CELEBRAÇÃO DA PAIXÃO E MORTE DE CRISTO

Sacramento (sinal real e sensível) da Paixão

Por CARTAS DO PADRE JESUS PRIANTE 22/05/2022 - 08:30 hs

 

CELEBRAÇÃO DA PAIXÃO E MORTE DE CRISTO:  O acontecimento salvífico que celebramos na tarde da Sexta Feira Santa não é uma “comemoração", como costumamos dizer, senão sacramento (sinal real e sensível) do drama, trágico e sublime, da Paixão e Morte de N. S. Jesus Cristo. Seu realismo é confirmado pelo seu ritual. Nesse dia não se celebra a Eucaristia como de costume, pois é celebrada originalmente, com duração de três dias, desde à tarde da sexta-feira até o amanhecer do domingo. Também, neste dia da Sexta Feira Santa, e só neste dia, Cristo cravado na cruz, é adorado e não apenas venerado como no resto dos dias do ano, mostrando o realismo singular (fato irrepetível) da Paixão e morte de Cristo, como se nos revela na carta aos Hebreus: Dado que os homens morrem uma só vez, da mesma maneira, Cristo se sacrificou uma só vez para termos a Vida Nele (Hb. 9,28).

 

A mesma lógica nos leva a dizer na Eucaristia: Anunciamos (tornamos presente) a morte e a Ressurreição de Cristo, enquanto esperamos Sua volta, rege também a Sexta-Feira Santa, na qual, de maneira real e irrepetível, tornamos presente Sua Paixão e Morte. A imagem do Crucifixo, como o pão e o vinho na Eucaristia, torna-se Corpo de Cristo entregue e incorporado a nós. Infelizmente, quebramos este realismo ao receber nesta tarde, na mesma celebração da Paixão e da Morte de Cristo, o pão eucarístico, que é como receber seu cadáver ou um pão ainda não transformado pela sua Ressurreição.

 

Mais uma vez cumpre-se a tese acima anunciada: o amontoado das celebrações e dos ritos sacramentais encobrem a grandeza e beleza dos mistérios que nos brindam.

 

A narrativa da Paixão e da morte de Cristo se faz carne, fato histórico, se em todos os episódios evangélicos, afirma Santo Inácio de Loyola, nos imaginarmos realmente presentes, e de maneira mais singular na proclamação, nesta tarde, deste drama que encarna nossa existência e a história do mundo. Não é só Cristo que sofre e morre na cruz, mas a humanidade e toda a Criação com Ele, assim como, na Sua Ressurreição, todos seremos glorificados Nele. Cristo é o universal concreto da Criação. Na Sua morte, morre a morte e o pecado do mundo e, na Sua Ressurreição, somos divinizados.

 

A Encarnação de Deus em Jesus de Nazaré fundamenta o mistério da nossa Salvação que na Páscoa se revela e se faz presente, ao mesmo tempo em que se prolonga em cada um de nós e no mundo até o fim dos tempos. Mas, porque Cristo encarnou nossos pecados, dores e mortes, na sua Paixão e morte, todos seremos vitoriosos. Não estamos sós a sofrer nosso câncer ou nossa morte. Cristo sofre em nós e nós Nele. Se tivéssemos esta Fé, nossa existência, de per se trágica e angustiante, seria revestida de feliz esperança.

 

Salientamos nesta memorável Sexta-Feira Santa, que com toda verdade a língua inglesa chama Good Friday (Sexta-Feira Boa ou Plena), pois Deus nos poupa do pecado e da morte, o sacramento da Cruz.

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Continua no próximo artigo:

SINAL DA CRUZ

 

 

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Padre Jesus Priante. Espanha. Edição e intertítulos por Malcolm Forest. São Paulo. Copyright 2022. Padre Jesus Priante. Compartilhe mencionando o nome do autor.

 

 

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