IDEOLOGIA PERIGOSA

Sobre o crime mais perverso e covarde que se pode cometer contra uma sociedade.

Por ÉRIKA FIGUEIREDO 29/06/2020 - 15:04 hs

Uma artista sem teto chega, com a filha de 14 anos, a uma comunidade conservadora de Ohio, nos EUA. Os moradores encarregam-se de ajuda-las, e elas conseguem uma moradia por um aluguel módico, sendo a menina  matriculada na mesma escola dos jovens locais.

            Muito embora toda a comunidade esteja empenhada em fazer com que se sintam em casa, a protagonista, Mia, trata a todos com pouco caso, desprezo e superioridade, baseando-se em teorias racistas e de exclusão social, para condenar o modo de vida e os hábitos de seus novos vizinhos, a despeito de todo o apoio que recebe. A filha de Mia, Pearl, ao revés, fica encantada com os valores tradicionais ali existentes, e com a possibilidade de fixarem moradia permanente em uma cidade tão aprazível, já que residiam, anteriormente, dentro do carro.

            Ocorre que o veneno que Mia destila sobre todos os moradores, faz com que ela se torne um câncer no seio da comunidade. Sua ideologia de gênero e seu discurso antirracista ( embora ela e a filha não tenham sofrido qualquer discriminação), aliados a um ódio desmedido, das pessoas que ela julga procederem de modo oposto ao seu estilo de vida, fazem com que a recém chegada cause um grande estrago, na cidadezinha.

            Esse enredo se desenrola em uma série da Amazon Prime, intitulada “Little Fires Everywhere” (Pequenos Incêndios por Todo Lado), e embora seja ficcional, o programa evidencia, com muita propriedade, as consequências danosas de um discurso de vitimização, exclusão social e ódio racial, em nossa sociedade, principalmente entre os mais jovens.

            As posturas de Mia, que escora-se no bordão “negra, pobre e mãe solteira”, e volta-se contra a própria filha (a qual se identifica com o modo de vida local, que considera melhor, e deseja distanciar-se o máximo possível do exemplo da mãe), é um retrato fiel das atrocidades que se pode cometer, em nome dessa ideologia, assassinando reputações, efetuando perseguições, manobrando para que tudo dê errado, mentindo e enganando, para cobrar a conta dos outros, depois que tudo ruir.

            O movimento de destruição dos valores tradicionais cristãos, os quais amparam-se na família e na religião, tomou conta do Brasil, nas últimas quatro décadas. O discurso de libertinagem, uso de drogas, identidade de gênero, racismo e ataque à moral e aos bons costumes, tornou-se a bandeira da esquerda nacional, disseminando-se por escolas, universidades, partidos políticos, ongs e programas de televisão.

            Construir algo duradouro é trabalhoso, exige muito esforço e disciplina, ao longo dos anos, e é admirável. É deixar um legado para a posteridade. Seja por meio da educação que foi dada aos filhos, ou das obras que foram efetuadas, o que é substancial, permanece. E não pode ser destruído ou deturpado.

            Não se trata de discutir inclusão social, luta pela igualdade de gêneros e de raças, camadas sociais. Esses direitos, a toda evidência, devem ser tutelados e protegidos, além de estendidos a todos. O que não é aceitável é que, em nome de bandeiras levantadas sobre esses temas, possa-se cometer todo tipo de atrocidades, criando-se movimentos que aparentemente defendem uma causa das minorias, mas em seu âmago, buscam, tão somente, o caos generalizado e a destruição (vide o movimento dito pacifista Black Lives Matter, que saqueou e depredou estabelecimentos comerciais nos EUA, fatos esses que em nada se identificam com a defesa dos direitos dos afrodescentes).

            Quando a ideologia libertária de esquerda, confronta-se com os valores tradicionais da direita, seus integrantes não desejam o diálogo, para extrair algo de bom do conservadorismo, ou efetuar uma troca de conhecimento. O que eles desejam é destruir, disseminar a desordem, quebrar parâmetros e cometer excessos, nada mais. O objetivo dos militantes de esquerda é fazer com que não se tenha um lugar seguro para onde voltar.

            Na série, Mia, a protagonista, acredita ser livre porque usa drogas, é homossexual, faz o que bem entende (ainda que suas decisões prejudiquem a filha), não possui endereço certo ou emprego formal. Apropria-se do discurso das “minorias discriminadas”, a fim de justificar tudo que não dá certo em sua vida, excluindo totalmente o próprio livre arbítrio e as escolhas erradas que faz.

            Errar é humano. Ter conflitos faz parte da vida e das decisões que se tem que tomar, ao longo do percurso. Entretanto, a maturidade exclui de forma absoluta o vitimismo. Ninguém deve nada a ninguém. Tampouco a sociedade deve. Ou a direita. Ou a moral cristã. Cobrar essa conta de terceiros só trará frustração e raiva, impedindo o crescimento pessoal. Como diz Italo Marsili, psiquiatra conservador, em seu livro Terapia de Guerrilha: “Trabalhe, sirva, seja forte e não encha o saco”.

Roger Scruton, filósofo inglês recentemente falecido, que deixou um legado incrível para as próximas gerações, através de seus inúmeros livros publicados, ensina em sua obra “Como Ser um Conservador” que: “as coisas admiráveis são facilmente destruídas, mas não são facilmente criadas. Isso é verdade, sobretudo, em relação às boas coisas que nos chegam como bens coletivos: paz, liberdade, lei, civilidade, espírito público, a segurança da propriedade e da vida familiar, tudo que depende da cooperação com os demais, visto não termos meios de obtê-las isoladamente. Em relação a tais coisas, o trabalho de destruição é rápido, fácil e recreativo; o labor da criação é árduo, lento e maçante. Essa é uma das lições do século XX”.

Que saibamos honrar e preservar tudo que foi bravamente construído e defendido, por nossos antepassados, para que disso pudéssemos desfrutar, na atualidade. Destruir valores seculares, impedindo que esses possam ser herdados pelas gerações futuras, é o crime mais perverso e covarde que se pode cometer contra uma sociedade.