A Sociedade do Aplauso Mútuo e a idade dos porquês...

Se você for um de nós, você agora estará se perguntando sobre o porquê de tudo isso. Eles nunca responderão, porque isso legitimaria nosso direito de perguntar

Por ADRIANO MARREIROS 02/12/2020 - 18:59 hs

Quanto é mil trilhões
Vezes infinito?
Quem é Jesus Cristo?
Onde estão meus primos?

Well, well, well
Gabriel

Paula Toller e Dunga.


 

Hoje as palavras transbordavam da minha cabeça e iam caindo letra a letra, sílaba a sílaba, às vezes ruidosamente, em parágrafos inteiros espatifados no chão: eu tinha que escrever, antes que os vizinhos reclamassem....

Fernanda diz que tem pena da minha Mãe quando eu tinha sete anos[1]:  se eu já exijo o porquê de tudo hoje, imagina na famosa idade dos porquês.

Sinceramente: Nanda está errada.  Lembro que muito antes dos 7 eu já exigia o porquê de tudo e que muito depois nunca parei de exigir.  Não lembro de nada especialmente diferente quando eu cursava a 1ª série primária no Aladim e perturbava Tia Márcia e a diretora Tia Ester, e até a Tia Irene, a Tia Alzira, a Tia Carmo com perguntas sem fim.  Nunca me bastou saber que algo ia ser feito ou tinha que ser feito: eu tinha que ser convencido com uma explicação, um porquê... E não qualquer porquê: um plausível.  Não adiantava dizer qualquer coisa para se livrar de mim

Querer saber o porquê das coisas é uma das coisas mais tristes, mais solitárias, mais melancólicas que alguém pode viver.  Você sempre sofrerá a má vontade, a desconfiança e o autoritarismo das pessoas...  Muitos acham que as pessoas têm preguiça de explicar.  Vou te dar a real do alto dos meus 50 anos de experiência (“do alto”: a Elisa da arquitetura vai me sacanear, e com razão): preguiça nada, as pessoas fingem impaciência, fingem que sua pergunta não faz sentido, fingem que você é chato porque elas não sabem responder.  Elas fazem coisas e impõem idéias sem seguir qualquer lógica.  Principalmente as que se acham “progressistas”.  Elas não vão além do achismo, do eu quero, do vai ser assim e acabou.

Deixa de ser radical, você me dirá, tem pessoas que responderão a todos os porquês que você levantar.  Sim, elas existem, aliás, nós existimos, We few, we happy few, we band of brothers, nas palavras de Henrique V, segundo Shakespeare, que também afirma que Não queremos perecer na companhia de quem teme morrer ao nosso lado.  São essas pessoas que proporcionam os verdadeiros e bons debates, que exercem de verdade a tolerância, pois estão dispostas a expor, sem reserva mental, o próprio pensamento e analisar o nosso.  Não são como aqueles que só discutem na SAM (sociedade do aplauso mútuo), que se acham iluminados e querem cassar a palavra de quem pensa diferente e que, diante de indagações sobre a falta de lógica e explicação sobre a tal “ciência” que alegam, cumprem a profecia da grande pitonisa Calcanhoto e lançam “aquele olhar blasé de quem não só já viu quase tudo, mas acha tudo tão déjà-vu, mesmo antes de ver” deixando de responder essas “impertinências” que o nosso “negacionismo” se nega a aceitar e, alegando um suposto “terraplanismo” nosso,  tentam fazer terraplanagem nas redes, nas escolas, nas universidades, nivelando tudo à mediocridade e censurando todo pensamento conservador, questionador e independente e limitar todo o conhecimento à concordância com eles e outros pretensos hierofantes autodenominados “iluministas”.  E é justamente o pensamento das ovelhas que aceitam submissos seus dogmas, sem criticar, que eles chamam de “pensamento crítico”.

Se você for um de nós, você agora estará se perguntando sobre o porquê de tudo isso.  Eles nunca responderão.  Não com sinceridade.  Nem sem ela: pois isso legitimaria o nosso direito de perguntar. 

Acuse-os do que você faz,

xingue-os do que você é!

Frase atribuída, sem confirmação,

 a Lênin: e cuja prática é confirmada

 há mais de um século.

 

 

Crux Sacra Sit Mihi Lux / Non Draco Sit Mihi Dux 
Vade Retro Satana / Nunquam Suade Mihi Vana 
Sunt Mala Quae Libas / Ipse Venena Bibas

(Oração de São Bento cuja proteção eu suplico)



[1] Há quem diga que é aos quatro.