O Mito do diploma de filósofo e outras crendices

Por ADRIANO MARREIROS 21/09/2020 - 20:31 hs

O Mito do diploma de filósofo e outras crendices

“Diplomas, títulos, PhDs! A natureza, ao fazer um ser

 humano competente, por acaso consulta faculdades?

Millôr Fernandes

Por Adriano Alves-Marreiros*

“Eu odeio a classe média!” e mais uma série de chavões e clichês “progressistas” faz imprensa, militantes e isentões – aqueles que estão em cima do muro mas quando caem: caem sempre para a esquerda,  como disse o Lacombe, quase sempre pulando voluntariamente –  reconhecerem certa pessoa como filósofa e mais: exigirem um diploma como o dela para reconhecer qualquer um como tal.  Aliás, sejamos justos como eles não são, qualquer um, não: qualquer conservador... Exigências e dificuldades são impostas contra quem não é ideológico, quem não curte revolução, quem não quer que se destruam as coisas boas e belas para se construir um “mundo perfeito” sobre os escombros.

 

1.      Cazuza

Cazuza largaria tudo por alguém, inclusive “carreira, dinheiro, canudo”.  Grande cantor e compositor de carreira, não sei de qual canudo ele falava, mas eis um canudo que não quer dizer nada: o que diz que alguém é filósofo.  Devia ser feita uma campanha como a que foi feita contra os canudos plásticos.  O canudo não torna ninguém sábio, nem filósofo, nem úteis as suas palavras e textos. Apenas dá mais um título no país dos bacharéis.  Aliás, não creio que Cazuza tenha sequer começado faculdade mas ele tinha um português e uma capacidade de compor e interpretar fantásticas, que não se ressente da falta de canudo.

 

2.      Cartola

O seu homônimo Cartola – Como homônimo?! Sim, Cartola e Cazuza tinham o mesmo nome: Agenor – foi outro cujo talento dispensou canudos e títulos (títulos eu sei que ele só desejava os da Mangueira no carnaval: num tempo em que samba era o foco, e não a lacração).  Lembro de uma professora de História da Arte que nos deu um estranho texto para discussão.  Lembro que o infeliz autor dizia, em síntese, que devíamos ter tolerância ao avaliarmos arte.  Lembro que sugeria que não devíamos exigir  da arte das pessoas simples e sem estudo tanto quanto se exigiria de artistas mais eruditos.  Lembro que a proposta da professora era que arte não seria sobre excelência, mas sobre tolerância.  Lembro, porém, de forma mais vívida e clara, da cara da professora quando dei o exemplo de Cartola, pedreiro, morador da favela e com primeiro grau incompleto, indagando se ele também precisava de nossa indulgência e tolerância para ser considerado artista.  E lembro do longo silêncio que se seguiu...

 

3.      João Guilherme

Aliás, a pessoa mais culta que conheci na minha vida foi meu grande Amigo-Irmão João Guilherme da Cruz Ribeiro.  Vejam, eu fiz dois cursos superiores, quase completei o terceiro, fiz especialização e mestrado, mas não tenho nem uma ínfima fração da cultura do João, que completou e o segundo grau e só[1], mas é  autodidata em desenho, pintura e outras técnicas, sendo um artista plástico virtuose.  É autodidata em inglês,  e escreve textos de leitura deliciosa com a mesma desenvoltura que o faz em português, além de traduzir, inclusive Shakespeare, tão bem quanto Millôr ou o saudoso conservador Carlos Lacerda: ninguém, traduziu o discurso do Dia de São Crispim Crispiniano[2] como O JG...  É autodidata e foi, desde muito, publicitário, editor e jornalista como poucos.  Aprendi muito de revista e editoria com ele. Se no Exército e no MP recebi lá meus elogios por isso, foi em razão do que aprendi com ele incrementando em muito o que eu iniciara aos 14 na A Aspiração do CMRJ.  No tempo da ridícula exigência de canudo para ser jornalista, ele já dizia que isso era besteira e que jornalista tinha que: escrever bem, ter boa cultura geral, ter boas fontes e compromisso com a realidade.  De fato, isso tudo é cada vez mais raro no jornalismo atual e nada disso se pode realmente adquirir em faculdades que, se boas, apenas facilitarão o caminho sem ser condição sine qua non. 

 

De tudo o mais que eu poderia dizer que aprendi com ele, a primeira coisa é não ser longo demais, e hoje já estou perto de parecer um mau aprendiz.  Por isso não lembrarei que ele também é um baita historiador maçônico e saca muito de vexilologia (estudo das bandeiras) e heráldica, dentre outras coisas.

A segunda é que criar é associar idéias, frase dita quando comentei da sua imensa biblioteca.  Como ele trabalha com criação, precisa das idéias anteriores, precisa partir do que existe.  É, quando vejo a destruição do passado, a desconsideração do trabalho de Pais Fundadores, ataques a heróis e pessoas que em seu tempo fizeram grandes feitos e, principalmente, o claro intuito de destruir toda a cultura ocidental – esta semana, por exemplo estavam atacando a obra de Beethoven[1], foi nojento!!! – vejo que tirar a fonte das idéias, visa a fazer com que as pessoas não possam ter as próprias e sigam sem questionar as de professores doutrinadores, de ONGs financiadas por bilionários Fabianos e de instituições globalistas que querem “revisar” o passado,  transformar pessoas em uma milícia de zumbis defensores e cumpridores de uma agenda e moldar um futuro para um mundo à imagem e semelhança de sua ideologia que jamais deu certo.

a terceira é a mais filosófica de todas e mudou minha vida de uma hora para outra.  Era um sábado de 1994, acho, e estava no escritório do João com ele, o caríssimo André Gondim e meu saudoso irmão Felisberto.  Estava fazendo revisão de uns textos pra revista Engenho e Arte na Maçonaria (Não! Ainda era jornal!) e, ao terminar, eu disse que estava com uma idéia e ia escrever uma crônica pra revista.  Eles acharam bom e me viram pegar uma caneta e pedir folhas de papel pautado.  Indagado pelo João sobre a razão de não usar o computador, respondi que digitava até bem mas que eu tinha bloqueio para criar no computador.  Delicada e sutilmente, ele me disse a frase que mudou minha vida: “Porra, Adriano, para de frescura!  Senta a bunda em frente ao teclado e começa a escrever essa porra dessa crônica!”.  20 minutos depois eu terminava minha primeira crônica criada no computador e crio neles até hoje.

 

Epílogo: Afagadores de Stalin x Olavo de Carvalho

Aliás, isso me lembrou hoje de uma idiotice que vi nas redes.  Numa bela crítica  de Adriles Jorge ao ditador assassino e psicopata Stalin e aos recentes afagos que lhe andam fazendo alguns deformadores de opinião; um desses zumbis veio atacar conservadores e o Filósofo Olavo de Carvalho, repetindo aqueles mantras que aprendeu ao ter seu cérebro lavado[2].  A grande ofensa que tenta, como seus pares, fazer a Olavo, é que ele foi astrólogo, até esquecendo a de que ele fala muito palavrão.  Não conseguem atacar um só texto dele porque jamais leram nenhum e, se lessem, voltariam a esses mantras pois não teriam argumentos para enfrentar o Professor.  Olavo, desde os anos 90, revelou várias coisas que hoje confirmamos e previu várias coisas que iam acontecer além de  revelar métodos que usam para distorcer a realidade  e impor ideologias gradativamente, além de propor vária formas de se deter esse processo.

Sobre ter sido astrólogo, devo dizer que todo muito já bebeu em fontes muito controvertidos  para buscar a verdade.  Tem gente que lê livro de autoajuda (outro ajuda?[3]) até hoje e considerada filósofo até autor Banal. Mas a Royal Society que teve em seus quadros cientistas que hoje louvamos, mexeu muito com o que hoje chamamos de esoterismo.  Newton, por exemplo, definiu as cores do arco íris para fins práticos como 7 por ser um número esotericamente relevante, porque a gradação de cores é infinita.  Sobre falar palavrão, ele o faz em alguns posts e respostas desaforadas, e eu já escrevi antes sobre palavrão e não vou me repetir, deixo o link nas notas[4].  Já sobre o passado de Olavo, há coisa bem mais grave que a astrologia e que vocês deviam divulgar mais: ele já foi de esquerda.   Triste.  Mas foi.  Mas, graça a Deus,  ao perdão do Senhor, evoluiu e hoje e há décadas, é o maior filósofo brasileiro vivo: e conservador!

Mas era justo alegrarmo-nos e folgarmos, porque este teu irmão estava morto, e reviveu; e tinha-se perdido, e achou-se.

Evangelho de S.Lucas 15:32

 

 

Crux Sacra Sit Mihi Lux / Non Draco Sit Mihi Dux 
Vade Retro Satana / Nunquam Suade Mihi Vana 
Sunt Mala Quae Libas / Ipse Venena Bibas

(Oração de São Bento cuja proteção eu suplico)

 

*Adriano Alves-Marreiros

Cronista, Mestre em Direito, membro do MCI e MP Pró-Sociedade e autor da obra Hierarquia e Disciplina são Garantias Constitucionais, da Editora E.D.A.



[3] Um entrevistado do Jô Soares , uma vez, sábia e filosoficamente lembrou que vc compra livro de OUTRO AJUDA. Pra ser de AUTOajuda, você tem que escrever...