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A guerra é a política por outros meios

Por LUIZ MARCELO BERGER 03/08/2022 - 20:02 hs


Corriam o início dos anos quarenta e os Americanos estavam agora inteiramente focados nos esforço de guerra, após sofrer o ataque japonês às suas forças navais atracadas em Pearl Harbor.

 

Não fosse este evento histórico, muitos autores renomados lançam dúvidas se os Estados Unidos teriam entrado na guerra, uma vez que o teatro de operações estava localizado na Europa e, posteriormente, no Pacífico, bem distante do território Americano.

 

Provavelmente teriam entrado de qualquer forma, ainda que em momento distinto daquele provocado pelo ataque japonês.

 A fórmula' e o significado implícito de política no pensamento de Clausewitz


Especulações à parte, deve-se sempre lembrar das seminais palavras de Clausewitz: "a guerra é a política  por outros meios".

 

Ou seja, qualquer iniciativa bélica tem por trás uma justificativa política, seja ela qual for, independente da moralidade do ato. Os atores que tomam decisões deste nível  de gravidade e importância normalmente dispõem de informações que levam a cogitar iniciativas extremas como declarar guerra.

 

Isto serve para ilustrar que em que pese centenas de anos passados, os pensamentos de Clausewitz e Sun Tzu continuam mais atuais do que nunca. Jamais perderam validade, pelo contrário, descrevem minuciosamente as razões explícitas e implícitas que levam nações a cometer atos desta magnitude.

China travou guerra híbrida com os Estados Unidos - Vermelho 

Veja-se agora o caso do atual impasse entre China e Estados Unidos por conta do status de Taiwan, que a primeira entende parte indivisível  de seu território,  portanto desprovido de qualquer legitimidade soberana perante outras nações.

 

A China sempre deixou sua posição  absolutamente clara, recusando qualquer concessão naquilo que entende como seu direito histórico legítimo.

 

Os Estados Unidos, por sua vez, sempre manteve um tom discreto, embora firme, de apoio a Taiwan, até porque ter um território aliado a poucos quilômetros da costa chinesa é uma vantagem estratégica considerável,  assumindo que a China se tornaria com o passar dos anos a maior ameaça política e econômica à hegemonia anglo-saxã,  fato este que efetivamente viria a se consumar.

 

O problema é que assim como a China adquiriu novo status geopolítico e, principalmente, econômico no cenário mundial, os Estados Unidos também mudou de patamar nas últimas  décadas,  mesmo que ainda permaneça a maior e mais poderosa força política, econômica e militar da história.

 

Ocorre que no xadrez das relações internacionais é visível que a América não desfruta mais da mesma unanimidade entre os países com os quais precisa se relacionar, aliados ou não.

 

É regra básica do relacionamento entre nações que questões de ordem moral tem pouca ou nenhuma importância como critério de tomada de decisão.

 

A decadência Americana, especialmente no campo econômico em face da astronômica dívida interna do país e do esvaziamento do seu parque industrial,  deixaram a superpotência extremamente vulnerável,  especialmente sabendo que toda a sua economia está lastreada em papel, ou seja, o dólar,  como moeda de reserva internacional.

 

Somando-se a isso temos um cenário político nos Estados Unidos profundamente conturbado, cercado das controvérsias que levaram ao poder o atual presidente Biden.

 

A tempestade perfeita, portanto, acabou se formando, quando simultaneamente a Nação Americana se encontrou fragilizada no campo econômico e, como se não bastasse, somou-se o desempenho desastroso do atual Presidente em todos os campos onde toma iniciativa.

 

Não existe registro na história Americana de um governo cometendo tantas ações incompreensíveis  e inconsequentes como este que ocupa atualmente a Casa Branca.

 

É impossível neste espaço enumerar, tamanha a quantidade de absurdos cometidos em pouco mais de dois anos. O atual Presidente,  como se não bastasse, demonstra inequívocos sinais de senilidade e incapacitação cognitiva, adicionando ainda mais combustível ao atual cenário extremamente explosivo das relações internacionais.

 

A fraqueza política do Partido Democrata neste contexto está repercutindo em todas as instâncias da disputa interna enfrentada com o Partido Republicano, que tem hoje novos líderes  influentes muito além da personalidade carismática do ex-Presidente Donald Trump.

 

As consequências do desastre democrata serão sentidas agora em novembro de 2022, quando haverá eleições para o Congresso. Estima-se que a derrota dos seus candidatos será a maior de sua história, superando a varredura ocorrida após o também desastroso governo Jimmy Carter.

 

Se a guerra é a política por outros meios, nada melhor do que um novo confronto bélico mundial com o maior adversário até o momento, a China, já que as sanções contra a Rússia por conta da guerra na Ucrânia se mostraram no mínimo inócuas,  talvez mesmo contraproducentes até o momento.

 

O objetivo, claro, seria desviar a atenção do eleitorado Americano do atual cenário catastrófico de  sua economia.

 

No entanto, todos os jogos sempre apresentam pelo menos dois jogadores. E todos os jogadores envolvidos têm suas estratégias, de preferência interdependentes umas das outras.

 

Não é surpresa, portanto, que até o momento as estratégias utilizadas  contra os russos deram errado. Lembre-se sempre que russos sabem jogar xadrez como ninguém.



Nada indica que os chineses, por sua vez, vão cair na armadilha, pois é necessário se perguntar a quem interessa neste momento um novo conflito bélico.

 

Chineses também sabem jogar muito bem há séculos. Sabem também esperar. Sun Tzu que o diga, pois as peças continuam se movendo no tabuleiro. Todos os planos deveriam estar dando certo para Americanos e Europeus. Faltou apenas combinar com os russos e com os chineses.