INCONGRUÊNCIAS BRASILEIRAS

Por SILVIO MUNHOZ 16/06/2022 - 19:21 hs


Os últimos dias apresentaram alguns fatos que efetivamente mostram verdadeiras incongruências no atual momento brasileiro, no sentido literal mesmo, de coisas sem sentido, que se opõem a um padrão estabelecido que não possuem lógica alguma, caracterizando um verdadeiro duplipensar orwelliano.

            O fato comentado na citação inicial foi um deles, duas pessoas, um indigenista, que por alguma razão estava afastado da FUNAI – ouvi mais de uma versão acerca do fato – e um Jornalista Inglês, embrenharam-se na Amazônia em uma das partes mais perigosas, o Vale do Javari, local que faz divisa com Peru e Colômbia e, por sua região geográfica atrai muitos perigos, pois infestada de Organizações Criminosas que praticam mais de um tipo de crimes, como: tráfico de drogas; de armas; roubo de madeira; caça, pesca e garimpo ilegal, além de ser a região que possui mais índios isolados do mundo. Mesmo sendo de seu conhecimento, pois trabalhou anos na região, o indigenista não titubeou em levar o jornalista estrangeiro a tal local, sem qualquer autorização e sem comunicar a qualquer autoridade responsável pela área.

            O imaginável, para não dizer óbvio, aconteceu: DESAPARECERAM!..

            Antes, porém, de irmos adiante neste episódio, vamos analisar os antecedentes brasileiros. Seria o Brasil um país onde pessoas desaparecem?? Olha, os dados oficiais (quase sempre abaixo do real, pois muitos casos não são comunicados), apontam que sim, por exemplo em 2017, ano no qual tivemos o maior número de homicídios registrados do Brasil, 63.895, com uma taxa de 30,8 mortes por 100mil habitantes[1], foram registrados 82.684 DESAPARECIMENTOS. No ano de 2020, mesmo com a criminalidade decrescendo e registrando os índices mais baixos em muitos anos, foram registrados 62.857 DESAPARECIMENTOS de cidadãos brasileiros, média de 172 por dia.[2]

            Poderiam ser tais desaparecimentos creditados ao Crime Organizado, muitos com certeza - quem estuda ou trabalha com a segurança pública chama esse número de o buraco negro da segurança – em um Brasil que tais organizações possuem cemitérios clandestinos[3] (basta colocar estas duas palavras em qualquer buscador e você se surpreenderá); ou criam animais para comer os cadáveres de suas vítimas[4]; ou incendeiam os corpos tudo para sumir com os vestígios visando se livrar de futura incriminação.

            Muito bem, mas qual a diferença entre os 145.541 brasileiros desaparecidos só na soma dos anos de 2017 e 2020 e as DUAS pessoas desaparecidas na Amazônia? Qual a incongruência? O absurdo é que parece que o MUNDO só veio a cair por conta do desaparecimento de Bruno e Dom Phillips e nunca por todos os outros. Preocupação verdadeira com o desaparecimento ou aproveitamento da dor dos familiares das vítimas – que deve ser respeitada – para utilizar o incidente para fins outros e, quiçá, escusos? Por que não em todos os casos como deveria ser?!

            Vejam, “ministro”[5] do STF deu prazo de 05 dias para Governo apresentar relatório detalhado e adotar todas as providências necessárias para “encontrar os desaparecidos”. O Senado Federal, por petição de um dos 07 responsáveis pelo Circo Pandêmico Imemorial, CPI da COVID (hoje coordenador da campanha de um dos candidatos a Presidente[6]) – que gastou milhões dos dinheiros dos cofres públicos e não deu em nada, não obstante, os esforços, exageros e arbitrariedades praticadas em seu curso e após, criou uma COMISSÃO para investigar o episódio. O CNJ (Conselho Nacional de Justiça) criou outra comissão para investigar o desaparecimento, formada, pasmem: por um fotógrafo; um ator; uma antropóloga e uma Juíza!..

            É sério!.. O que fariam a juíza, a antropóloga, o ator e o fotógrafo no meio da selva amazônica? Exceto se for, como disse com muita ironia – mestre na arte – o Adriano (o Capitão Nascimento vai para manter o pessoal na linha para a busca dos desaparecidos, o fotógrafo para registrar em fotos a região) e posso acrescentar: a antropóloga, para estudar os hábitos e costumes dos índios da região, quem sabe visando futuro filme à Indiana Jones... mas, e a Juíza, estaria lá para quê? Talvez registrar o gasto do dinheiro público com dita comissão?? Quem vai saber...

            Até a conhecida comuno/socialista/progressista Michelle Bachelet, aproveitou a ocasião para fazer discurso na ONU e atacar o Brasil, pois está preocupada com  ameaças a indígenas e defensores dos Direitos Humanos que ocorrem em nosso País (graças a Deus não disputará um segundo mandado no cargo que ocupa, esperemos que alguém melhor o ocupe)... Senti a falta da Greta e do Di Caprio, vocês não sentiram?

            Interessante é que, percebam, nenhuma das pessoas ou órgãos mencionados levantou uma palha ou ergueu a voz para reclamar dos 145.541 brasileiros desaparecidos só nos anos de 2017 e 2020, mas, fazem todo esse estardalhaço, muitos extrapolando suas competências constitucionais, outros metendo o bedelho onde não devem ao invés de cuidar do seu país, por conta do desaparecimento de duas pessoas na selva amazônica, onde não deveriam e nem poderiam estar (ao menos sem autorização das autoridades competentes, pois se trata de uma reserva indígena). Não esqueçam, a polícia não pode combater as ORCIMs cariocas por decisão do STF...

                           

Afinal o que aconteceu com os desaparecidos? A Polícia Federal – órgão que realmente devia estar investigando a situação, o fez e com galhardia – esclareceu que foram assassinados, seus corpos esquartejados e incendiados não se sabe, ainda, a mando de quem. Há duas versões sobre o mandante: uma ORCRIM Peruana – que atua no tráfico internacional de armas e drogas na região -, cujo Chefe, por ironia, possui a alcunha de Colombiano; a outra seria pescadores ilegais, a quem teriam fotografado...

As incongruências são evidentes. Para este cronista, restam duas perguntas que merecem resposta.

Primeira, é necessária a indignação com o crime praticado contra estas duas vítimas, mas qual o motivo para a cúmplice omissão e o total silêncio quando aos demais milhares de desaparecimentos registrados, anualmente, no Brasil? Acho que a respostas para esta tem sido ofertada em muitas de minhas crônicas, pois no contexto da guerra/marxismo cultural que vivemos o objetivo é demonizar a Polícia, não há porquê falarem nesse câncer brasileiro, pois estariam mostrando que o verdadeiro demônio a ser combatido é a bandidagem!..

Segunda, qual o motivo para tanta grita neste episódio específico? Seria para aproveitar e atacar o governo – sabemos que tudo referente à Amazônia é sempre explorado midiática e mundialmente, para atacar o Brasil -, talvez pelo fracasso da CPI da pandemia e de que, apesar de tudo – vírus, guerra no leste europeu – a economia brasileira mostra sinal de clara melhora e evolução.

Há indicativos, mas, parece que ao menos no pertinente à atuação do judiciário brasileiro, este episódio está sendo visto como parte do ativismo judicial e de politização, que não deveriam ocorrer, como registrou no dia de ontem, jornal de grande circulação no Brasil (até estranhei...), em editorial.

“Outro risco para nossa democracia, porém, tem passado despercebido. É mais insidioso e permanecerá entre nós mesmo que ele perca a eleição e transfira o poder ao sucessor. Trata-se da politização do Supremo Tribunal Federal (STF). A Corte, que deveria manter-se equidistante e alheia às paixões, parece a cada dia mais contaminada pelo noticiário, como se devesse prestar contas à opinião pública, não à lei ou à Constituição. O ministro Luís Roberto Barroso deu até prazo para o governo tomar providências nas buscas do indigenista e do jornalista desaparecidos na Amazônia, como se isso tivesse algum poder de acelerá-las — ou algum cabimento.” O Globo, 15/06/2022[7]

 

Que Deus tenha piedade de nós!..