Tudo pelo Estado

O paradoxo da impunidade

Por FABIO COSTA PEREIRA 01/12/2020 - 17:16 hs

Hobbes, filósofo inglês que viveu durante século XVII, escritor do livro o Leviatã, tinha uma visão nua e crua sobre o ser humano. Em sua ótica, o homem, em estado de natureza, tendia à barbárie. 


Diante disso, afirmava Hobbes que a estruturação da sociedade em torno do Estado , antes de tudo, deu-se para conferir a cada um de seus tutelados Segurança. 


No entanto, nada é de graça. 


Cada um de nós, em sociedade, para vivermos de forma segura, abrimos mão de parte de nossas liberdades. 


Ao Estado, em contrapartida, para garantir a segurança de todos, assume o legítimo uso da força e da punição daqueles que pecarem contra às regras de convívio social. 


E a pergunta que emerge, o que acontece quando o Estado deixa de ser Estado, não mais garantindo a Segurança ou punindo aqueles que cometeram crimes? 


A resposta é bastante singela, aquilo que está no correndo no Brasil , altos níveis de criminalidade, esta cada vez mais violenta e destemida, face a certeza da impunidade. 


De outro lado, como efeito colateral, uma vez que o Estado abandonou a sua missão principal, conferir Segurança e punir os culpados, a sociedade parte para a busca de soluções alternativas aos conflitos, autotutelando os seus interesses , inclusive com desmedida violência. 


É o que aconteceu,  há uns três anos, quando vítima de uma tentativa de furto, ao prender  o criminoso, ao revés de o entregar às autoridades, tatuou-lha na testa os seguintes dizeres: “Sou ladrão e vacilão”.


Episódios como esse, infelizmente, face à omissão estatal, repetem-se com indesejada frequência. 


O grande medo é atingirmos o ponto sem retorno, onde a barbárie tornar-se-á a regra dominante deste jogo chamado vida em sociedade.


Espero que isso nunca aconteça.


E que Deus tenha piedade de nós!


Revolução Molecular Fabio Costa Pereira para o Tribuna Diária