Uma conversa que mostra como eles calam a maioria...

A negação do óbvio e a Navalha de Ockham ( ou Occan)

Por ADRIANO MARREIROS 06/07/2020 - 13:58 hs

You are so vain.  You probably think this song is about you

Carly Simon.


 

Saíam sons sem sentido da boca dos adultos nos desenhos de Charlie Brown.  Tudo que importava era o que os Peanuts falavam.  No nosso caso, tudo o que importa é o que essa pessoa, ou outras tantas como ele falam com ares de autoridade (ou seria de autoritarismo?).  Mas o que elas falam é justamente o que mais parece com sons sem sentido: ou, ao menos, sem lógica... ou, com lógica até demais se o Marcelo[i] estiver estiver certo: não é falta de lógica, é método.  É numa discussão em pequeno grupo que você pode entender melhor o que fazem com os grandes grupos, com a maioria, com a Sociedade.  O micro explica melhor o macro.  Quem dera eu tivesse o poder auditivo dos Peanuts quando ouvisse certas pessoas...

 

 “Você gosta tanto da Navalha de Ockham[ii], basta aplicá-la 

Não havia razão para a hostilidade se até então o clima era amistoso e proposta era o exercício do pensamento crítico[iii].  Mas ocorrera discussão mais quente sobre um desses supostos “sacrossantos” “princípios” que são, na verdade, coelhos tirados de cartolas com fundo falso ou gazuas que servem para os autodenominados “progressistas” ou “iluministas”[iv] abrirem quaisquer portas, ou até: fechá-las com os discordantes dentro.  Optei, então, talvez por educação, talvez por claustrofobia, por alegar que uma suposta maioria de cientistas não autorizava concluir como se fora eleição[v]  e que se tratava mais de explicar com a Espiral do Silêncio[vi] do que com a Navalha de Occam...

 

Então nosso colega acha que a ciência não importa!!! E é adepto da teoria da Conspiração[vii].

Eis a velha Falácia do Espantalho: eles adoram usar[viii].E seguiu criticando duramente a afirmação que ele afirmou que eu afirmara.  Confesso que nem lembro exatamente o que mais ele disse, não guardo rancor (só guardo nomes...), e minha memória anda  convenientemente fraca nestes tempos de aconselhável silêncio. Mas lembro que o lembrei que ele não lembrara de uns outros, também profissionais da ciência e da academia, que discordavam.  E acusei o uso da Falácia do Espantalho, o que o fez partir para o estratagema seguinte.

 

“Mas você não percebe que esses cientistas são ligados a tal grupo ou a entidades conservadoras em seus países?  E que o Bom Velhinho[ix] não tem poder nenhum para influenciar, além de a menção a ele sugerir antissemitismo”.  Tive que me impor uma fleuma forçada que jamais tive: sabia que íamos chegar à Lei de Godwin[x] , umas das poucas que eles sempre cumprem.  Não iria sair de graça eu insistir em discordar de um deles, os argumentos ad hominem[xi] viriam mais cedo ou mais tarde...  mas me incomoda bem mais o duplipensar em que se baseia toda a guerra assimétrica, que não se importa em um lado da discussão ser financiado por um espectro político dito “progressista” e até lucrar com isso, mas brada ser terrível que o outro seja sequer apoiado por Conservadores.  Pior, nega o alcance do poder dessas fundações globalistas que nem elas negam ou tentam esconder, já seus logos estão em várias páginas de ONGs ligados àquela e a outras pautas globalistas[xii].  Também fui obrigado a indagar se o Premier de Israel, crítico contundente do “Bom Velhinho” também era antissemita, criticar os ataques ideológicos que são feitos à única Democracia do Oriente Médio, declarar meu apoio público a Israel, relatar que mando os posts antissemitas que encontro nas redes para amigos Judeus mandarem para a Federação Israelita, afirmar que a capital de Israel é Jerusalém e que MASSADA NUNCA MAIS CAIRÁ![xiii].  Claro que eu tinha “ido longe demais”...

 

Mandei dois artigos por mensagem pra vocês de cientistas sérios porque esses tais outros não publicam e vou embora pois me nego a prosseguir em discussão com terraplanistas...

Cheguei a ver a capa rodopiar e ele desaparatar como em um filme de Harry Potter.  Mas era delírio cinéfilo, aquilo foi longe da elegância de um vilão de cinema: na realidade parecia mais o tal pombo enxadrista derrubando pedras, sujando o tabuleiro e cantando vitória ao sair sem nem olhar pra trás.  Até entendo: tinha que fazer isso antes que eu citasse artigos, palestras e vídeos dos tais que não publicam... 

Devo ter esquecido de narrar mais algumas (umas 36, 37) frases cheias de Erística, Novilíngua  e duplipensar; mas, pra ver umas iguais basta procurar matérias “jornalísticas” e artigos “científicos” desse pessoal.  Ou (CUIDADO!) entrar em debate com eles. Então tudo isso é verídico?  Você me indaga cheio de vontade de saber quem, quando e onde.  Mas claro que não!  Imagina se uma coisa dessas iria acontecer de verdade...  Alguma vez você já presenciou algo assim?!!!  Prefiro escrever ficção: pura!  (Até porque ela é o que melhor permite entender a realidade).  Acho que sonhei isso tudo depois de ler 1984... Como diria o saudoso Padre Quevedo: “Isso non eczyste!” (sic).

(E nem pode ser uma epifania profética porque se o PL da Censura com seu lindo e fofo FAKE NAME passar, nada disso será necessário, pois teremos a LIBERDADE de opinar conforme ELES permitirem, a RESPONSABILIDADE penal e civil por dizer a verdade[xiv] e a TRANSPARÊNCIA embaçada pelo calar de vozes críticas...)



Guerra é Paz

Liberdade é Escravidão

Ignorância é Força

(1984. George Orwell)[xv]

* Adriano Alves-Marreiros

Cronista, Mestre em Direito, membro do MCI e MP Pró-Sociedade e autor da obra Hierarquia e Disciplina são Garantias Constitucionais, da Editora E.D.A.



[i] Marcelo Rocha Monteiro respondeu certa vez a uma ouvinte que, chocada, questionava a burrice de certas ações pela falta de lógica: “ Isso, não é burrice: isso é método!!!”.

 

[ii] Sugeria com ela que eu devia buscar a explicação mais simples e óbvia: se a maioria dos cientistas dizia tal coisa, “era óbvio que eles é que estavam certos”, ou, ao menos, o mais provável. Pesquise sobre a Navalha de Ockham você mesmo! Já está na hora de um pouco de independência!!!

[iii] Para eles, o pensamento deve ser sempre crítico a quem eles indicarem para ser criticado.

 

[iv] Lembro sempre da simbiose entre Iluminismo e Despotismo Esclarecido  como uma das faces do Absolutismo.

 

[v] Curioso é que, nos assuntos em que a eleição deve prevalecer eles querem deslegitimar a maioria

 

[vi] A Espiral do Silêncio estuda as formas de manipulação da opinião pública ou em qualquer meio e demonstra que o medo do isolamento social é o fator determinante para as manifestações de opinião e, se uma opinião for percebida como se fora majoritária –  seja ou não – as pessoas mostram mais disposição de expressá-la enquanto os que tem opinião minoritária tendem a ficar calados.  Espaço (e negação dele) na academia e na imprensa, excesso de exposição de certos temas na imprensa (acumulação), forma semelhante como as notícias aparecem nos vários veículos (consonância), presença da imprensa em todos os lugares (ubiquidade), prêmios , patrocínio e ridicularização de quem pensar ou pesquisar o contrário...  Quem tentou pesquisar um assunto proibido sabe bem disso, né Tatiana Dornelles?   Tudo isso pode formar ou parecer formar uma opinião majoritária que quase sempre não o é, como as redes sociais bem demonstraram ao permitirem comunicação direta entre as pessoas sem depender da imprensa tradicional ou estatal.  Leiam mais aqui: < https://teoriasdacomunicacao2.wordpress.com/teoria-espiral-do-silencio/ > depois pesquisem mais.

 

[vii] Recomendo a leitura, isso diz muita coisa sobre certas alegações de “teoria da conspiração”.: < https://olavodecarvalho.org/teoria-da-conspiracao/ >

 

[viii] Nunca entendi como ela funciona tão bem... Basta afirmar e reafirmar que você disse algo diferente do que disse e as pessoas preferem acreditar na versão, ou, como brincava Marx – não, não aquele chato e equivocado, mas o talentoso: o Grouxo –  “você prefere acreditar em mim ou nos seus próprios olhos?  O outro Marx só fez com que aplicassem seguidamente a piada na prática com resultados terríveis.  Mas este vídeo explica muita coisa: < https://www.youtube.com/watch?v=qsMe1BQLMQo >

 

[ix] Seria o Papai Noel?  Não! Papai Noel tem barba.  Mas ambos gostam da mesma cor.

 

[x] . “A lei de Godwin, também conhecida como regra de Godwin das analogias nazistas (em inglês Godwin's law ou Godwin's Rule of Nazi analogies) é um moto de cunho satírico criado em 1990, pelo advogado americano Mike Godwin, e utilizado na Internet, segundo o qual: "À medida que uma discussão online se alonga, a probabilidade de surgir uma comparação envolvendo Adolf Hitler ou os nazistas tende a 100%." (Wikipedia)

 

[xi] Exemplo comum de ataque ad Hominem:

O João afirmou que 1 + 1 = 2

O João é mau aluno a matemática, é feio e tem os pés enormes;

Logo, o João não pode ter razão quando diz que 1 + 1 = 2 (exemplo exposto em sofos.wikidot.com)

 

[xii] “O globalismo é uma política internacionalista, implantada por burocratas, que vê o mundo inteiro como uma esfera propícia para sua influência política. O objetivo do globalismo é determinar, dirigir e controlar todas as relações entre os cidadãos de vários continentes por meio de intervenções e decretos autoritários.”. Leia mais em < https://www.mises.org.br/article/2639/a-diferenca-basica-entre-globalismo-e-globalizacao-economica-um-e-o-oposto-do-outro >

 

[xiii] Os recrutas das Forças de Defesa de Israel fazem  em Massada seu juramento de fidelidade: “Massada nunca mais cairá”.  Leia mais:  < http://www.morasha.com.br/historia-de-israel/massada.html >.

 

[xiv] – sim, se ELES, decidem o que é “fake”...

 

[xv] Gostei desse artigo que achei na Internet e que pode ser resumido nesta frase nele contida: “Pior, as pessoas acham ok tudo isso, criaram o Direito à Ofensa independente do sujeito ter razão, e coisas como Liberdade de Expressão estão indo pro ralo”.  Leia aqui: < https://meiobit.com/382312/microsoft-xbox-skype-codigo-de-conduta-liberdade-expressao-sem-ofensas-novilingua/  >