E O OSCAR VAI PARA...

“E o Oscar vai para... a desinformação!”

Por HARLEY WANZELLER 07/02/2020 - 14:23 hs

Confesso que não sou bom em elaborar ou solucionar enigmas, mas este já nasceu pronto e, por isso, repassarei ao leitor.  


O que existe entre dois Papas e uma democracia em vertigem? 


A reflexão, obviamente, gira em torno de dois filmes recentemente lançados no circuito da 7a arte progressista e que foram devidamente incensados com indicações para a premiação do Oscar. 


O caro leitor poderia, então, tentar resolver a charada por ao menos três semelhanças, pois os filmes  são dignos do tapete vermelho (quase roxo) hollywoodiano, foram dirigidos por dois brasileiros e, para a surpresa de poucos, são produções Netflix. De fato, estas constatações não deixam de apresentar verdades. 


Primeiro porque, ultimamente, as indicações ao Oscar ultrapassam a linha do excêntrico para abrir espaços a qualquer produção de conteúdo politicamente correto, causando um verdadeiro disparate onde trabalhos rasteiros e panfletos ideológicos andam ao lado de obras de arte apresentadas por profissionais comprometidos com a evolução do cinema. Até parece que a Academia faz um esforço hercúleo para rebaixar aquilo que é bom, convidando “maltrapilhos” para a festa. 


Por outro lado, coincidem também a nacionalidade e preferências dos diretores, pois ambos são brasileiros e reconhecidos ativistas políticos da esquerda nacional. 


Além disso, as produções ostentam o selo de “qualidade” Netflix, o mesmo concedido ao “especial de fim de ano” do Porta dos Fundos, filme genuinamente leviano e ofensivo que tem por única finalidade escarnecer a fé cristã.


Estas são coincidências que tornam o assunto recorrente na pauta da mídia, porém não preenchem a lacuna aberta pelo enigma. Vejamos. 


No filme Dois Papas, o diretor Fernando Meirelles tenta reproduzir na ficção a relação havida entre dois líderes religiosos contemporâneos da Igreja Católica, traçando um paralelo entre as posições conservadoras de um (Papa Emérito Bento XVI), e progressistas de outro (Papa Francisco). No início do filme, abre-se uma observação eloquente: a produção é baseada em fatos reais. Porém, poucas verdades podemos destacar de todo o contexto. Adianto que consegui perceber como fatos verídicos a morte do Papa João Paulo II, a sucessão por Papa Bento XVI, e futura renúncia desta para a sucessão de Papa Francisco. Além disso, de fato a tendência conservadora de um e progressista de outro ficam evidentes a partir de suas próprias obras manifestas no decorrer do tempo. Mas as verdades param por aí. 


Papa Bento XVI e Papa Francisco nunca tiveram proximidade e, na intimidade (segundo relatos de vários padres e religiosos), apresentam personalidades bem distintas daquelas retratadas por Meirelles. Além disso, a narrativa do filme leva a crer que Papa Bento XVI é um verdadeiro hospedeiro do pecado ao defender um “decaído” conservadorismo, contrastado com a “santa” filosofia progressista do Papa Francisco, personagem iluminada que apesar de - no filme - questionar a infalibilidade de Deus (uma apostasia digna de excomunhão imediata para qualquer católico), foi capaz de “converter” Bento XVI ao progressismo. Uma falsidade grotesca que, por obra divina, foi desmentida semanas após o lançamento do filme, na ocasião em que o Papa Bento XVI quebrou o silêncio e saiu em defesa do celibato na Igreja, manifestação esta registrada no livro publicado pelo Cardeal Sarah, sob o título “Do fundo de nossos corações”.


No caso do filme da cineasta Petra Costa, a produção não passa de um panfleto ideológico esquerdista. Apesar da despudorada classificação como documentário, os fatos narrados do início ao fim da produção mais se assemelham com uma ficção científica construída a partir de narrativa desconexa capaz de provocar espanto a qualquer brasileiro que acompanhou o processo político ocorrido nos últimos anos. Até o jornalista Pedro Bial, cujas convicções são notoriamente progressistas, “soltou o verbo” contra a produção, tamanha é a quantidade de inverdades vociferadas as quais, sequer, guardam nexo umas com as outras. 


A produção, em si, é um devaneio. E nada além disso.  


Volto, então, ao questionamento inicial: o que une estas obras?


Simples. A política de desinformação. 


Segundo o dicionário on-line Aurélio, desinformação é uma ação ou efeito de desinformar, ou mesmo uma informação inverídica ou errada que é divulgada com o objetivo de induzir em erro.


As características básicas das duas produções convergem para a política de desinformação, marcada pela criação de fatos e narrativas que escondem a verdade ao tempo em que, pela mentira, “constroem” uma nova verdade a ser difundia. Ou seja, a narrativa da desinformação tem como objetivo transformar o vilão em mocinho, e o santo em bandido. Uma velha política executada por aqueles que pretendem assassinar a reputação de seus inimigos, sendo capaz de fazer vítimas como o Papa Pio XII, cuja reputação foi massacrada pelos serviços de inteligência comunistas a ponto de ser referido, até hoje, como “o Papa de Hitler”, em que pese haver provas históricas de suas firmes ações em proteção aos judeus perseguidos na Europa, e contraposições ao nazismo e ao comunismo. Nada mais infame.


O objetivo da desinformação? Como já dito, serve para construir um quadro histórico que esconda a verdade e revele, como “verdade”, uma narrativa falsa. Eis o risco das produções aqui contestadas, pois o intuito da política de desinformação é tratá-las, no futuro, não como obras de ficção, e sim como fontes históricas idôneas e irrefutáveis. É aí que mora o perigo - na decomposição da memória sobre a verdade. 


Cuidado. É o cinema servindo como arma ideológica, e a Academia estendendo o tapete vermelho para a desinformação. 


E neste ano. Para quem vai o Oscar?