A vida é jogo de gente grande

que se aprende desde pequeno...

Por DIOGO SIMAS 02/12/2020 - 20:53 hs

Igualdade e Realidade:


— Eu não gosto da 5.

— Titular escolhe o número, reserva escolhe o que sobra. Você é reserva do reserva!

Comecei a jogar futebol cedo. Fui inscrito no Campeonato Carioca de Futebol de Salão em 1986. O diálogo foi com meu primeiro treinador. Eu tinha 6 anos.

Não gostava da 5, gostava da 9. Não pude escolher e fiquei com a 5; Com o tempo o 5 virou "meu número". Quanta pretensão...

Clube simples, sem grandes expectativas, mas havia uma regra: jogavam os melhores. Ninguém questionava, os melhores jogavam porque eram melhores.

No meio do campeonato surgiu uma criança melhor que as outras e um dos titulares teria de sair.

A mãe do escolhido não concordou, afirmando que aquilo errado, pois seu filho estava no clube há dois anos e não era justo que saísse do time para um recém chegado jogar.

— Meu filho está há dois anos esperando e agora você o tira porque o outro é melhor?!

— Exatamente! O outro é melhor!

O que seria correto: manter o pior pelo tempo no clube ou promover o melhor?

Questões como igualdade e justiça quando postas em sistemas menos complexos tornam-se simples. Em um time de futebol - mesmo de crianças - ninguém questiona que deve jogar quem joga melhor.

Por que, então, questiona-se o mérito em outras situações?

A equidade se aplicaria ao caso? Tratar os desiguais como desiguais na medida de sua desigualdade? Então, o menino que estava há mais tempo no time jogaria, sendo avaliado diversamente do outro na medida de sua desigualdade, pela sua capacidade, não sendo comparado com o outro. Justo? Correto?

O resultado era o guia do treinador. Sua prioridade era vencer e não poderia manter um jogador pior em detrimento de outro melhor.

Justo, correto, egoísta, os fins justificam os meios?

Meios e fins se confundem; No caso não foi utilizado qualquer meio estranho ao fim desejado. O treinador queria vencer, precisava dos melhores e os pôs em campo, mais coerente impossível.

O tempo de treinamento, o empenho da família, a dedicação da outra criança, apesar de louváveis, não o tornaram melhor… E o melhor joga! 

Há pessoas mais talentosas, bonitas, inteligentes e até sortudas que outras. Crer na possibilidade de que todos sejam iguais ou tenham as mesmas oportunidades é simplesmente não enxergar a realidade. Se alguém tem talento para uma atividade e há quem deseje pagar, que seja. Isso vale não apenas para modelos, atletas ou atores, mas para todas as situações.

Em um grave problema de saúde, busca-se o melhor médico ou o menos qualificado em prol da igualdade? Saúde é diferente? O princípio é o mesmo.

Ou se busca o melhor por ser o melhor e ter a probabilidade de um resultado melhor ou aceita-se o "não tão bom" em prol da igualdade sob pena de um resultado não satisfatório.

As pessoas não são iguais e não é possível que leis façam o que a natureza não faz. Igualdade, corretamente entendida, é permitir que cada um busque seus objetivos e seja respeitado igual a todos, não sofra discriminação, preconceito e isso - ao contrário do que parece - não nos torna iguais, continuamos diferentes. E isso é bom! 

Cada um tem seu talento, ou se não, que se esforce. Limitar a competência de uns em razão da incompetência de outros é essencialmente errado e disto surge a condescendência com a mediocridade.

Guiar-se pelo resultado é uma necessidade e aqueles que não o fazem - ao não atingirem seus objetivos - tendem a culpar terceiros e criar desculpas infundadas.

A premissa da igualdade como forma de justiça não traz os melhores resultados porque os melhores executam melhor suas tarefas.

Quando se promove a igualdade e em detrimento do mérito, da qualidade, da competência, do valor, junto promove-se a aceitação da mediocridade e os resultados serão obviamente medíocres.

Deseja-se que a educação melhore, contrate-se os melhores professores. Gestão pública melhor, troquem-se políticos por administradores privados, que visem resultados, não políticas. Isso vale para tudo.

Por que não se aplica tal princípio? Quem o teme os melhores?


Responda a segunda pergunta, que a primeira estará respondida.


                                                            Diogo Simas