E LÁ VÃO ELES... DE NOVO?!

Um momento de reflexão sobre a Normalização da Pedofilia

Por MAURICIO MARQUES CANTO JR. 14/09/2020 - 17:20 hs


Assim que terminei de assistir Cuties (2020), tive uma certeza: vão usar esse final fofuxo pé-do-Didi-enquanto-te-bate-na-cara para justificarem o injustificável.


Batata. Já tem intelectual dizendo que “o sentido da obra é de arrependimento”, dentre outras platitudes infames.


O filme passa horas transformando crianças em objetos sexuais para, no final: “viu, ela descobriu que prefere continuar sendo criança”.


Ingenuidade criminosa.


Pior, ainda usam desculpas boçais: “mas na Bíblia tem coisas escandalosas; escritor X fez um livro sobre isso”.


Não me refiro ao assunto, ao conteúdo, à problemática. Quer escrever? Escreva. O problema é a questão pictórica, imagética, visual.

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Pior: como deve ter ficado a cabeça de uma criança de onze anos que ensaiou durante meses para realizar o filme? E aquelas que assistem?


Se já percebemos a sexualização precoce no mundo real, esse filme é mais uma contribuição para a perversão das nossas crianças.


As pessoas se tornaram tão obtusas a ponto de não reconhecer que as ideias tem consequências? Que as ações geram resultados?


É a mesma desculpa fétida daquela exposição que mostrava zoofilia, pederastia e outras parafilias: é arte! É simbólico! Tem um sentido “oculto”, um significado profundo!


Queria que você visse o tapa cheio de significado e profundidade, verdadeira obra de arte, que merece receber quem defende esse tipo de perversão.


Antes, vamos deixar bem claro: não tem nada de moralismo nessa crítica e existem bons filmes com assuntos igualmente sensíveis. Lembro do Cristiane F. (1981) e Kids (1995), esse último deliciosamente niilista, que mostram a degeneração humana num mundo sem pai nem mãe, sem destino, sem amor, sem Deus.


O assunto não é esse. O assunto é a existência de cenas absolutamente desnecessárias e frontalmente pedófilas, com closes ginecológicos e movimentos lascivos, absurdos para crianças de onze anos. 


É somente esse o ponto: qual a justificativa para vários desses tipos de cena?


É francamente uma afronta, mas tem método nesse escândalo.


O método é demasiado simples: dessensibilização. Assim que estivermos acostumados a crianças de onze anos serem aliciadas para fazer esse tipo de personagem, a normalização terá sido implantada. Das telas ao mundo. Afinal: a vida imita a arte ou a arte imita a vida? 


Entenderam a jogada?


Segura o spoiler: há uma cena em que a protagonista manda um nude às redes sociais. Tranquilo, cena bem feita, assunto necessário e tudo o mais.


A discussão de moralismos e diferenças culturais é interessante, apesar de medíocre: a questão da poligamia; da sexualização precoce; da necessidade subjetiva de pertencimento. Enfim, óbvio que nem tudo no filme é pedofilia escancarada.


Mas é assim mesmo que age o movimento revolucionário, aos poucos: abranda leis num lugar (não viram na Califórnia?), coloca filmes desse tipo em outro.. e segue o jogo.


Eu nunca vi Lênin, Stálin, Pol Pot ou Hitler dizendo logo de cara: “queremos acabar com a liberdade de vocês, concentrar todo o Poder no Estado e transformar esse vale de lágrimas em um inferno!


Sempre são as desculpinhas mais básicas e as promessas mais prosaicas: vamos acabar com as desigualdades; vamos nos libertar dos exploradores; vamos melhorar o nosso povo...


E é dessa forma, meio sem muita dor e sofrimento, que age o movimento revolucionário.


Enquanto alguns da classe intelectual cometem elaboradas elocubrações e planos dantescos, muito bem financiados pelos verdadeiros donos do Poder, a sociedade vive inerme e preocupada com o próximo prato de comida, sem reclamar muito ou reclamando errado, dispersa em pequenas e muitas vezes irrelevantes questões.


A tática do boi de piranha, do sapo na panela, da literal diversão e entretenimento, enquanto a regra de Pareto no Poder do Estado permanece intocável, é cada vez mais irresistível.


Desistir, desesperar? Olha, se ajudasse, eu já teria desistido ou entrado em desespero. Infelizmente, se gritar resolvesse, porco não morria. 


É essa a vida: um conjunto de questões que somente farão sentido se você fizer as perguntas corretas e buscar a verdade nas respostas, confiando que o seu destino, a sua alma (inteligência e vontade), transcendem a nossa existência humana, demasiada humana.


Quanto ao filme? Dispensável que beira o criminoso, clichê de problematizações e prova de que o futuro dependerá, sempre, de cada um de nós. 


Quem achar que o filme “não tem nada demais”, já atingiu o estágio da dessensibilização, nada mais.


Ratifico: nem tudo no filme é perverso. Entretanto, tem muitas cenas dispensáveis, escândalo perverso, hediondo.


Mas você não verá um pedófilo reclamando desse filme, já está quase normal