PARA AGRADAR A TURBINHA,

digo, turminha...

Por ADRIANO MARREIROS 10/05/2022 - 19:25 hs

Quantas chances desperdicei

Quando o que eu mais queria

Era provar pra todo o mundo

Que eu não precisava provar nada pra ninguém

Legião Urbana

 

É quase sem querer que o jovem, querendo ser diferente, resolve fazer tudo conforme a turba que ele quer agradar.  Sim, turba, pois ela só será turma até o momento em que você discordar e assim a chamarei doravante.  Por isso que é QUASE sem querer.  Ele quer aceitação, acolhimento, mas disfarça como se não fora isso...

Lembro que, quando escrevi uma tal carta a pedido do JOTA, site hoje bem lacrador,   aconselhei aqueles jovens a servirem, em primeiro lugar, ao Povo, e que sua lealdade seria a ele.  Lembrei que muitos, ao ingressarem na faculdade de Direito ou em carreiras jurídicas, adotam um estranho rito de passagem consistente em ser necessariamente contramajoritário para mostrar que não é mais uma pessoa comum, aliás, chegando a mostrar desprezo sobre o senso comum.  Quer dizer, contramajoritário... mais ou menos.  Contramajoritário em relação ao Povo, à maioria das pessoas, que ele agora considera uma plebe ignara, uns sans culotte, uns muggles: ele não tem a coragem pra ser contra a maioria da sua turbinha.

Falei da veste branca e preta com capa da Universidade de Coimbra, um belo rito de passagem.  Lamento que esse rito de passagem não exista no Brasil... talvez evitasse essa mudança estranha de opinião.  Não...Acho que não...  Acho que, ao menos por aqui, as capas poderiam produzir resultado até pior, criar Márveis e Dicis de um universo paralelo de onde não se vê a realidade deste universo[1], mas com superpoderes que nele funcionam...


Olavo de Carvalho: filósofo, cristão, anticomunista e referência da direita


O professor Olavo, grande filósofo, falava das camadas da personalidade.  Isso não está nos livros, mas no curso dele, então vou recorrer ao belo texto da minha amiga Érika[2] para explicar a camada que explica muita coisa que parecia inexplicável.  Ela lembra que as 3 primeiras camadas da personalidade não merecem maior análise porque tratam das características que já nascem com todo ser humano, sendo que na terceira o homem passa a se entender como um ser autônomo “que tem um mundo ao seu redor, que não gira só para ele”.  Então passa à 4ª camada, onde as coisas se complicam, porque muita gente estaciona nela e não sai mais.  Você já vai entender e lembrar de pessoas assim: quem sabe até você mesmo...  (Já que falei do Olavo, vejo tanta gente falar mal dele sem ter lido um artigo sequer e apenas porque alguém que também não leu criticara: todos, obviamente, manipulados por alguém que leu e não quer que abram seus olhos...  Esses manipulados também estacionaram nela...)

A quarta é aquela em que esse ser autônomo passa a buscar o afeto e o reconhecimento nos outros.  E Érika, após explicar as camadas seguintes, indaga: “por que tantas pessoas ficam na quarta camada?  E ficam mesmo...  Aquilo que citei lá no início é um exemplo.  É fácil lembrar daqueles que mudaram totalmente de opiniões logo que ingressaram na faculdade.  Daqueles que querem “ter um milhão de amigos e bem mais forte poder cantar” .  Daqueles que buscam não contrariar o que chamam de turma, para não ver sua realidade turba, aqueles que mudam de pensamento ou escondem o que pensam dentro de si para não ficar mal com seus pares, por vezes muitos ímpares... Mas os quarta-camadas não percebem.  O quarta-camada se torna um deles, muitas vezes, como o menino rejeitado da primeira versão do filme A Onda (a segunda não é tão boa), que passa a seguir tudo que a turba faz e a censurar e perseguir mais que todos, para mostrar que é um deles.  Mas nunca se esqueçam do momento em que o professor revela quem é o verdadeiro líder do movimento...  Só então percebem que aquela censura, aquela proibição de dizer e pensar certas coisas, aquela perseguição a quem discordava, as acusações de meras palavras prejudicarem o grupo, o movimento, a obrigação de dizer certas palavras e expressões eram próprias dos regimes mais totalitaristas.  Assista o filme, você encontra na internet: é o de 1981: com Bruce Davison, Danny Marmolejo, Lori Lethin e outros.

Aquela experiência feita pelo professor funcionou porque há muita gente na quarta camada.  Mas não só alunos jovens, como no filme.  Na realidade, boa parte das pessoas que nós conhecemos dá mais importância a conseguir aceitação que a pensar com lógica e expressar esse pensamento.  É por isso que o politicamente correto é tão poderoso para manipular pessoas.  É por isso que foram cunhadas expressões vagas como “discurso de ódio”,  que será sempre algo que contrarie a ideologia com poder naquele momento, uma chave mestra que serve para trancar pessoas em prisões apesar de “desencarcerar” bandidos de verdade.  É por isso que conseguem pegar uma expressão tão pouco conhecida como “fake News”, inverter seu sentido e usá-la para controlar as redes por meio de censura e justificando medidas que sempre foram consideradas abusivas, até se chegar nas mais  absurdas ocorridas, por exemplo, com manifestantes no Canadá, ou com o melhor tenista do mundo na Austrália...

E tudo isso só para evitar que haja livre debate nas redes, aquele sem autorização de editores e censores, tudo isso para que só uma parte da  imprensa seja considerada como tal, tudo isso para que só a ideologia possa ser expressa publicamente...  Leiam o artigo do Morgenstern no fantástico livro organizado pela Cláudia Piovezan: O Inquérito do Fim do Mundo: o apagar das luzes do direito brasileiro, da Editora Educação, Direito e Alta Cultura (E.D.A.) e vocês entenderão como foi incrementada artificialmente a utilização da expressão “fake news” que tinha pouquíssimas buscas antes da eleição do Trump e passou a ser uma das mais buscadas poucas semanas depois dela, quando a narrativa para explicar a derrota e prevenir outras foi iniciada.  Foi imperdoável que a verdade fosse diferente da previsão torcida da imprensa mainstream que dizia que Hillary Clinton ganharia de lavada.  A verdade é que Trump venceu em 48 estados: imperdoável.  Mas Morgenstern explica bem melhor que eu.  Seu artigo é primoroso!  Inclusive com dados oriundos do próprio Google.

Personalidade e Pertencimento: Efeitos das Massas em Nossa Individualidade:  Efeitos das Massas em Nossa Individualidade : Ribeiro, Bernardo Guimarães:  Livros — Amazon


Meu amigo Bernardo, em seu fabuloso “Personalidade e Pertencimento”, expõe o politicamente correto “como catalisador da degeneração das relações humanas e de sua principal característica: a autenticidade”, que o ser autêntico é desprezado e que, ao “estabelecer caminhos único e exclusivos” por onde as relações humanas podem trilhar, obsta a manifestação do pensamento, idéias e palavras.  Acaba criando um teatro sem plateia  cujos atores nem sabem nem percebem que estão atuando. 

Lembro quando era criança e os adultos tentavam me convencer de algo sem usar argumentos convincentes: apelando pra usual força da quarta camada e dizendo que as pessoas, os meus coleguinhas, os vizinhos iriam me criticar por dizer ou fazer algo.  Eu sempre dizia “Não estou nem aí, não preciso da aprovação deles”, passando a ser mais sintético depois de aprender algumas palavras, digamos, de baixo calão.  Não que eu não tenha passado pela quarta camada: mas nunca cedi à turba quanto a princípios e ao que eu achava certo.  Não vai ser depois de velho que vou voltar a ela...  Tanto que, como adulto, várias vezes resisti a tentativas semelhantes.

Então, abandone a quarta camada, evolua, seja adulto, creia (como disse o Marx do bem, o humorista) mais em seus próprios olhos do que naquilo que te dizem, mais em seus próprios olhos que naquilo que dizem pra você dizer sob pena de não ser bem aceito na turba.

Que carência toda é essa?!!!

“Você me diz o que fazer

Mas não procura entender

Que eu faço só pra te agradar

Me diz até o que vestir

Com quem andar e aonde ir

Herbert Vianna e Paula Toller.

 

10 de maio:  Como sai no Dia da Cavalaria, nossa “Estrela Guia em negros Horizontes”, minha homenagem a Osório, O Legendário, e a todos os Cavalarianos cuja missão de comandar é fácil!

“Treme perna traidora!  Tremerias mais se soubesses aonde ainda vou te levar hoje! Manuel Luís Osório

(Em vermelho mas no bom sentido: cor da Cavalaria!)

 

 P.S.  Agora o livro 2020 D.C. Esquerdistas Culposos e outras assombrações tem uma trilha sonora com canções e músicas de filmes citados: 




P.S.2: Compre o livro de crônicas aqui: 



 

Crux Sacra Sit Mihi Lux / Non Draco Sit Mihi Dux 
Vade Retro Satana / Nunquam Suade Mihi Vana 
Sunt Mala Quae Libas / Ipse Venena Bibas

(Oração de São Bento cuja proteção eu suplico)