DIA MUNDIAL DA LIBERDADE DE IMPRENSA

Como sustentar democraticamente uma mentira

Por Lorena (Duquesa Bessières D´Ístria) 03/05/2022 - 21:29 hs

A Assembleia Geral das Nações Unidas – democraticamente fofa, como sempre – resolveu no começo da década de 1990, que todo dia três de maio seria comemorado o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa – com entrega de prêmios aos jornalistas de países “em desenvolvimento” e tudo.

 

O silêncio da mesma assembleia sobre regimes ditatoriais, genocidas ou simplesmente “semi democráticos” é um mero detalhe, um cisco no olho, um rabisco daqueles que saem sem querer nas folhas de rascunho e desaparecem quando os textos são editados – mas que a gente não esquece, porque o ser humano ainda tem alguma memória, embora não seja um elefante ou uma jubarte.

 


Na terra das palmeiras e sabiás – que sabem assobiar, mas preferem ficar quietos, antes que algum bicho desça do planalto com uma ordem ilegal ou pergunta indiscreta –, a imprensa parece perfeitamente livre. Tão livre, que os jornalistas podem até noticiar os fatos e emitir comentários – sem muitos compartilhamentos nas redes sociais, para evitar que os perfis dos editores e as páginas do jornal sejam bloqueados por gerar estardalhaço, o que seria uma tremenda falta de polidez.

 

Em meio a tanta liberdade, as patrulhas digitais nos fazem a gentileza de confirmar a veracidade dos fatos (o bom senso dessa galera é incrível – não crível, mesmo), nos poupando o trabalho de questionar a notícia. Tudo muito bem intencionado e dentro da legalidade – muito mais legal do que o menor que carregava jornais na estação de trem e passava o dia gritando a manchete do dia.