O EXEMPLO A SEGUIR

Por ÉRIKA FIGUEIREDO 26/10/2020 - 20:07 hs

Quando meu filho mais velho era pequeno, em certa ocasião, estávamos em Orlando, em um parque da Disney. Fazia muito calor naquela época do ano, e exaustos e suados, decidimos entrar em uma sala climatizada, que simulava um verdadeiro cinema, na qual era exibido um filme sobre os homens que foram peças fundamentais, na fundação do país, muitos dos quais se tornaram, posteriormente, Presidentes.

            Adorei o documentário, saí encantada dali. Pensei: “ora, que coisa maravilhosa, estamos em um país que valoriza sua História, a ponto de exibir um filme, sobre os pais fundadores dos EUA, em um parque de diversões, com as sessões lotadas! Quero conhecer a fundo quem eram esses homens!” E assim eu fiz.

            Estudei a História americana e as inspiradoras biografias daqueles que fizeram a diferença, em momentos cruciais. Descobri muitas curiosidades, acontecimentos e frases; recebi muitas lições de vida. Os EUA convivem, diariamente, com sua História. Até hoje, possuem a mesma Constituição, vigente desde 1789. As crianças sabem de cor os nomes de todos os presidentes já havidos. Os cidadãos são patriotas e têm orgulho de seu passado, repleto de dias de luta e de glória.

            George Washington, John Adams, Thomas Jefferson e James Madison foram os quatro primeiros presidentes dos Estados Unidos da América. Esses pais fundadores da nação, agentes imprescindíveis dos acontecimentos que culminaram na independência das colônias, tiveram a honra de serem os pioneiros na Presidência de seu País, e seu caminho foi seguido por muitos, geração após geração, pela coragem, determinação e pelo amor à pátria que demonstraram desde o início.

George Washington foi um grande herói, lutando incansavelmente, com seu exército, contra os britânicos, na guerra da independência. Muitas são as passagens impressionantes, de batalhas por ele chefiadas, como general. Ao tomar posse, como primeiro Presidente dos Estados Unidos da América, foi aclamado pelo povo e por seus companheiros, apesar de nunca ter tido pretensões políticas.

John Adams foi o segundo presidente dos Estados Unidos, após dois mandatos de George Washington. Foi um grande advogado, e peça fundamental no cenário da independência. Teve um governo polêmico, sendo derrotado, na eleição de 1800, por Thomas Jefferson (supostamente por ter se recusado a entrar em guerra com a França), não tendo a oportunidade de exercer um segundo mandato, desdobramento esse que o fez sentir-se extremamente injustiçado.

Thomas Jefferson, o grande responsável pela declaração de independência dos EUA, assumiu como terceiro chefe de governo imprimindo sua marca. Arquiteto e grande fã do estilo greco-romano, promoveu o estilo neoclássico de construção na capital Washington, e é considerado um dos maiores líderes da nação, tendo fortalecido o governo central e duplicado o território americano, com a compra da Louisiana, por uma bagatela, dos franceses. Fundou, ainda, a Academia Militar.

Muito embora John Adams, com a derrota para Jefferson, tenha se recolhido em sua fazenda, curiosamente, após anos de rompimento, os dois iniciaram uma troca de cartas inspiradíssimas, tornando-se grandes amigos e confidentes, até o fim de suas vidas. Morreram, por uma inacreditável coincidência, no mesmo dia, 4 de julho de 1826, aniversário de 50 anos da declaração de independência.  

O quarto presidente dos EUA foi James Madison. Conhecido como o “Pai da Constituição”, por seu papel na elaboração desta, durante seu mandato, promoveu a “segunda guerra da independência”, em 1812, contra os britânicos. Fortaleceu o governo central, criando inclusive um banco nacional, e incrementou a marinha e os exércitos americanos.

Homens corajosos, intimamente ligados à fundação de seu País, e a um legado de patriotismo, de respeito às tradições e ao direito natural. Os EUA, assim como o Brasil, surgiram como colônia, mas souberam lutar pela independência, com altivez e determinação. Exemplos deixados pelos pais fundadores, que se protraíram no tempo e inspiraram os que vieram depois.

Retirei do Instagram do magnífico Taiguara Fernandes, uma passagem do livro “O Século do Nada”, de Gustavo Corção: “conhece-se o teor de uma civilização pelo gosto e pela atenção com que se pondera o passado, com que se registram  fatos e feitos, com que se demarca com pedras – como na história de João E Maria – o caminho percorrido, como se esse fosse também o caminho da volta. Ao contrário, aquilata-se a gravidade de uma crise civilizacional pelo desprezo ou pela violência com que os novos querem romper com o passado.”

Podíamos ser uma grande potência mundial, como os Estados Unidos da América. Contudo, o desprezo pela História, a falta de heróis e a corrupção endêmica, mal combatida e pouco punida, nos trouxeram ao ponto em que nos encontramos: um Brasil enfraquecido por disputas internas, má gestão de seus recursos, com um Estado intervencionista ao extremo, impostos altíssimos, criminalidade aterradora, chafurdando na lama.

A América do Sul vive uma grave crise civilizacional. Países sem identidade, ex colônias europeias, hoje independentes, mas que flertam com o comunismo, para depois serem engolidos por ele. Por aqui, eleições municipais se avizinham. Grandes homens podem mudar uma nação, homens medíocres podem fazê-la naufragar.

Os EUA tiveram a sorte de contar com gigantes, os quais fizeram a diferença e entraram para a História. Homens do quilate dos acima descritos, bem como os não menos importantes Benjamin Franklin, Abraham Lincoln e Ronald Reagan, os quais serão eternamente lembrados, como exemplos para seu país.

É hora de resgatarmos a nossa memória, nos reconciliarmos com nosso passado, elegermos grandes homens e resgatarmos os valores que realmente importam, a fim de que avancemos como nação, sepultando os fantasmas que insistem em nos assombrar.

“Se não nós, quem? Se não agora, quando?” Ronald Reagan.