O ATIVISMO PEDÓFILO

o ativismo pedófilo ganhará novo folego e adotará novas estratégias, a partir dos achados de Judith Butler.

Por Márcio Freyesleben 09/08/2020 - 13:42 hs

Veio à baila recentemente o entrevero  do grupo LGBT com internautas que  acusavam a sigla de abrigar pedófilos (LGBTP), fato que foi prontamente negado.

 

A verdade é que a relação entre os dois movimentos é antiga, datando do início do século passado, quando, com base nas achegas da psicologia moderna, ambos buscavam subsídios científicos para comprovar a normalidade de comportamentos diversos do heterossexual. Embora o psiquiatra britânico  Havelock Ellis (1898)  já houvesse defendido a pedofilia e o homossexualismo a partir da recusa de padrões de normalidade sexual, foram Sigmund Freud e Wilhelm Reich que forneceram os subsídios “científicos” para o embasamento de um movimento que, desde o início, unia homossexuais e pedófilos.

 

Freud  teorizou a hipótese de que existiria uma  sexualidade infantil. A natural evolução  psicossexual da criança conduziria aos complexos de  Édipo e de Electra. Para Freud, a sexualidade da criança seria polimorficamente perversa e tenderia ao desenvolvimento de impulsos  para o incesto, os quais deveriam ser sublimados na fase adulta. Reich  iria fundir a teoria freudiana com marxismo. Para Reich, a repressão sexual infantil – e conseqüentemente a adulta – decorreria de uma imposição moral da cultura patriarcal e capitalista. A moral burguesa (família, matrimônio e fidelidade conjugal) moldaria os modelos opressores de política estatal. Reich, ao politizar a sexualidade, forneceu a base ideológica – e, portanto, ativista – dos movimentos de libertação sexual dos anos 60.

 

No contexto cultural da chegada do século XX, Magnus Hirschfeld  fundou o Comitê Científico-Humanitário e depois o  Instituto de Pesquisa Sexual, cujo objetivo era a defesa dos direitos dos homossexuais e a revogação  do parágrafo 175 da lei alemã, que penalizava as relações homossexuais.

 

O avanço do movimento será interrompido pela ascensão do nazismo na Alemanha, pela chegada de Stalin ao poder na União Soviética  e  pelo término da Segunda Guerra Mundial no ocidente em geral,  para voltar à tona  nos anos 60 com o advento da terceira revolução sexual. Em meio à onda  da contracultura, teve curso o movimento ativista  que visava a atrair a atenção dos meios de comunicação  para causa. Pretendia, a contragosto da opinião pública, buscar a aceitação social do homossexualismo e da pedofilia, a sua retirada da lista de transtornos mentais e a sua descriminalização.

 

Em  meados dos anos 70, surgiram  grupos e associações especificamente pedófilos por toda a parte. A começar dos Países Baixos, entidades logo se  multiplicaram pela Bélgica, França, Reino Unido, Alemanha e Estados Unidos. Em 1978, nos Estados Unidos, foi criada a NAMBLA, nos embalos da  revolução sexual dos anos 60 e, em particular, dos distúrbios de Stonewall, em 1969, em Nova Iorque. Proclamava ser uma organização política para a defesa  dos direitos civis  com o objetivo de denunciar a perseguição sofrida por  homens e adolescentes que mantinham relações sexuais  consensuais.       De início, a  NAMBLA e os grupos gays de esquerda eram aliados na luta pelos direitos civis. A aliança entre os dois grupos começaria a ruir a partir da reação de  conservadores, principalmente após a eleição de Ronald Reagan. Enquanto o movimento gay, com o apoio do movimento feminista de esquerda, dos meios de comunicação e de Hollywood, conseguia avançar a pauta de direitos civis, o mesmo não aconteceu com o movimento pedófilo, que passou a sofrer forte resistência.

 

A partir dos anos 80, ocorre acentuado  declínio do movimento pedófilo. Associação Internacional de Gays e Lésbicas (ILGA), que tinha o status de membros consultivo  o Conselho Econômico e Social das Nações Unidas,  foi ameaçada de expulsão, caso não  se dissociasse da NAMBLA e de associações congêneres.  Entre negativas e relutâncias, os dois movimentos separam-se formalmente, ficando o movimento pedófilo politicamente enfraquecido e isolado.

 

No século XXI, no entanto, o ativismo pedófilo ganhará novo folego e  adotará  novas estratégias, a partir dos achados de Judith Butler. Apesar  ser conhecida, ao lado de Simone de Beauvoir, Kate Millett e  Shulamith Firestone, como defensora  da ideologia de gênero, o certo é que Buther recusa o conceito de gênero. Gênero, para Buther, é também uma construção social. Buther inaugura o movimento pós-identitário, representado pelo grupo queer: ser queer  significaria  ser inclassificável dentro das categorias homem, mulher e gay.[1] Toda e qualquer classificação seria constructo social.

        

Mas não só. Não apenas  a sexualidade seria fluida, mas também a idade. Infância, adolescência, juventude  e velhice seriam construções sociais que podem não condizer com a percepção que o indivíduo tem de si. Ser jovem, v.g., seria apenas um estado de espírito que não poderia ser compartimentado em definições sócio-culturais. Assim, se um cinqüentão pode sentir-se jovem, e agir com tal,  um jovem  pode sentir-se  adolescente ou mesmo  criança. É o que se denomina age fluid.

 

Com base na  ideologia pós-identitária de Buther, o comportamento sexual  abrangerá não apenas a percepção que o indivíduo tem de si em relação ao sexo, mas também à própria idade, percepções essas que, na esteiras dos direitos das minorias, deveriam ser legalmente reconhecidas para permitir que um adulto que se sinta  adolescente ou criança possa  deixar-se atrair por  púberes, legitimamente.

 

Mas, para a equação tornar-se perfeita, falta um último elemento: assegurar a liberdade sexual como um direito do adolescente, o mais atual objetivo do programa “saúde sexual reprodutiva”, promovido pela  Fundação Ford.  De acordo com o Ministério da Saúde, a liberdade sexual é direito humano fundamental que compreende “exercer a sexualidade independente do estado civil, idade ou condição física”.[2]

Em resumo,  após o conceito de gênero tornar-se, ele próprio, um constructo social, Buther irá fornecer seus auspiciosos subsídios para que o movimento age fluid  passe a postular a tese de que a idade biológica é  uma imposição cultural ilegítima, e assim assegurar que identidade sexual e faixa etária sejam  considerados verdadeiros “estados de espírito” dignos do status de direito fundamental. Uma vez aceita a noção de que adolescentes (e crianças que se sintam adolescentes)  têm direito à liberdade sexual, estará pavimentado o caminho para a legalização da pedofilia, ocasião em que o grupo LGBT poderá reconciliar-se com o ativismo pedófilo, seu velho companheiro de lutas.

 

Mas a novela não termina aqui, caríssimo leitor! Para entender as cenas dos próximos capítulos, leiam as palavras Shulamith Firestone:

 

“É possível que a criança estabeleça suas primeiras relações físicas íntimas com pessoas de seu próprio tamanho, por mera conveniência física, exatamente como os homens e as mulheres podem preferir um ao outro em vez de pessoas do mesmo sexo, por mera conveniência física. Mas, se ao contrário ela escolhesse se relacionar sexualmente com os adultos, mesmo que isso se desse com a sua própria mãe genética, não haveria razões a priori para ela rejeitar seus avanços sexuais, uma vez que o tabu do incesto teria perdido valor.”[3]

 

Não são precisas muitas palavras para quem tem olhos para ver e ouvidos para ouvir. Depois da pedofilia, seguirá a campanha pela legalização do incesto.

E haverá choro e ranger de dentes...

 

 

Marcio Luís Chila Freyesleben

Marceneiro Livre

[1] Cf. Augstin Laje, in “El Libro Negro de la Nueva Izquierda”, pág. 82, 2016, Buenos Aires, Unión Editorial.

[2] Cf  http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/direitos_sexuais_reprodutivos_metodos_anticoncepcionais.pdf

[3] In    “Dialética do Sexo”, págs.237 e 238, 1976, Rio de Janeiro, Labor: