FALÁCIA DAS CHACINAS.

As mentiras deslavadas não cessam!..

Por SILVIO MUNHOZ 12/05/2022 - 21:27 hs

“Quase tudo que foi dito na matéria [...] está equivocado. Primeiro é incorreto, inaceitável, inapropriado e ofensivo usar o termo chacina nesse contexto. Conheço a operação do jacarezinho no detalhe, aquilo não foi uma tragédia como descrito [...] foi uma operação judicial para cumprir mandados judiciais e a operação foi vazada com antecedência, os criminosos se prepararam, estavam com armas de guerra, receberam os policiais de fuzil atrás de casamatas, um policial saiu do carro levou um tiro na cabeça e morreu na mesma hora. Os policiais civis que foram no jacarezinho enfrentaram uma situação de guerra, aquilo de forma alguma pode ser chamado tragédia ou de chacina”. Roberto Motta[1]

         Durante a semana publiquei no meu Facebook uma matéria de um repórter da Jovem Pan (uma das exceções em nossa imprensa, embora esta matéria, específica, possua viés) e sobre a matéria foi pedido o comentário do Roberto Motta, que, dentre outras coisas, falou o contido na epigrafe.   

            Quem está certo? O relatório reportado na matéria ou o comentarista?

            Não deixarei vocês no suspense, com certeza o comentarista. Resolvi fazer essa crônica para revelar e explorar os dados do relatório[2] do chamado grupo GENI (Grupo de Estudos de Novos Ilegalismos) da UFF (Universidade Federal Fluminense) e mostrar o viés do qual está permeado (possuem vários relatórios, no futuro analisarei outros, hoje falo só do mencionado na reportagem).

            Começa com a utilização inadequada da expressão CHACINA, já falei em outra crônica[3], é um termo apropriado pela esquerda radical brasileira para atacar a Polícia e, para tanto, utilizam-se de uma manipulação semântica, dando ao termo um significado diferente. CHACINA é sinônimo de MASSACRE[4], quando alguém pega pessoas desarmadas, mais fracas, indefesas e, aproveitando-se do fato, realiza uma carnificina, matando-os sem dó nem piedade. Tal fato revela o total desprezo pela vida humana a total insensibilidade de quem executa tal crime.

            No Rio de Janeiro é possível citar uma CHACINA, recente, quando membros de uma ORCRIM (não costumo citar o nome para não dar moral) mataram três meninos, impiedosamente, porque teriam se apropriado do passarinho de um “chefete” da organização, fato que ficou conhecido como o caso dos Meninos Passarinho[5]. Isso é uma chacina...

            Diferente de COMBATE que, como o próprio dicionário Aulete define em uma das acepções, é: COMBATE: confronto entre policiais e traficantes[6]. Desta forma, só o fato de chamar COMBATE/CONFRONTO de chacina já bem demonstra o viés do relatório que faz parte da chamada “guerra cultural ou marxismo cultural”, que é a forma como é tentada a tomada do poder pelas esquerdas, atualmente, sem jamais esquecer o que pregaram vários teóricos do Marxismo, “a revolução é permanente”...

            Quanto aos dados apontados, segundo o relatório, no período entre 2007 e 2022  ocorreram no Rio de Janeiro 17.929 operações policiais das quais – com dolo e viés – dizem que 539 constituiriam “chacinas” causando 2.371 mortes, aí para impactar – velho truque que se faz com números – maximizam, dizendo 01 morte a cada 09 dias (na foto consta 01 chacina a cada 09 dias, mas a matéria aos 35 segundos fala em “morte e não chacina”).

             Outra característica de quem analisa números com viés ideológico, além da costumeira manipulação semântica, é só dizer os números que julgam prejudiciais a quem querem demonizar, no caso, a polícia. Como se diz lá na fronteira, só contam da missa a metade. Se é que chegam a contar a metade.

            Ao invés de 15 anos, como usaram, vamos analisar os dados de 10 anos –  amostragem razoável estatisticamente - (o Anuário Brasileiro de Segurança Pública/2021[7], cujos dados usarei sobre as mortes no RJ, só contempla a partir de 2011, o relatório não diz de onde pegam os números). Quanto às mortes por intervenção do agente de Estado no Rio de Janeiro (o anuário não os lista) usarei os dados do ISP[8] (Instituto de Segurança Pública, fonte aceita pelo GENI, pois usados em outros relatórios).

            Consoante os dados do Anuário (pág. 20, na linha relativa ao RJ) entre 2011 e 2020 foram mortas no Estado do Rio de Janeiro 50.284 pessoas... Segundo os dados do ISP, no mesmo período, 9.232 ocorreram em decorrência da Intervenção de Agentes do Estado. Mas para o GENI, a polícia do RJ é a mais violenta do planeta (mais violenta que a polícia de todo os EUA, abordarei esse absurdo em outra crônica). Vamos colocar os números em pratos limpos. Do total de mortes ocorridas no RJ em 10 anos somente 18,3% pode ser atribuída à Polícia, ou seja, os restantes 87% de pessoas mortas no Estado são culpa e responsabilidade da BANDIDAGEM... Mas a polícia é violenta... Percebem o DESVIRTUAMENTO dos dados, o VIÉS.

            Usemos a estratégia que usam (a polícia mata 01 a cada 09 dias), peguem o número de 41.052 (total de mortes 50.284 - 9.232, as atribuídas a Polícia), dividam por 10 anos = 4.105 (média anual de mortos no Rio de Janeiro, fora os imputados aos policiais) e, após, dividam esse número por 365 dias = 11,24 por dia são os mortos pela bandidagem, mas claro a violência dos “MANOS” não pode ser revelada, precisa ser escondida, pois são pobres vítimas da sociedade, “pequenos empresários” - eufemismo usado para traficantes por alguns “intelectuais orgânicos” cariocas.

            Sem contar o aspecto que quase todos os mortos em decorrência da intervenção policial decorrem de COMBATE, CONFRONTO. O mesmo pode ser dito dos assassinatos dos  “Manos”, ou muitos são chacinas como as dos meninos passarinhos ou para “roubar o celular” do trabalhador que o paga em longas prestações com o fruto do suor do seu trabalho (e há quem ache um absurdo prender esses criminosos)...

            Quanto a Jacarézinho, vejam o resumo da operação:participaram 294 Policiais Civis, realizadas 07 prisões, apreendidos 16 (dezesseis) pistolas, 09 (nove) granadas, 05 (cinco) fuzis, 02 (duas) espingardas, 01 (uma) submetralhadora, 01 (uma) ogiva de canhão, além de carregadores, cerca de 4,2 (quatro vírgula dois) quilos de entorpecentes e radiocomunicadores”. Morreram 28 pessoas, 01 policial e 27 bandidos. A pergunta que não quer calar é ou não um despropósito chamar de “chacina”? Será que houve confronto?

            Tanto houve que, dos inúmeros expedientes abertos para investigar, a grande maioria foi arquivado, em grande parte por existir prova material de CONFRONTO, como dito em um deles: “A perícia de local, realizada na residência em que o fato aconteceu, concluiu que ‘os achados analisados são compatíveis com a ocorrência de confronto armado no local[9]. Arquivamentos já confirmados judicialmente.

            Dos 294 policiais participantes do evento foi ofertada denúncia contra 03, pois o Ministério Público entende que pode haver excesso na atuação deles, desfigurando a legítima defesa ou estrito cumprimento do dever legal (excludentes que sempre abrigam a atuação policial quando inocorrente excesso), mas não significa que sejam culpados, ocorrerá uma instrução, após o caso será ou não remetido ao Tribunal do Júri, na eventualidade da existência ou não de prova e, caso enviado a julgamento, ao Povo Fluminense é que caberá a palavra final para dizer se são culpados ou inocentes.

            Ainda, segundo o relatório do GENI, a grande culpa dessas “chacinas” é do BOPE e do CORE, pois sempre que um participa de uma operação “há uma possibilidade maior de se transformar em chacina” e quando participam juntas da ocorrência essa probabilidade é 6x maior. Essa é outra afirmação absurda, inaceitável, imprópria, desonesta e que merecia uma ação civil de indenização (expressei esse sentimento ao Delegado responsável pelo CORE). Vejam a malícia, os autores do relatório sabem – como qualquer cidadão do RJ, e até de fora desde que conheça o mínimo de segurança pública – que tais grupamentos não são chamados para cumprir mandado judicial na Barra da Tijuca, para cobrir o roubo de bicicleta no Leblon ou  ocorrência de violência doméstica em Copacabana. Somente são chamados quando “o bicho vai pegar”, quando precisam dar cobertura para alguma atividade que será realizada em áreas de conflito dominadas pelo tráfico e as chances de ocorrer CONFRONTO são quase de 100%.

            Sabem, igualmente, mas não podem dizer para atingir seus objetivos, que existem mais de 1400 favelas dominadas pelo tráfico no Rio de Janeiro, com as ruas vigiadas por um exército fortemente armado, com armamento de guerra e cujo contingente é estimado em torno de 55 mil soldados. Esse é o exército que o BOPE e o CORE enfrentam sempre que são chamados, mas os “intelectuais ungidos”, cujos relatórios depois servem para fundamentar ações absurdas como a ADPF 635, tem o desplante de dizer que eles são responsáveis por “chacinas”.

             A cereja do bolo, como não poderia deixar de ser, é a solução apresentada: “é necessário repensar o modelo do policiamento repressivo da Polícia Militar e reforçar o caráter judiciário da Polícia Civil, além de questionar a eficácia das unidades especiais das polícias militar e civil; é preciso ampliar o controle democrático sobre o uso da força pelo Estado”.

            As soluções apresentadas seriam aceitáveis em uma situação de normalidade, naquelas ocorrências mencionadas na Barra da Tijuca, no Leblon ou em Copacabana, mas como refere em laborioso artigo meu colega Carlos Frederico[10] “a situação do Rio de Janeiro há muito tempo ultrapassou a normalidade”. O Rio de Janeiro, principalmente nas mais de 1400 favelas dominadas pelo tráfico, vive verdadeira situação de guerra.

            Poupem-nos da hipocrisia, da desfaçatez e dessas mentiras enviesadas!..

 “A polícia no Rio de Janeiro hoje, além de enfrentar os criminosos, enfrenta uma ideologia que cria ONGs, Centros de Estudos e Pesquisas, análises, relatórios que depois ganham vida própria nas mídias, só defendendo o direito de um dos lados, é uma guerra assimétrica onde o lado dos criminosos pode tudo!...” Roberto Motta[11]

Que Deus tenha piedade de nós!..

 


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[2] http://geni.uff.br/category/relatorios/ ( o primeiro intitulado Chacinas Policiais).

[9] (MPRJ nº 2021.00398092 – apenso III ao PIC 001/21)

[10] https://revista.mpm.mp.br/  N. 35 (2021) PEREIRA, Carlos Frederico de Oliveira. ADPF 635. Entrelaçamento do Direito Internacional dos Direitos Humanos e do Direito Internacional Humanitário na repressão às gangues de 3ª geração com domínio territorial no Rio de Janeiro, pp. 175-208.

[11] Idem rodapé 2.