SOBRE PESQUISAS...

Dançando à beira do abismo

Por MARCIO SCANSANI 05/08/2022 - 16:37 hs

Pessoalmente, não acredito nelas, venham do instituto que vierem, mesmo que seu resultado me agrade, o que raramente acontece. Também acho que seus números, sejam chutados, sejam frutos de amostragens que não são transparentes, sejam mesmo sérios, são quase que invariavelmente furados.

Elas podem ter algum poder de influência sobre mentes muito simples, do tipo “maria-vai-com-as-outras”, de forma a fazer com que o caboclo se sinta do lado que vai vencer, coisa que por si já é uma aberração, mas tenho dúvidas que passem muito disso, até porque hoje o brasileiro em geral está mais convicto de suas crenças e fidelidades político-ideológicas. Sem contar que começaram a prestar mais atenção em quem os estimula a trabalhar e e manter seu patrimônio duramente conquistado e em quem os estimula ao eterno “nós contra eles” das lutas inglórias e – pior – perniciosas, estimuladas por quem não tem qualquer interesse por pessoas, mas por projetos de poder e por alinhamentos ideológicos.

Depois falarei um pouco sobre as empresas que as executam, mas por enquanto, o que me incomoda nem é que elas teoricamente justificariam uma eventual ultra-picaretagem-master para eleger a pior praga política parida por effte paíff em cinco séculos (o que é um fato), é que seu efeito imediato é praticamente dar um caráter de normalidade a uma candidatura ilegal e imoral.

Tanto falatório sobre as pesquisas tem o poder de desviar a atenção até mesmo da imprensa séria (sim, ela ainda existe – essa própria Tribuna é um exemplo) da enormidade do descalabro que é a própria candidatura de lula em si. Não me refiro a ele com maiúsculas – aprendi isso nos textos do saudoso Enio Mainardi há mais de 25 anos. Ademais, pelo DataMárcio, eu mesmo, em pessoa, se não houver uma picaretagem das mais grotescas, Bolsonaro vence com 70%.

Além: gente que realmente trabalha, aqueles que tomam busão lotado às 5h da manhã para chegar no trabalho duas horas depois, não se identificam mais com um sujeito multi-condenado e “inocentado” por uma firula jurídica, uma questão de CEP, um sujeito que transpira falsidade, com seus voos de jatinhos particulares e festas nababescas.

Sobre os institutos de pesquisas, que não são mais que empresas que dependem de faturamento, e estou longe de ser o primeiro a dizer isso, novamente me assalta a dúvida revivida a cada dois anos: em períodos não eleitorais, de quê elas vivem, se seus resultados de anos eleitorais quase invariavelmente erram grosseiramente? E isso me faz pensar que sim, existem pesquisas com metodologias e amostragens mais próximas da realidade, que provavelmente forneçam aos partidos e/ou entidades que as encomendem, e creio serem essas as que norteiam determinadas atitudes de determinados candidatos. Que, aliás, são tiros nas patas traseiras, como montagens grosseiras de fotos das andanças daquele candidato lá, enquanto as de Bolsonaro fazem parar tudo por onde quer que ele passe.

Seja como for, vamos à conclusão, que poderia se chamar “Dançando à beira do abismo” ou “Saltando sem pára-quedas”: circula por aí um vídeo bastante editado com o cachaceiro (embora esta seja a menos ruim das características do ser abjeto) com diversas falas da criatura. Esse vagabundo está dizendo o que vai fazer: vai seguir a cartilha da esquerda – econômica e social – que está dando super certo na Argentina, no Chile e agora na Colômbia, que já destruiu a Venezuela e Cuba. Hitler também disse o que iria fazer e deu no que deu.

É claro que o vídeo está editado porque resumir o tamanho da monstruosidade das ideias de tal monstro poderia dar uma série daquelas das plataformas de streaming, com folgas, caso alguma delas aceitasse o risco de produzí-la. Ali temos o sujeito falando o que quer fazer. E vai fazer se for eleito. Toda a esquerda latino-americana está esperando que ele vença, para ajudar nas economias deles, que eles mesmos depredaram, antes de virarmos nós mesmos outro pesadelo, outro país falido.

De novo: gostar ou não gostar do Bolsonaro é a última coisa que importa. Importa mesmo é que ele é a única barreira entre sermos esse país cheio de problemas, mas finalmente sob a perspectiva de um futuro realmente glorioso e virarmos outra coisa muito pior. Nem o pt nem qualquer um de seus puxadinhos nunca mais!