Liberdade de Expressão Facial,

conservadores não morrerão de alegria e outras histórias.

13/10/2020 - 00:38 hs

Liberdade de Expressão Facial, conservadores não morrerão de alegria e outras histórias.

Tristeza não tem fim

Felicidade sim

Vinícius de Moraes


 

O doutor me contou do AVC que Quincy Jones[1] sofreu porque o corpo não conseguiu lidar com tanta alegria de uma vez só: era um momento maravilhoso da vida dele e o médico dele descobriu que fora por stress de alegria.  Muitas notícias e situações, boas, favoráveis, felizes: e de uma vez só.  Ah, como fico feliz de não correr o risco de um AVC!  Ao menos por um bom tempo e por esse motivo.  Sou conservador e, se você for também, curta, como eu, essa felicidade pequena o bastante para não por sua vida em risco!

Seguem, em doses  homeopáticas (aquelas inúteis: tão diluídas que não fazem efeito nenhum), algumas reflexões desta semana em que não consegui focar o bastante para escrever um texto decente...

 

Falta de prioridade pessoal e institucional: basta de fofos!

Resumo: Se tudo é prioridade, então nada é prioridade.

Abstract: The cow is going to the swamp[2]

Sempre fiquei muito irritado com as pessoas que não têm nenhuma noção de prioridade.  Irritado porque não consigo entender como alguém diante de um problema ou uma questão realmente importante pode estar tratando de coisas irrelevantes ao menos naquele momento.  No nível micro e mais light, posso lembrar daqueles momentos em que alguém tem um monte de coisas a ultimar para um jantar que vai dar, naquele dia, no salão de festa do prédio e fica perdendo a tarde toda arrumando, por mero preciosismo, o apartamento. Ou alguém que, tendo algo muito legal e importante para fazer em certa data, fica atrasando o momento fazendo coisas da rotina ordinária sem tratar aquele dia como especial.

No nível macro e com consequências trágicas, a falta de prioridade leva muitas pessoas a supervalorizar a preocupação com mimimis, problemas e pronomes  ridículos, inexistentes ou ambos e esquecer, por exemplo, dos mais de 60 mil homicídios anuais, milhões de assaltos, tráfico, etc.  Basta ver nas redes sociais dessas pessoas quantos filtros fofinhos nas fotos, protestos  (sem fundamento) contra expressões consagradas e “pronomes neutros” esses modinhas e isentões já colocaram e quantas vezes já se preocuparam a sério com coisas prioritárias como a criminalidade e as mortes de inocentes. Isso é ainda mais preocupante quando, em vez de pessoas sem noção, essa fofura e falta de prioridade se nota nas redes  sociais e na atuação de instituições que teriam obrigação de saber quais as prioridades e que não dá para tudo ser prioridade porque a escassez dos meios jamais vai permitir: a lição mais simples de economia

-----------------------------------------------------------------------------------


Clique aqui e se inscreva!)

-----------------------------------------------------------------------------------

 

O Direito Divino voltou com o nome prafrentex de “contramajoritário”

Resumo: Contramajoritário é o pseudovocábulo da novilíngua “progressista” para o exercício absolutista de um pretenso e “iluminado” Direito Divino que, assim e mesmo tão cafona quanto “prafrentex”, volta para tentar impedir que o poder emane do povo, justo quando mais emanou...

Abstract: The cow is deep in the swamp.

Acho que o título já diz o bastante, ao menos pra esta crônica de rapidinhas fajutas de uma semana improdutiva. Fico devendo algo mais profundo no futuro (que coisa mais clichê!) e remeto ao texto que já escrevi e que republicaremos em breve junto com os outros episódios da série: “Direito x Povo.  Uma saga bandidólatra e totalitária... Episódio n. 1: “Princípio do não retrocesso”[3].  Mas, já deixo aqui meu protesto contra uma maneira irônica e cínica de negar legitimidade ao voto popular, criando privilégios para poucos sob a desculpa de estar apenas protegendo direitos e chamando de retrocesso tudo aquilo de que os “iluministas” discordarem: “a causa nunca é a causa.  A causa é sempre a revolução” como disse Jason Benham explicando a obra de Alinsky, guru de políticos como Obama e Hillary.

 

Fazer cara feia não é grosseria: é LIBERDADE DE EXPRESSÃO FACIAL...

Resumo:  Fazer cara feia quando alguém diz algo  que te desagradou não é grosseria.  Grosseria seria se você verbalizasse o que ele merece ouvir.  Em breve, o máximo que poderemos será fazer cara feia e revirar os olhos: então, temos que lutar desde já para garantir ao menos esse direito e para não te punirem por “conduta incompatível” ou algo assim.

Abstract: The cow sank in the swamp.

Quando você estiver sob censura, quando suas palavras puderem ter consequências das quais não possa realmente se defender pela assimetria de poderes, quando a afonia te dominar e não for por rouquidão, talvez não te reste outra opção, senão a Liberdade de Expressão facial.

Fazendo cara feia agora mesmo...

Ainda leva uma cara
Pra gente poder dar risada

Lulu Santos


 

Crux Sacra Sit Mihi Lux / Non Draco Sit Mihi Dux 
Vade Retro Satana / Nunquam Suade Mihi Vana 
Sunt Mala Quae Libas / Ipse Venena Bibas

(Oração de São Bento cuja proteção eu suplico)

 

 

*Adriano Alves-Marreiros

Cronista, Pessimista, Mestre em Direito, membro do MCI e MP Pró-Sociedade e autor da obra Hierarquia e Disciplina são Garantias Constitucionais, da Editora E.D.A.



[2] Frase baseada no livro “The cow went to the swamp” do mestre Millôr Fernandes.

[3] Saiu no Diário do Observador e já não está disponível online.