As filhas da esperança

a indignação e a coragem!

Por FABIO COSTA PEREIRA 07/07/2020 - 23:09 hs

São nas épocas de crise, tais como a que estamos vivendo, que o humano, em toda a sua extensão, ambiguidade, virtudes e mazelas, realmente revela-se.

 

Quando tudo está bem, ser bom e honesto é muito fácil.

 

O melhor e o pior, o pio e o egoístico e o bom e o mau, sem o verniz social próprio dos momentos de normalidade, que regulam a vida de relações interpessoais, na anormalidade, sem as amarras da civilidade, vem à tona mostrando quem é quem.

 

O teste de realidade de nosso caráter, apenas possível em tempos de exceção, é a régua que mede a nossa verdadeira altura, constituindo-se no espelho que mostra o que de fato somos, ainda que a imagem projetada não seja bela ou digna.

 

Nestes momentos emblemáticos da história humana, onde evidenciado ao extremo as nossas qualidades e defeitos, podemos observar desde a disputa acirrada por um singular rolo de papel higiênico até pessoas que, em gestos de puro desprendimento, dedicam o seu melhor para tornar menos desafortunada a crise para os mais vulneráveis, sem a espera de qualquer recompensa em troca.

 

Há, na crise, a relativização do que efetivamente é certo, tomando o seu lugar um abrandamento do sentido do que é bom e justo, para assumir em seu lugar, como aceitável, o que inaceitável deveria ser em qualquer momento.

 

Os egoístas, os egocêntricos e os sem empatia para com o sofrimento alheio, sem mais a vergonha de se esconderem, mostram o seu verdadeiro EU e, desimportando-se com o outro, buscam realizar os seus desejos e necessidades não se incomodando com o custo disto.

 

De outro lado, com dedicação ímpar, observamos humanos superiores doando o que lhes és mais precioso, o tempo e o amor ao próximo, apenas para aplacar a dor alheia.

 

Atravessar momentos de ruptura, onde o “novo normal “ é completamente anormal e permeado pela idiossincrasia do ser humano, faz-se possível apenas com Esperança, esta secundada por suas duas filhas diletas, a Coragem e a Indignação.

 

Com muita esperança na alma, própria daqueles que acreditam na transcendência e no divino, teremos a coragem necessária para enfrentar as provações que estão aí, com a dose adequada de indignação para dizer não às pequenas tiranias e vilanias que querem nos impor neste momento de anormalidade.

 

Como certa vez disse Santo Agostinho: A esperança tem duas filhas lindas: a indignação e a coragem; a indignação nos ensina a não aceitar as coisas como estão. A coragem, a mudá-las."

 

E que Deus tenha piedade de nós!