Em matéria de Segurança Pública

“Ovelha não é para mato”

Por FABIO COSTA PEREIRA 20/10/2020 - 21:40 hs

Na década de 90 a diretoria do Flamengo, Clube com a maior torcida do país e incontáveis títulos, para substituir o técnico que havia recém saído , teve uma “sacada” genial, colocar, para comandar o time, um comentarista esportivo que sabia tudo sobre futebol e  era preciso nas suas análises esportivas.


Não tinha como dar errado (era o que pensavam).


Como não poderia deixar de ser, a experiência foi um retumbante fracasso, pois comentarista esportivo é comentarista esportivo e técnico de futebol é técnico de futebol - dizer o óbvio no Brasil nunca é demais.


A formação, a preparação , as vivências e as prévias experiências profissionais exigíveis para o exercício de cada uma das profissões são completamente diferentes.


Muito embora o futebol aos comentaristas esportivos e aos técnicos seja o

objeto principal de interesse e, de alguma forma, os una enquanto trabalho, o que fazem e como fazem é completamente diferente.


Conto essa história pois, um dia destes, ao ouvir um dos tantos “especialistas” em Segurança Pública que deitam cátedra  sobre o assunto, dei-me conta de que, em matéria de Segurança Pública, acontece o mesmo no Brasil.


Inúmeros “comentaristas” de jogos jogados, verdadeiros engenheiros de obras prontas e que jamais operaram na área, que conhecem o fenômeno da criminalidade e o seu combate de forma abstrata e diferida,  por intermédio de seus estudos acadêmicos, buscam pautar o debate sobre o tema, impor as suas ideias e criticar o trabalho alheio sem conhecer a vida de quem está nas ruas enfrentando a criminalidade real.


De gabinetes climatizados, confortáveis cadeiras e fartas bibliotecas lecionam uma Segurança Pública estilizada e ideologizada,  com peculiar sapiência e nenhuma vivência.


É óbvio que estudos acadêmicos, pesquisas e discussões científicas sobre tema são importantes e enriquecem a área.


No entanto, a produção acadêmica, de forma antecedente à modificação dos universos operacional, tático e estratégico (se o especialista não sabe do que estou falando que troque de área), deve passar pelo filtro da realidade, daquilo o que funciona e do que não funciona no mundo dos fatos.


Abstrações puramente teóricas, permitam-me dizer, mais atrapalham do que ajudam.


Aos “especialistas” um conselho, antes tentarem orientar ou recomendar como as forças de Segurança devem agir,  perguntem aos especialistas  de verdade, os policiais, se o que vão dizer é ou não tolice.


Fica a dica.


Como dizia meu pai, um “guasca” nascido e criado no Canta-Galo, interior de São Gabriel, no sul do RS, “ovelha não é para mato”.


E que Deus tenha piedade de nós!

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