EM DEFESA DA IGREJA CATÓLICA

a amálgama cultural que permitiu o florescimento da civilização ocidental

Por Eduardo Vieira 17/01/2021 - 20:25 hs

O Ocidente se encontra em tal ponto de degradação intelectual e moral que apostaria que muitos que leram esse título sentiram algum tipo de desconforto. "Lá vem o radical religioso perturbar novamente"; "Como alguém ainda tem a coragem de defender uma igreja com esse Papa?"; "Esse resolveu ignorar a pedofilia rampante dentro da Igreja" - esses são alguns exemplos de resmungos que me vem à cabeça.

A Igreja Católica (seguida de perto pela Ortodoxa Grega) foi a responsável pelo amálgama cultural que permitiu ao Ocidente progresso jamais visto. Trazendo aos povos a noção de sacralidade da vida e instituindo um poder superior, transcendental, justo e bom, a Igreja colocou a terceira pedra fundamental na base estrutural da nossa civilização. Lá coexistiram em harmonia a filosofia e cultura gregas, o direito romano e a moral judaico-cristã. Esse tripé mostrou ser o mais espetacular conjunto de elementos da história das civilizações. Não por acaso, o antigo Oriente e o Oriente Médio ficaram para trás na corrida desenvolvimentista.

Posteriormente veio a Reforma Protestante e o Cristianismo tornou-se uma família cheia de ramificações e denominações mas com muito do que mais importa em comum. Nada tenho contra os demais ramos do Cristianismo, deixo claro. O que vou explanar é uma visão histórica aplicável ao Ocidente, não tendo eu a pretensão de discutir quaiquer dogmas religiosos.

O Inimigo, que sempre esteve entre nós, tratou de acabar com aquela paz cristã sempre que pôde e teve sucesso em inúmeras oportunidades, como nos mostra a História. Mas pequenos conflitos não seriam jamais o bastante. Era preciso remover o braço terreno do Todo-Poderoso da equação. O Iluminismo proporcionou essa oportunidade e foi amplamente usado para manchar a honra e a reputação da Igreja. O mundo passou a conhecer a Idade Média, período de trevas entre dois esplendores, a Roma Antiga e a Europa Iluminista. Maior barbaridade não há, simplesmente. Imaginem chamar o único período da história humana capaz de gerar maravilhas arquitetônicas como as catedrais góticas como Era das Trevas? Eu chamo esse período de Milênio Brilhante, onde o Ocidente assistiu feliz ao nascimento das universidades e a uma elevação de pensamento absolutamente fascinante. Nesse milênio (476-1453) tivemos justamente um elevado crescimento intelectual mantendo a totalidade da natureza humana, incluídos aí intelecto e alma. O transcendental era aceito e trabalhado intelectualmente junto ao mundo material. Fico encantado quando imagino o que o Homem poderia alcançar se não tivesse rompido com um aspecto tão vasto e importante da natureza universal.

O afastamento do transcendente iniciado no Iluminismo foi turbinado pela destruição intencional promovida pela Revolução Francesa e pelos seus herdeiros marxistas. O homem perdeu seu freio moral ao mesmo tempo em que avançava com mais rapidez em termos tecnológicos. O resultado não poderia ser bonito, evidentemente, e as atrocidades nazistas e comunistas do século XX deixaram isso claro como a água. Mas nem todo mundo consegue ver isso pois é óbvio que isso desagrada muitíssimo ao Inimigo. O marxismo, apesar de derrotado na Guerra Fria, introduziu seu dedo podre nas instituições ocidentais aleijadas pelo culto à liberdade. Por anos se manteve em estado de guerra, perseguindo pessoas em todas as esferas até enfim lograr se encontrar num mundo onde seus escravos dominam praticamente tudo. Não houve um único momento em todo esse esforço que não fosse dedicado a denegrir a imagem da Santa Igreja.

Várias narrativas foram criadas. Das lendas sobre a Santa Inquisição, onde a Igreja teria queimado milhares de homens e especialmente mulheres na fogueira, até as histórias espetacularmente infladas sobre pedofilia homossexual. De fato a Inquisição existiu e foi algo que só posso condenar mas tratou-se de algo muito diferente do que é ensinado pelos professores psolistas de História nas escolas. Só para terem um exemplo, em quatro séculos de Inquisição na França a Igreja mandou para a justiça comum (para receberem o castigo da fogueira, imposto por esta) menos de 70 pessoas. As grandes matanças não foram efetuadas pela Santa Inquisição.

Em relação à pedofilia a narrativa é tão mais maléfica quanto canalha. Pois a Igreja foi uma das intituições invadidas pelo Inimigo. Este trabalhou arduamente para, entre outras bandeiras, liberar a entrada de homossexuais nos Seminários. Posteriormente cada caso, cada escândalo sexual passou a ser maximizado e explorado da forma mais desonesta, ocultando do povo a imensidão de grandes obras de caridade de extraordinária beleza efetuadas pela Igreja Católica. Todos conhecemos bem esse tipo de artimanha que agora é usada contra conservadores.

Mais recentemente temos visto os inúmeros ataques ao Papa, em sua maioria causados por recortes de declarações e ocultação de ações em paralelo. E mesmo bons católicos embarcam nessa jornada de apedrejamento, sem perceber que o alvo não é o Papa mas sim a Igreja. Outro dia mesmo recebi um comentário de uma leitora que dizia que não poderia ser mais católica por conta desse Papa. Ora, esta senhora jamais foi católica, é evidente. E isso foi possível justamente pela atual fraqueza da Igreja, tão atacada por fora e por dentro.

É preciso contar a verdade sobre a Santa Igreja e defendê-la. Esse imperativo se estende aos crentes das demais denominações pois o grande obstáculo, a grande pedra no sapato dele é a Igreja Católica. Digo isso, repito, não baseado em teologia mas na história. Basta contar quantas igrejas católicas foram vilipendiadas no mundo nos últimos 20 anos e quantos templos de outras denominações. O Inimigo sabe quem o ameaça e se concentra na Igreja.

Sou aliado de todo cristão e judeu e jamais tolerarei qualquer violência contra templo ou indivíduo dessas denominações. Sei que a recíproca é verdadeira para muitos. Que tal sentimento se espalhe e ganhe força. O que vem por aí é algo tremendo e um exército não deve se desfazer de nenhuma unidade, muito menos a mais poderosa, na hora do embate.

É preciso que se defenda a Igreja independente de se gostar do Papa Francisco. É preciso que defendamos a maior força de resistência e combate ao Inimigo, mesmo com todos os ataques internos. Com muito esforço conseguiremos vencer o que está por vir mas repito aqui: A Santa Igreja Católica será peça fundamental para essa vitória.

Essa guerra que enfrentamos tem um forte aspecto transcendental e é por isso que tanto esforço foi dedicado ao fechamento de igrejas nesta pandemia, entre outros interesses. Somos muitos cristãos e muitos judeus e ainda muitos ateus e agnósticos que compreendem e valorizam a moral judaico-cristã. É nossa tarefa defendermos a todos contra o Mal. Contem sempre com o meu humilde esforço. Que Deus os abençoe e guarde.



colunista Eduardo Vieira para o Tribuna Diária