por Lorena (Duquesa Bessières D´Ístria) 20/03/2022 - 17:19 hs

Imagem: primeiro brasão concedido a uma cidade brasileira, em 1549, referente a Salvador, Bahia.



A heráldica brasileira evoluiu de maneira lenta, carente de técnica e de documentação apropriada. Ao longo do assim chamado período colonial - entre 1500 e 1822 - houve concessão de poucas armas.

 

Durante essa mesma época, já estava consolidado na Europa – inclusive na metrópole portuguesa – o hábito de cidades e vilas utilizarem armas para compor e expressar a sua identidade. As armas poderiam ser recebidas ou adotadas.

 

Em território brasileiro, ao longo de aproximadamente duzentos anos, somente seis cidades foram brasonadas: Salvador (1549), Rio de Janeiro (1565), Belém (1616), São Luís (1647), Vila Bela em Mato Grosso (1715) e Vila do Bom Jesus de Cuiabá (1727).

 

O primeiro brasão a ser concedido, referente à terra soteropolitana, tem escudo ibérico (horizontal na parte superior e ovalado na parte inferior), esmalte verde (em heráldica chamado de vert ou sinopla) e a figura de uma pomba branca com um ramo de oliveira, escolhida por Tomé de Souza, fundador da cidade. O mote (lema ou divisa) é Sic illa ad arcam reversa est, ou seja:  "Assim ela (a pomba) retornou à arca".

 

A figura e o mote constituem referência à famosa passagem bíblica, na qual Noé (Noach), após o dilúvio universal, soltou uma pomba e ela retornou com um ramo em seu bico, indicando que era possível acessar a terra firme.