Há Lógica na falta dela...

É urgente ter vergonha na cara e compreender as causas dos problemas e não apenas reclamar da ausência de resultados positivos.

Por MAURICIO MARQUES CANTO JR. 28/06/2020 - 20:29 hs

Se a pessoa está com inanição, literalmente morrendo de fome, basta colocar no liquidificador um monte de comida, peneirar bem e depois injetar nas veias do faminto.

Parece ridículo, não?

Mas é assim que quererem tratar a política nacional, à marretadas, simplesmente porque descobrimos que “o corpo precisa de alimento”.

São dezenas de anos de políticos dependentes de verbas públicas legais e verbas privadas ilegais; de uma mídia que, recentemente, discutia o tamanho do pedaço do bolo do erário (dinheiro público) e o modo “justo” de distribui-lo; universidades produzindo lacração como ciência, abominando qualquer coisa que se pareça com trabalho que satisfaça necessidades da população, crie riqueza e comércio para distribui-la.

Tudo isso acontece ainda hoje, não a partir de hoje. Mas porque vislumbramos uma possibilidade de saída desse inferno político-cultural, queremos resolver tudo agora, tudo já, injetando comida na veia do moribundo.

E pior, muito pior, ficamos brabos porque o paciente não está respondendo à “medicação”. 

É tudo de uma brutalidade que assusta e, ainda, muitos perdem a fé num futuro melhor, agindo como o filho de um pobre no supermercado achando que se chorar mais alto e estridente o papai vai comprar as coisas gostosas que o cego mimado deseja.

Não é apenas urgente ter paciência, é urgente ter vergonha na cara, efetivamente compreender as causas dos problemas e não apenas reclamar da ausência de resultados positivos.

Na vida, você pode reclamar dos problemas, e até com razão, mas deixar de buscar soluções (que são difíceis, demoradas, exigem estudo, esforço, união e dedicação) apenas mostra uma personalidade narcisista e infantil.

E se você se sentiu ofendido é porque sabe que é verdade e não quer admitir. É “A Faca Entrou” do Dalrymple: eu fiz, mas não fui eu.

Políticos viverem do erário e corrupção não é novidade alguma, é fato notório. Para sermos recentes, basta citar o petrolão, mensalão, mensalinho, lavajato etc.

A mídia ser explicitamente dependente de verba pública pode parecer exagero, mas se você ler as declarações nesse link, não poderá ter mais dúvidas: ela escreverá para quem a paga ou contra quem deixa de pagar.

A nossa produção intelectual, cara e ineficiente, conseguiu a proeza de sermos o único país do mundo que diminuiu o QI médio da população e os escândalos de vários títulos de mestrado e doutorado ajudam a mapear o drama. Usam o nosso dinheiro não para encontrar meios de ajudar a população, mas para descaradamente tirar sarro. Óbvio: há centros de excelência nas universidades públicas, mas menos do que legitimar as partes que não prestam, provam que o problema é a gerência da educação.

Enquanto isso, a chamada direita (uma oposição popular contra esse estado de coisas, difusa, acéfala e imediatista), gosta muito de farmeme e pouco de atividades no corpo-a-corpo. Quantas associações (formalmente constituídas ou não), fazem um sopão para os necessitados? Quantos cristãos puros de doutrina e oração efetivamente vão a hospitais, a asilos, a orfanatos? Quando eu vejo esse tipo de ação, é Teologia da Libertação pra baixo agindo no cerne da nação. Falamos em demasia e agimos pouco.

Mencionei apenas políticos, universidades e mídia porque a criminalização do apoio político ao presidente, famoso inquérito n.° 4828, levaria um novo artigo para conversarmos.

No fundo, precisamos ter mais fé em Deus e menos nos homens, porque esse esboço no vale de lágrimas chamado vida é apenas instrumento para encontrarmos o amor.