CONSERVADORISMO, CONSERVADORES E AMADORISMO

a existência de uma moralidade supra cultural

Por ANTONIO CERQUEIRA 10/07/2020 - 22:31 hs

O que é ser “conservador de direita”? Em apertada síntese, na seara política o conservadorismo de direita entende (ou deve entender) que a imprecisão ideológica é o caminho mais adequado para uma política social mais consistente. Explico: há uma enorme tendência, sobretudo no Brasil, onde muito recentemente começou-se de fato a se discutir o ideal conservador como ciência e filosofia, conquanto suas ideias remontem há milênios. Basicamente o indivíduo conservador defende a dignidade humana desde a concepção, assim como o direito sagrado de sua defesa; a legalidade da posse de propriedade; irrevogabilidade das liberdades de expressão, defesa pessoal, livre pensamento e ação no seu exercício – e aqui talvez o mais importante – a existência de uma moralidade supra cultural. Evidente que há outras coisas que definem o movimento conservador, todavia estes são, por assim dizer, os alicerces de sua existência efetiva.

No entanto, é necessário sim, definirmos desde logo linhas gerais de uma politica conservadora sem dogmas, porquanto é a liberdade de pensar livremente que, ao contrário do que pensam muitos – na sua maioria confundem contenplação com atuação – o verdadeiro conservadorismo. O conservadorismo trabalha com ideias e não ofensas e destruição de reputações, e muito menos necessita de “lideres, gurus, professores, etc”.

A título de  exemplo, é muito comum conservadores se insurgirem contra conservadores porque estes não seguem a “linha” de Olavo de Carvalho. Ora, existe conservadorismo muito além de Olavo de Carvalho. Antes dele muitos já pregavam suas ideias. Claro que Olavo de Carvalho tem seu extraordinário valor. No entanto, eu  já estudava o pensamento e as ideias conservadoras muito antes, através de outros, como Ludwig Von Mises, Antonio Maciel, Raymond Aron, G.K. Chesterton( que escreveu para mim uma obra prima: Everlasting Man – O homem Eterno -), Whittaker Chambers (que começou sua trajetória como integrante do partido comunista norte-americano), Ayn Rand, Barry Goldwater, Roger Scruton, dentre outros, incluindo alguns brasileiros de menor renome. É claro que também li dezenas de livros marxistas, socialistas, além , claro, das obras de Olavo de Carvalho. Mas de logo me declaro um “não Olavista”. Não porque suas ideias sejam ruins, mas porque a meu sentir ele viola o que de mais sagrado deva existir em um verdadeiro conservador: a não submissão a ideias e pensamentos hegemônicos. Ele parte do princípio que alguém só é conservador se “lê na sua cartilha”. Uma coisa é conhecer sua filosofia política; outra é concordar com tudo que ele diz. Eu não concordo com suas generalizações, sobremais quando ofende as Forças Armadas, e critica suas posturas serenas e equidistantes do cenário político, o que termina sendo uma contradição na medida em que um dos pilares do conservadorismo é a pouca intromissão do Estado na vida do cidadão. Forças Armadas é uma extensão do Estado. Sua intervenção só se justifica em extrema situação de caos. Bom voltarmos a antiga Roma, onde as Legiões eram proibidas de atravessarem o Rio Rubicão. Vale dizer: deveriam permanecer fora de Roma. Sua entrada em Roma só podia significar uma coisa: golpe de Estado. É isso que se pretende? O Brasil já chegou ao estado de caos? Creio que não, apesar da suprema “côrte”, Rodrigo BOTAFOGO Maia, Davi ANÃO Alcolumbre, e outros  homuncúlos.

O Presidente Bolsonaro tem dado exemplo inimaginável (ao menos para mim) de um verdadeiro Estadista. No artigo anterior até cheguei a criticar a inércia do Presidente. Refletindo melhor (esta é a obrigação de todo conservador), cheguei a conclusão de que Sua Excelência com sua postura serena (as vezes meio debochada), e se considerarmos ainda o nível dos perdedores: PT, PSOL, REDE, PDT, PSDB, “ET CATERVA”, somado ao sentimento de revanche de grande parte da população brasileira oprimida durante mais de 30 anos por essa escória, chegaremos à conclusão que Bolsonaro é  o homem certo no tempo certo. É o “algodão entre cristais”, nas palavras de Marco Aurélio de Melo referindo-se às inúmeras incapacidades de Joaquim Barbosa para ser presidente da suprema “côrte”. Até agora, dos Chefes de Poderes, é o único que tem respeitado e cumprido a Constituição Federal. Os demais a transformaram em “papel higiênico”, como já afirmei antes.

                                          As vociferações, incentivo à violência, pedidos de intervenção das Forças Armadas, ofensas ao Presidente Jair Bolsonaro – até mesmo a proferida por certo escritor e filósofo acima citado, que de tão absurda chega a ser surreal para quem tem a pretensão de ser referência mundial do conservadorismo, a qual me recuso a repetir -   me fez lembrar uma frase de George Orwell, segundo a qual “ TODA PROPAGANDA DE GUERRA, TODA A GRITARIA, AS MENTIRAS E O ÓDIO, VEM INVARIAVELMENTE DAS PESSOAS QUE NÃO ESTÃO LUTANDO”.

Precisamos ter em mente que os ministérios públicos brasileiro, a magistratura, os políticos na sua esmagadora maioria, governadores e prefeitos, extrema imprensa (que podem mentir, e até cometer apologia a crimes, e nada lhes acontece, como por exemplo a matéria veiculada na folha de são paulo que publicou ser “justificável a morte do Presidente da República – 07.07.2020”), sem contar que a internet é repositório de ódio contra a Democracia, tendo como alvo principal Jair Bolsonaro, SÃO COMUNISTAS, SOCIALISTAS, SOCIAL – DEMOCRATAS, ISENTÔES, e  estão contra o Brasil. Eles não querem destruir o Brasil, exceto como meio de manterem e/ou continuarem com seus projetos nefastos de poder. Nesse particular, bom não deslembrar seus objetivos de apagarem a história do País por completo, e reescreverem-na sob sua ótica, não importando se verdadeira ou falsa, tampouco interessa se ocorrem   perdas de vidas e patrimônio no processo. “As consequências, e até mesmo a perda ou assassinato de pessoas são justificáveis se o fim objetivar salvar outras vidas e lhes der melhor condições”. Esse o lema e meta dessas agremiações ideológicas. Despiciendo dizer que nada disso é sincero. O que eles querem é o poder. Simples assim.

Ministérios públicos, magistratura estadual, via de regra, vivem em “simbiose” com o governante do momento. Não porque acreditam em suas loucuras psicopáticas; mas porque assim conseguem vultosos salários, isentos de serem alcançados pelo teto da suprema “côrte”, com seus penduricalhos. Claro que há uma parte de integrantes desses órgãos que lutam por um Brasil melhor, sem se curvarem à questões financeiras. Mas não são maioria.

Dito tudo isso,  afirmo  que há uma enorme confusão no momento entre conservadores de ocasião, conservadores de opinião, conservadores radicais, conservadores adeptos do “soft low”, e os conservadores de “torcida”. Estes últimos insuflam a radicalização, mas sequer tem coragem de içar uma Bandeira do Brasil na sua sacada, conquanto patriotismo é um dos requisitos conservadoristas, e a Bandeira brasileira é o símbolo da Pátria. Alegam “medo”. Estão mesmo é preocupados com seus estômagos. Aliás essa categoria é a maior de todas entre os que se dizem conservadores.

Quem está certo? Nenhum ou talvez todos. O que caracteriza um conservador-raiz? Ele pensa na política como uma ferramenta de manter e conservar a ordem, a justiça, e a liberdade de expressar-se, de ir e vir, de poder defender sua vida e sua propriedade – daí ser favorável a aquisição e o porte de arma -; o conservador, por derradeiro – e sem esgotar o catálogo – É UMA IDEIA, UM PENSAMENTO POLÍTICO, que defende acima de tudo a manutenção das instituições multisseculares como: família, religião, usos e costumes, tradição e as convenções, e para defender esses valores deve estar disposto, inclusive, a pegar em armas como último recurso. Analisando o cenário nacional onde conservadores, progressistas, comunistas, socialistas, se digladiam, somos obrigados a concluir que no item organização a “esgotofera” está vencendo. Sabem porque? Simples: eles não pensam... “seguem o líder”. Não importa se certo ou errado, criminosa ou não sua atuação. Mas será que isso significa que estamos “perdendo a guerra”? Antes, pelo contrário. Somos mais competentes, cultos, pensamos, não seguimos o “líder” cegamente, somos Patriotas e não temos um projeto de poder, mas sim UM PROJETO DE BEM-ESTAR. E mais: não temos bandidos de estimação.


                                    Antonio Cerqueira

                             Procurador de justiça militar     

                               Membro do MPPS (MP Pró-Sociedade)